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quinta-feira, maio 19, 2011

Morrer da cura? Não, obrigado

A ideia de que um país para crescer terá antes de ficar mais pobre, de bater no fundo, não passa de puro radicalismo liberal e não pode colher apoio popular.
Cobrar ao povo, com austeridade, o pagamento de uma dívida, que em parte (privada) não lhe pertence, para garantir as rendas agiotas das instituições financeiras credoras, é promover o calote.
Como é que se pagam juros de empréstimos de + de 5% quando a economia está em recessão, -2% anos sucessivos? Como é que se paga uma dívida que é mais cara 30 mil milhões de €s só de Juros e +12 mil milhões que vão direitinhos para Banca, quando já não era possível satisfazer os compromissos anteriores?
A resposta é: Não se paga, não é possível.

quarta-feira, abril 27, 2011

Chama o Coelho!

Queres acabar com o Serviço Nacional de Saúde?
Chama o Coelho!
Queres acabar com a Escola Pública?
Chama o Coelho!
Queres que o desemprego provoque a redução da reforma?
Chama o Coelho!
Queres trabalhar até aos 70 anos?
Chama o Coelho?
Queres outro líder para o teu partido?
Chama o Coelho!
Queres a tua família nas revistas "Cor de Rosa"?
Chama o Coelho!
Queres dançar o tango?
Chama o Coelho!
Queres te deitar e acordar mijado?
Chama o Coelho!

segunda-feira, abril 25, 2011

25 de Abril para o Povo! Abril de NOVO!

Comemorar o 25 de Abril, é homenagear os anti-fascistas, os democratas, os resistentes e todos aqueles que lutaram para que hoje possamos viver com alguma liberdade e democracia representativa.
Comemorar o 25 de Abril, é não permitir que se apague da memória colectiva um passado de ditadura, opressão e guerra colonial e o heroismo de milhares de resistentes antifascistas.
Comemorar o 25 de Abril, é passar a mensagem aos mais jovens, aos filhos da madrugada de Abril, de uma parte importante da nossa história em que o povo se libertou dos grilhões com que o fascismo os acorrentava.
Comemorar o 25 de Abril, é reafirmar os valores e ideais de democracia, liberdade, igualdade, justiça, solidariedade e fraternidade, que as portas de Abril abriram.
Comemorar o 25 de Abril, é não esquecermos que somos precários, que termos salários de merda, que não sabemos o que vai ser de nós, que a "democracia" não é mais do que o resultado de derrotas acumuladas e da consequente usurpação de espaço e de tempo por parte de quem nos tenta dominar. É lutar contra as politicas do PS, PSD E CDS que nos colocam de joelhos diante da finança internacional, depois e apesar de Abril de 1974 nos puseram quase a pão e água, na cauda da Europa e transformaram no país europeu com maiores desigualdades.
Recordamos esta data não só pelo que foi, mas pelo que terá ser.
25 de Abril para o Povo!
25 de Abril de Novo!

quinta-feira, abril 21, 2011

Viver acima das possibilidades / culpados


Acima das suas possibilidades vive quem ganha o ordenado mínimo, por isso retira-se-lhe o aumento de 10€; acima das suas possibilidades vive quem ganha mais de 600€, por isso retira-se-lhe o abono de família; acima das suas possibilidades vivem os desempregados, por isso retira-se-lhes ou reduz-se o subsídio para o qual descontaram; acima das suas possibilidades vivem os desafortunados que vivem no limiar da pobreza, por isso retira-se-lhes o rendimento social de inserção; acima das suas possibilidades vivem os reformados com pensões de miséria, por isso congela-se-lhes a atualização das pensões; acima das suas possibilidades vivem o comum dos trabalhadores e funcionários, por isso reduzem-se-lhes o vencimento; acima das suas possibilidades vivem as pequenas empresas, por isso aplica-se o Código Contributivo, para elas verem com quantos pauzinhos se faz uma canoa e acima das suas possibilidades vivemos todos (classe média e baixa), por isso aumentam-se os impostos: IVA, IRS, IMI, IA e mais uns quantos Issssss.
Segundo os comentadores, fazedores de opinião, economistas, políticos e todos os iluminados, por terem vivido acima das suas possibilidades, estão encontrados os CULPADOS pelo estado a que chegamos e donde nenhum português nos sabe tirar.

