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quinta-feira, maio 05, 2005

Em defesa da razão


A minha geração assistiu a mais revoluções científicas, tecnológicas e sociais do que qualquer geração anterior. A chegada do homem à Lua, as fotos dos planetas distantes, os computadores, a televisão directa dos satélites, as vacinas que eliminaram da face da Terra a varíola e a poliomielite, os remédios desenhados em computadores que curam o cancro quando detectado a tempo, os transplantes do coração e rins. E, apesar disso, o que ganhámos? Uma geração de crédulos sem capacidade crítica.

Até mesmo muitas pessoas que seguiram uma carreira técnico-científica não entendem a racionalidade da ciência. Consomem toneladas de pseudo medicamentos sem nenhum efeito positivo para o organismo. Engolem comprimidos de vitaminas que serão eliminadas na urina. Consomem extractos de plantas com substâncias tóxicas e abandonam o tratamento médico. Gastam fortunas com diferentes marcas de champô que contém sempre o mesmo detergente mas anunciam "alimentos" para os cabelos, quando estes recebem nutrientes directamente do sangue que irriga as suas raízes. Há os que untam o rosto com geleias, ovos e põe rodelas de pepino e acham que estão rejuvenescendo.
Por tudo isso, fico pasmado ao ver que, já no 3º Milénio, as pessoas lêem horóscopos sem nunca comparar as previsões da véspera com o que realmente aconteceu. Desconfiam dos cientistas, mas acreditam nos astrólogos, que prevêem o óbvio. Uma geração que se deixa levar por anúncios desonestos na televisão e por pregadores a quem entregam a sua vida espiritual.

Mas nem tudo está perdido. Ainda há quem encontre motivação para se guiar pelo racionalismo e pela ciência - e para mudar. E há muito que fazer. É preciso combater a irracionalidade e as mistificações, onde quer que eles se manifestem: na televisão, nos locais de trabalho, nas escolas. Hoje, as pessoas passam um terço da vida nas salas de aula sem aprender e ninguém se importa. Criamos robôs que nos permitem ter uma produção cada vez maior de bens, mas ficamos prisioneiros de uma sociedade cada vez menos justa.
Numa sociedade em que a ciência expandiu a longevidade do homem, cada vez está mais difícil ter um salário no fim do mês, a que acrescem os problemas da insegurança, da degradação dos cuidados de saúde e da perda de direitos na última etapa da vida.

1 comentário:

Gado Bravo disse...

Ora aí está algo que concordamos :)
Voto pela ciência, pela racionalidade e pela capacidade de crítica. Mesmo com as suas limitações todas.
Cumprimentos.