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sexta-feira, Novembro 25, 2005

Mulheres violentadas, com Abrigo na Horta

Vivemos num mundo de grandes disparidades e a situação das mulheres não é excepção. Das situações de mulheres condenadas à lapidação, à prática da mutilação genital, aos casamentos comprados e forçados, podemos afirmar que em grande parte do globo as mulheres não existem enquanto cidadãs e lhe são negados os direitos mais primários.

Na Europa, onde se diz que as mulheres já alcançaram tudo, persistem situações de discriminação e de subalternidade das mulheres na sociedade. Se é verdade que muito se alcançou, em direitos consignados na lei, também é verdade que estamos longe de uma plena vivência democrática e cidadã para as mulheres.

O privado é exemplo disso. O combate à violência contra as mulheres está na agenda política das feministas de todo o mundo e da Europa em particular. Os números são assustadores em Portugal e cada vez se levanta mais o véu sobre aquilo que se passa dentro do lar, atravessando todos os sectores da sociedade. A violência patriarcal assenta nas concepções mais retrógradas sobre as mulheres e em conceitos de poder dos homens. Aqui o privado é político. O combate à violência contra as mulheres nos seus diferentes aspectos - violência física, psicológica, social, económica e sexual, está directamente ligado ao estatuto da mulher na sociedade e por isso não se compadece com simples retórica do poder político. A maior visibilidade deste questão, deve-se ao facto de ela ter saltado para a agenda política, fruto em grande medida da luta feminista, mas também se deve ao maior nível de consciencialização das mulheres que já não a aceitam, que a denunciam e rompem os silêncios que a envolvem. É potenciando esta maior consciencialização que será possível combater a violência e não numa mera vertente assistencialista, que apenas vê a mulher como vítima.

A discriminação directa e indirecta da mulher no mercado de trabalho, continua a ser um dos entraves a uma verdadeira afirmação dos direitos das mulheres. A reivindicação do início do século passado de "a trabalho igual, salário igual", continua a não ser praticada e vivem-se situações que vão desde a não admissão de trabalhadoras porque podem vir a engravidar até aos famosos tectos de vidro que impedem as mulheres de progredir na carreira. O mundo económico e em certa medida também o mundo sindical, continua a ser masculino.

A luta pela despenalização do aborto assume particular importância, mas a luta feminista não se esgota nesta causa. O direito à cidadania no trabalho, a afirmação da mulher no seio da família, em igualdade de oportunidades com o homem, combatendo o contrato social e sexual implícito que pressupõe o feminino afecto à esfera privada e o masculino à esfera pública, o direito à participação política, a luta contra a violência de género.

Hoje é o Dia Mundial para Eliminação da Violência Contra as Mulheres e o núcleo da UMAR do Faial assinala a data com a inauguração oficial da casa Abrigo que já se encontra em funcionamento, na Rua Juiz Macedo, na Horta.

3 comentários:

Gado Bravo disse...

"Os números são assustadores em Portugal e cada vez se levanta mais o véu sobre aquilo que se passa dentro do lar(...)"

«lar»?

não gosto de feministas.

Caiê disse...

Conheci a UMAR e gosto do seu projecto. Dou-lhes os parabéns por terem novas instalações na Horta!

Não se trata de feminismo, amiga Rosa. O certo é que muitas mulheres são vítimas de violência, sim. Os homens são fisicamente mais fortes e infelizmente muitos se servem disso...

Gado Bravo disse...

sim, nao estou a falar da UMAR, a essas dou todo o crédito pelo bom trabalho desenvolvido.
referia-me a outras, ás absolutistas que se defendem tanto que não respeitam os outros.
enfim.