Os políticos instalados no poder, banqueiros, administradores de Empresas Públicas como TAP, RTP CGD, EDA, Águas de Portugal, Estradas de Portugal, Empresas de transportes, Banco de Portugal, etc., que criam as próprias regras de retribuição e de passagem à reforma com meia dúzia (ou menos) de anos de serviço, com indemnizações e reformas milionárias que vão acumulando, enquanto pulam de conselho de administração em conselho de administração e destes para o Governo ou fazendo o percurso inverso, apesar das empresas darem prejuízos de milhões todos os anos. Não são muitos (quase sempre os mesmos), mas são bons, tem de ser bem pagos senão vão para o estrangeiro e aí ficamos sem massa critica, sem os melhores quadros (que rica massa crítica). O Governador do Banco de Portugal (já foi tarde), apesar de ganhar o dobro do seu homólogo americano e tanto como o alemão deixou o BPN e o BPP enganarem toda a gente e transformarem-se em sorvedoures dos dinheiros públicos.
Estes não tem culpa de nada, são intocáveis, é vê-los no dia de Portugal a se condecorarem uns aos outros, a passarem nos ecrãs das TVs a receitar parcimónia e aperto de cinto. Estes não viveram acima das suas possibilidades, viveram foi acima das NOSSAS.

Mas vivemos em Democracia (representativa), em última análise a CULPA é sempre do Povo, é que os põe lá, eleições após eleições, e pelos vistos vai repetir a dose.
É preciso ser muito Masoquista.

domingo, abril 10, 2011

Fernando Nobre, Grande desilusão!

Como é possível alguém como Fernando Nobre prestar-se a este papel, com o percurso humanista e na defesa do Estado Social e dos mais fracos, dispor-se a colocar o seu prestigio e os 600.000 votos nas presidenciais, ao serviço dos carrascos do Estado Social. Sim, porque o PSD vai aproveitar esta oportunidade para, ao abrigo das imposições do FMI, implementar o seu projeto neo-liberal de acabar com o direito à saúde e educação tendencialmente gratuitas, facilitar despedimentos e reduzir salários, pensões, 13º mês e subsídios sociais e pôr-nos todos na fila da sopa dos pobres.

Acreditei na candidatura de Nobre, mas é muito triste quando descobrirmos que “o ídolo tem pés de barro”, que o homem que não pertence ao sistema age como os homens do sistema.

segunda-feira, abril 04, 2011

Vamos dar uma lição nesses filhos da p...


ALTERNATIVA SIM!

alternância não!

Já que temos de ter um Governo, é altura de arrepiar caminho e escolher uma coisa diferente daquela que, nestes 37 anos, ora pela mão do PS ora do PSD ou então de mãos dadas, nos conduziram ao buraco onde estamos.

Desde o 25 de Abril de 1974, o resultado na maior parte das eleições apontou sempre para maiorias dos partidos formalmente de esquerda representados na Assembleia da República. No entanto, essas maiorias nunca tiveram correspondência ao nível dos governos e muito menos ao nível das políticas globais executadas por esses governos. O que cria sempre uma sensação de inutilidade do voto popular exercido, com consequente reflexo no engrossar dos abstencionistas nas eleições seguintes.

As esquerdas nunca tiveram o seu governo. As esquerdas só conseguiram governos PS com políticas conhecidas por serem aquelas que a direita executaria se fosse, ela mesma, Governo!


O encontro entre o Bloco e o PCP acontecerá na próxima sexta-feira, a partir das 11h00, na Assembleia da República. Apesar de sublinharem que existem “diferenças assinaláveis” entre o BE e o PCP exige-se uma “aproximação de esquerdas com ideias diferentes”. Nenhum partido minoritário será capaz por si só de aplicar uma política socialista.

Todos os contributos para a unidade são caminhos para se construir uma Esquerda Grande. A aliança PCP/BE arrastaria mais votos e pessoas do que aqueles somados por BE e PCP, atrairia também sectores do PS, votantes de Fernando Nobre, sindicalistas e as novas gerações abstencionistas. Sem ousar romper este tabu, con­tinuaremos condenados à falsa rotatividade do cen­trão.

Um novo Governo com as mesmas politicas só nos garante os mesmos e mais agravados problemas.

