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sexta-feira, abril 22, 2005

Guerra Colonial - Memória III


Contra o colonialismo e o fascismo
Uma descolonização com o que tal implicava de acordos, consensos, planos comuns para interesses convergentes, já só teria sido possível em 1961 quando um grupo de generais ameaçou debilmente Salazar, pressionados quer pelos apelos e exigências de Amílcar Cabral e outros líderes africanos para uma autodeterminação pacífica quer pela suspeita do desastre em preparação. Mas Salazar brincou com eles e daí a meses estava a mandar as tropas "para Angola e em força" cantando "Angola é nossa".

Marcelo Caetano também tinha obra feita sobre a mais vasta questão envolvente: "os indígenas são súbditos portugueses mas sem fazerem parte da Nação"; "os cruzamentos ocasionais ou familiares são fonte de perturbações graves na vida social de europeus e indígenas"; "os pretos têm de ser dirigidos e enquadrados por europeus, e olhados como elemento produtivo enquadrado ou a enquadrar numa economia dirigida por brancos". Portanto de humano só tinham a forma.

A PIDE era a base de todas as principais informações dos estados maiores militares, extorquidas através dos denunciantes pagos ou voluntários, do terror, da tortura, do assassinato exemplar e do rapto.

É a revolução de Outubro que estabelece a teoria que deu alimento à base material que incitava os povos colonizados à luta de libertação. Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Mandela, Kaunda, Nyerere, N'Kruma, Machel, inspiraram-se nessa teoria, de uma forma ou de outra, mais próximo ou mais afastados - e Franz Fanon, o pai da revolução africana.

Por isso, Amílcar Cabral pôde escrever, com razão: "o fim do fascismo pode não significar o fim do colonialismo; mas o fim do colonialismo significará forçosamente o fim do fascismo".

A lenta subversão das FA's ao longo de 13 anos de guerra, teve muita inspiração das teorias libertadoras e socialistas. Começara nas universidades, em luta contra a política fechada às artes e ciências, à liberdade de expressão e de pensamento, contra as condições de acesso e programas, a perseguição no interior da própria universidade; e continuara com a oposição à guerra colonial que se tornou depois do Maio de 68 no principal motivo de combate ao fascismo, tomando uma importância tal que envolveu as lutas operárias.

Saltou para dentro das FA's, tendo os militares começado a procurar saída para o buraco sem saída. Saída que a luta sofrida, mas corajosa do povo português, contra o fascismo e a guerra, - as deserções, as recusas a cumprir ordens avolumando-se, as condições de vida deteriorando-se, os filhos morrendo ou regressando sem braços, sem pernas, sem uns nem outros, a censura e as perseguições da PIDE aumentando na proporção da resistência - ajudou a encontrar. E que a luta dos povos coloniais, ao impor uma derrota militar no terreno ajudou a apressar.

... acaba amanhã.

3 comentários:

magnolia disse...

Este blog é sem dúvida um manancial de verdadeiros manuscritos! Já o indiquei a alguns jovens que não sabem bem o que foi a história da ditadura e a razão do 25 de Abril. Até porque acho que os nossos governantes(estes e os outros) estão pouco interessados em "divulgar" o 25 de Abril e juventude que nasceu após 1974 não tem a mínima noção da importância de um dia como este. Para eles é apenas mais um feriado sem aulas ou sem trabalho.
Obrigada pelos posts.
Bom fim de semana.

vermelhoFaial disse...

Também agradeço as palavras de estímulo, mas, neste caso, sinto como obrigação pôr e repôr alguma verdade em tudo quanto se fala do 25 de Abril. Vamos festejar mais um aniversário do 25 de Abril, sem esquecer os obreiros de Abril e todos quantos sofreram e deram a vida pela liberdade dos Povos de áquem e álem mar.

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