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terça-feira, abril 19, 2005

A lei da Rolha


A Censura - que a Revolução de Abril pôs termo - constituiu uma arma por excelência de Salazar e Marcelo Caetano para «matar» à nascença qualquer veleidade de contestação à ditadura fascista. Uma arma importante, entre outras, mas não menos poderosa e eficaz.
Os factos demonstram que o Exame Prévio foi um dos elos de um aparelho repressivo muito mais vasto e tentacular que passava, designadamente, pelos Secretariados de Propaganda e Informação - SPN/SNI, Legião Portuguesa, Mocidade Portuguesa, Obra das Mães pela Educação Nacional, FNAT, Sindicatos Nacionais, Conselho Permanente de Acção Escolar, o Ministério do Interior, do Exército e o da Educação Nacional e, principalmente, a PIDE/DGS.
A censura não se limitava a amordaçar a Imprensa escrita; ela foi igualmente constante e arrasadora ao nível do teatro, do cinema, da televisão, da radiodifusão, do livro e das artes plásticas. Isto é: a Censura foi usada pela ditadura para tentar moldar literalmente o pensamento dos portugueses em conformidade com os valores e interesses do regime.

2 comentários:

João Gundersen disse...

De modo algum quero parecer saudosista, ou sequer dar-lhe algum mérito, mas a censura obrigou a produzir textos políticos, de teatro e outros de grande inteligência, claro que a estupidez dos censores às vezes também ajudava, mas era necessário algum engenho para contornar a dita. Volto a repetir, não gosto de censura nem só um bocadinho...

Anónimo disse...

Não é à toa que o provérbio diz: "A necessidade aguça o engenho". Mas a censura era apenas mais um elo do aparelho repressivo que condicionava e limitava a vida de todo um Povo.