Por uma verdadeira alternativa, não a um novo equivoco duma simples alternância de pessoas.

terça-feira, março 29, 2011

Muitas vezes é só mania...


Uma palavrinha sobre o trabalho-doméstico e interminável.
Muitas vezes quando se pode ter uma "doméstica", temos que lhe pagar e também todos os direitos inerentes, que é a nossa obrigação, e, não raras vezes, ficamos mal-servidos, insatisfeitos e expostos, não é assim? E como ficamos sem "pegar no pesado" em casa, vamos pagar ao ginásio para queimar as gorduras que se vão acumulando, enquanto nos armamos em "Senhores". Não tem jeito nenhum, temos que "nos mexer". Movimentar o corpo é essencial para a nossa saúde, física, mental e até espiritual.
Bom, fiquei pensando, quantas pessoas sonham em ter a sua casa para terem o seu espaço, a sua liberdade, a sua privacidade, etc. Mas, todos gostam de ter uma "doméstica", dá status.
Cá em casa, não.
Não limpamos tudo num só dia. Um dia limpamos uma parte da casa, uma janela hoje, outra amanhã; um armário da cozinha num dia, no outro dia outro, chega uma hora em que tudo vai estar limpo. Só não podemos é deixar de limpar. Num dia por exemplo limpa-se uma casa de banho. Pronto, não se faz mais nenhum serviço "pesado" nesse dia. Assim, devagar, sem "matar", consegue-se manter a casa limpa e economizar uns trocos que permitem fazer outra coisa. E de sobra, também, se queima umas calorias, mexe-mo-nos, aumenta-se o nível de endorfina, que nos dá o prazer e a alegria de viver, de poder cuidar das nossas coisas, com calma e do jeito que gostamos.
Experimente.
Faça cada dia uma limpeza e vai ver que até a força física aumenta, porque tudo na vida é um treino. Treinar para a vida. Em geral pensamos que o trabalho doméstico nos diminui, pode "parecer" aos outros que somos tão pobres e miseráveis que nem podemos ter uma faxineira. Mas e daí? Quem resolve como administramos a nossa vida, a nossa casa, não somos nós mesmos? Alguém paga as suas contas? Vivemos melhor cuidando nós das nossas coisas e sem estranhos todo o dia em casa.

quarta-feira, março 23, 2011

Sócrates rasgou-nos, Passos vai despir-nos!

CUIDAAAAAAAAAAAAAAADO!!!!!!!!!!!!!!!!

Última hora: Sócrates e Passos Coelho são gémeos!!
"Tão iguais são que nem a mãe os distingue"!!
José Sócrates e Passos Coelhos são “gémeos” (tem exactamente as mesmas ideias), embora Passos Coelho possa ser menos aldrabão. Temos que admitir que é muito difícil ser mais mentiroso que o Sócrates,a única coisa que os separa é que não podem ser os dois primeiro-ministro !!!
São gémeos feitos de coisas diferentes, mas com o mesmo cheiro. Sócrates reúne com "os mais espertos" economistas, quase todos tendo pertencido a governos culpados de tudo o que de pior nos tem acontecido. A maior parte recebe reformas milionárias (duas e três) e não tem vergonha de dar nas televisões e nos jornais lições de resolução da crise. Um deles, trabalhou seis anos num banco do Estado e recebe uma reforma para toda a vida! De 18 mil euros! É o retrato típico de uma situação”nojenta”. Mas o que dizem os ex-ministros "espertos"para resolver a crise que ajudaram a criar? Cortes nas despesas de saúde, da educação, baixa dos salários da função pública, supressão do 13º mês, redução nas pensões, extinção de subsídio para os mais pobres, aumento nos medicamentos... (os pobres que paguem a crise!) tenham vergonha nesse focinho!
Passo Coelho junta-se com mesma tralha e dão-lhe a mesma receita. Os mesmos cortes, os mesmos sacrifícios, a mesma ou pior novela! Esta seita não está, nunca esteve, nem estará ao lado de quem sofre e trabalha. As suas palavras não escondem a classe a que pertencem. Todos os dias, jornais e revistas escrevem sobre, os rendimentos, as casas luxuosas, os iates, os aviões, os automóveis topo de gama destes gajos que nos obrigam a fazer sacrifícios. Obrigam mas não cumprem! Pedro Passos Coelho, caso for eleito primeiro-ministro, será uma fotocópia de Sócrates, mas para pior, porque este último ainda tem alguma oposição dentro do PS, coisa que Passos Coelho nunca terá dentro do PSD, porque este partido obedece a uma lógica de Poder. A ideologia do PSD é o Poder pessoal do líder e a sua afirmação.

terça-feira, março 22, 2011

Inseminação, não?! Sexo só para procriação?!


A Igreja não aceita a inseminação artificial, nem homóloga nem heteróloga. Eis as razões:
“As técnicas que provocam uma dissociação do parentesco, pela intervenção de uma pessoa estranha ao casal (doação de esperma ou de óvulo, empréstimo de útero), são gravemente desonestas. Estas técnicas (inseminação e fecundação artificiais heterólogas) lesam o direito da criança de nascer de um pai e uma mãe conhecidos dela e ligados entre si pelo casamento. Elas traem “o direito exclusivo de se tornar pai e mãe somente um por meio do outro” (CIC § 2376).
“Praticadas entre o casal, estas técnicas moralmente inaceitáveis dissociam o ato sexual do ato procriador. “A procriação é moralmente privada de sua perfeição própria quando não é querida como o fruto do ato conjugal, isto é, do gesto específico da união dos esposos… Somente o respeito ao vínculo que existe entre os significados do ato conjugal e o respeito pela unidade do ser humano permite uma procriação de acordo com a dignidade da pessoa” (CIC §2377).

Mesmo que não quisesse tinha de ser ateu!

quinta-feira, março 17, 2011

Confissão do saque aos portugueses


Como é noticiado, o Governo gaba-se de que Governo atinge superavit histórico de 836 milhões de euros até Fevereiro à custa de saque, por formas diversas, ao bolso dos contribuintes e aos beneficiários da segurança social e de outros serviços públicos como saúde, ensino, etc.

Se o Excelentíssimo Governo desejar, poderá elevar esse superavit a valores muito mais altos. Imaginemos que decide expropriar todas as contas bancárias dos portugueses e todos os seus haveres, a contabilidade mostrará de imediato que o superavit ultrapassa todas as expectativas orçamentais. E o PM poderá gabar-se junto da UE ou do tão citado «mercado» da sua alta competência de ter ultrapassado a crise.

No entanto, passados poucos dias, morrerão à fome todos os portugueses e se algum teimar em sobreviver com água e ervas, ser-lhe á aplicada a eutanásia referida por Almeida Santos no congresso partidário em Espinho. Ficará apenas o PM e o seu bando, o todo poderoso Rei do deserto. Senhor de tudo e de nada. Mas não se iludam com os vossos sonhos fantasiosos e irreais, porque deixarão de ter motoristas, secretárias, empregadas da limpeza e de quem lhes trate da roupa, da alimentação e da TV que lhes permita fazer discursos de auto-elogio e de culpabilização da oposição. Definharão durante poucos dias vítimas da vossa sede de grandeza e do desprezo com que trataram os portugueses.

Na medida em que continuam a existir os cancros referidos em dezenas de institutos públicos que podem ser extintos ou alvo de fusões, e tendo o superavit sido devido principalmente ao esforço compulsivo dos portugueses acima das suas possibilidades, o que está a entravar a evolução positiva da economia, não pode realmente esperar-se uma subida sustentada do superavit, sem que haja um colapso irremediável da vida em Portugal
....

BASTA! 35 anos de Governos PS e PSD já chega!


terça-feira, março 15, 2011

Japão - "os insondáveis caminhos de Deus"

Tradução “livre” de um artigo de A. C. Grayling, publicado no site da Richard Dawkins Foundation.

É com tristeza que todos pensamos nas centenas de milhares de pessoas cujas vidas foram horrivelmente perdidas ou afectadas pelo terramoto e pelo tsunami do Japão, e que marcaram a negro os anais deste ano de 2011, e que vieram logo a seguir ao terramoto que atingiu Christchurch na Nova Zelândia.

Estes acontecimentos, que estão certamente ligados do ponto de vista tectónico, lembram-nos das vastas forças da natureza que, se são normais para o próprio planeta, são já prejudiciais para a vida humana, especialmente para aqueles que vivem perigosamente perto do quebra-cabeças que são as falhas da superfície terrestre.

Alguém me disse que na igreja da sua terra iria haver orações especiais pelas pessoas no Japão. Este comportamento bem-intencionado e fundamentalmente simpático mostra, no entanto, quão absurdas, no sentido literal do termo, são as práticas e as crenças religiosas.
Quando vi na televisão uma reportagem de pessoas a dirigirem-se para a igreja em Christchurch após o trágico terramoto, foram estes pensamentos que me assaltaram.

Não seria simpático da minha parte pensar que aqueles que foram à igreja o foram para dar graças por eles próprios terem escapado pessoalmente; não lhes quero imputar egoísmo e alívio pessoal no meio de um desastre no qual tantas pessoas arbitrária e subitamente perderam as suas vidas por causa de um “acto de Deus”.
Mas se essas pessoas foram rezar para que o seu deus olhe pelas almas daqueles que morreram, por que pensariam elas que esse deus o faria, uma vez que foi ele próprio quem causou, ou permitiu, que os seus corpos fossem súbita e violentamente esmagados ou afogados?

De facto, estariam elas a suplicar e a louvar uma divindade que idealizou um mundo onde existem tantas arbitrárias e súbitas mortes?
Um ser omnisciente conheceria bem todas as implicações daquilo que faz, e por isso saberia também que iria proporcionar estes acontecimentos e todas estas suas horríveis consequências.
Estariam elas a louvar o causador do seu sofrimento, pelo seu sofrimento, e também a suplicar a sua ajuda para escapar àquilo que ele próprio tinha planeado?

Talvez elas pensem que o seu deus não é o responsável pelo terramoto. Mas se elas acreditam que o seu deus idealizou um mundo no qual estas coisas acontecem, mas depois deixou esse mundo sozinho e não intervém mesmo quando ele se torna letal para as suas criaturas, então essas pessoas estão implicitamente a questionar a moralidade do seu carácter.

E se ele não é suficientemente poderoso para fazer alguma coisa sobre a criminosa indiferença do mundo para com os seres humanos, então em que sentido é ele deus?

Pelo contrário, ele parece ser um espírito impotente, para quem é inútil rezar e que é indigno de ser louvado.

Porque se ele não é capaz de impedir um terramoto ou salvar as suas vítimas, então não está qualificado para criar um mundo.
Mas se ele é poderoso o suficiente para ambas as coisas, mas ainda assim cria um mundo perigoso que inflige arbitrariamente sofrimentos violentos e agonizantes a criaturas racionais, então ele é perverso.

De qualquer modo, o que pensam as pessoas que acreditam em tal ser, e vão à igreja para o louvar e adorar?
Como, perante acontecimentos que a bondade e a preocupação humana consideram trágicos e que exigem ajuda – ajuda que são os próprios seres humanas que proporcionam aos seus semelhantes: nunca aparecem anjos vindos do céu para ajudar – podem as pessoas acreditar em tal incoerente ficção, como é a ideia desta divindade?

É este um enigma sem fim.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Ir para o desemprego ou abolir o trabalho?

O trabalho ridiculariza a liberdade. A versão oficial é que todos temos direitos e vivemos numa democracia. Outros desafortunados que "não são livres como nós" têm que viver em Estados policiais. Tais vítimas obedecem a ordens, por mais arbitrárias que sejam, ou sofrem as consequências. As autoridades mantêm-nas sob vigilância regular. Burocratas do Estado controlam até os menores detalhes do dia-a-dia. Os funcionários que as oprimem respondem apenas aos seus superiores públicos ou particulares. De qualquer forma, a discordância e a desobediência são punidas. Informadores relatam tudo regularmente às autoridades. Tudo isso deve ser muito mau.E é mesmo, embora não seja nada mais do que uma descrição do local de trabalho contemporâneo.


Os liberais, conservadores e "libertários" que se lamentam pelo totalitarismo são fingidos e hipócritas. Há mais liberdade em qualquer ditadura moderadamente "desestalinizada" do que num local de trabalho americano normal. Um trabalhador é um escravo moderno. O chefe diz quando deve chegar, quando deve ir embora e o que deve fazer durante a jornada. Ele diz quanto trabalho alguém deve fazer, e com que rapidez. Tem liberdade para levar o seu controle a extremos humilhantes, regulamentando, se assim desejar, o que alguém deve vestir ou com que frequência deve ir ao WC. Com poucas excepções, pode demitir alguém por qualquer motivo, ou sem motivo. Põe dedos-duros para espionar as pessoas e acumula um dossier para cada empregado. Retrucar é chamado de "insubordinação", como se o trabalhador fosse uma criança malcriada, e não só leva à demissão da pessoa, como também impede que ela obtenha um subsídio de desemprego.


Pode dizer-se: és o que fazes. Se fazes um trabalho bruto, chato, idiota ou monótono..., desperta. O trabalho é uma explicação muito melhor para a crescente cretinização que nos cerca do que até mesmo mecanismos claramente imbecilizadores como a televisão e a educação. Pessoas que são arregimentadas por toda a vida, entregues ao trabalho pela escola e delimitadas pela família no início e pelo asilo no fim, estão acostumadas à hierarquia e escravizadas psicologicamente. A preparação para a obediência no trabalho contamina as famílias que elas criam, gerando assim outras formas de reprodução do sistema, e contamina igualmente a política, a cultura e tudo o mais, quando se drena a vitalidade das pessoas no trabalho, elas ficam predispostas a se submeter à hierarquia e à especialização em tudo. Estão educadas para isso.


Vamos fingir por um momento que o trabalho não transforma as pessoas em submissos estupidificados. Vamos fingir, desafiando qualquer psicologia plausível e a ideologia de seus propagadores, que ele não tem efeito algum na formação do carácter. E vamos fingir que o trabalho não é chato, cansativo e humilhante como todos de fato sabemos que é. Mesmo assim, o trabalho ainda seria um insulto a todas as aspirações humanistas e democráticas, apenas porque usurpa tanto de nosso tempo.


Sócrates (o outro) dizia que trabalhadores braçais são maus amigos e maus cidadãos porque não tem tempo de cumprir as responsabilidades da amizade e da cidadania. Ele tinha razão. Por causa do trabalho, não importa o que estejamos fazendo, estamos sempre olhando para o relógio. O tempo livre é dedicado principalmente a se preparar para o trabalho. Cícero disse que "quem troca a sua força de trabalho por dinheiro vende-se e coloca-se na classe dos escravos".


De fato, trabalho é extermínio em massa ou genocídio. Directa ou indirectamente, o trabalho vai matar a maioria das pessoas que lêem estas palavras. No trabalho, milhões ficam inválidos ou feridos por ano. Mesmo que não morra ou fique aleijado enquanto trabalha, isso pode muito bem acontecer enquanto vai para o trabalho, volta do trabalho, procura trabalho ou tenta esquecer o trabalho. A grande maioria das vítimas dos desastres de automóvel tem um acidente enquanto cumpre uma das actividades impostas pelo trabalho, ou então é morta por alguém que desempenha uma delas. A essa contagem adicional de mortos devem ser somados as vítimas de doenças profissionais, da poluição da industria, do alcoolismo e da dependência de drogas induzidos pelo trabalho. O trabalho, portanto, institucionaliza o homicídio como um meio de vida.


O que se disse até agora não deveria causar controvérsias. Muitos trabalhadores estão fartos do trabalho. Há índices altos e crescentes de faltas, rotatividade, baixas fraudulentas, greves e absentismo no trabalho. E, no entanto, a sensação que prevalece, universal entre chefes e seus agentes e também difundida entre os próprios trabalhadores, é que o trabalho é inevitável e necessário.


Podemos discordar. É possível abolir o trabalho e substituí-lo, nos casos em que ele tem finalidades úteis, por uma variedade de novos tipos de actividades livres. Abolir o trabalho requer atacá-lo em duas frentes, a quantitativa e a qualitativa. Por um lado, o lado quantitativo, precisamos cortar de forma maciça a quantidade de trabalho que está sendo feito. Actualmente, a maior parte do trabalho é inútil ou coisa pior, e deveríamos simplesmente acabar com ela. Por outro lado - e acho que essa é a parte crucial e a novidade revolucionária -, precisamos pegar no trabalho que permanece útil e transformá-lo numa variedade de passatempos lúdicos e artesanais, indistinguíveis de outros passatempos prazeirosos excepto pelo facto de que resultam em produtos finais úteis. Certamente isso não os deveria tornar menos atraentes. Aí, todas as barreiras artificiais do poder e da propriedade poderiam cair. A criação poderia tornar-se recreação. E todos poderíamos parar de sentir medo uns dos outros.