sábado, junho 06, 2009
domingo, maio 31, 2009
segunda-feira, maio 25, 2009
sábado, maio 16, 2009
quinta-feira, maio 14, 2009
O Negócio da Doença...
Uma política do medicamento acertada deve ter 3 objectivos: assegurar a qualidade dos medicamentos e diminuir a despesa para o estado e para os cidadãos. Os genéricos permitem isso. Mas para fazer crescer os genéricos é preciso que as receitas sejam por DCI, permitindo que seja o doente a optar em função do conselho do médico, do farmacêutico e do técnico superior de farmácia. O combate à posição dominante da ANF faz-se impedindo a verticalização e tomando medidas anti-monopolistas.
Nos hospitais, para os doentes internados, os médicos não prescrevem por marcas. Prescrevem pela composição do medicamento, aquilo a que tecnicamente se chama DCI ou substância activa. E que está no programa do governo. Mas que, como tantas outras propostas e promessas, não saiu do papel apesar do PS governar há mais de quatro anos. Não tem qualquer lógica nem há qualquer razão técnica ou científica para que os médicos receitem de forma diferente quando estão na consulta ou na urgência do hospital, no centro de saúde ou mesmo no seu consultório ou clínica particular. Receitar por marca e não por DCI só serve para aumentar o preço dos medicamentos e fazer crescer o lucro da indústria farmacêutica.
O governo não mostra nem interesse nem capacidade para mudar a política do medicamento, no sentido de a libertar dos complexos e influentes interesses particulares que hoje a determinam. Esses interesses estão bem identificados: as grandes multinacionais da indústria farmacêutica, o lobby das farmácias e, também, alguns círculos da classe médica que permanecem presos a benefícios e práticas profissionais mais que ultrapassadas.
A receita médica deve indicar apenas a composição do medicamento e não a marca do laboratório que o produz. A escolha deve caber ao doente, deve caber a quem compra e paga os remédios, ouvindo o conselho tanto do seu médico como do farmacêutico, pois ambos têm conhecimentos e formação para o fazer. Se o doente escolhe o genérico, deve ser-lhe dispensado um genérico. Se prefere o medicamento de marca, deve ser-lhe entregue o medicamento da marca escolhida. Salvo situações especiais, a última palavra deve ser do doente.
Os genéricos são mais baratos e apresentam a mesma qualidade terapêutica que os medicamentos de marca. Uma política justa para o medicamento devia apostar nos genéricos. Tanto o estado como os cidadãos poupariam, poupança que podia ser investida na modernização do SNS.
É preciso recentrar a política do medicamento no interesse dos cidadãos, no interesse de todos, no interesse público.
segunda-feira, maio 04, 2009
sexta-feira, maio 01, 2009
sábado, abril 25, 2009
quinta-feira, abril 02, 2009
domingo, março 01, 2009
Apagão PS para os próximos 4 anos
Depois de Sócrates ter acendido as luzes da ribalta para Vital Moreira, eis que se apaga o Congresso, à albanesa, do PS.
Será que este acontecimento é mais uma trama ou será a tal dita e maldita “campanha negra” que está a obscurecer a imagem do PM?
Parece que há já testemunhas que asseguram ter visto Louçã,Jerónimo e Manuel Alegre de fato-macaco e alicate na mão, a esgueirarem-se, sorrateiramente, das traseiras da nave de Espinho.
No entanto, também há quem diga que é um apagão de idéias dos delegados ao Congresso ou então falta de "energia" política pra governar à esquerda? Poderia ser também a enorme sombra de Francisco Louçã?
Para um partido que pretende conquistar maioria absoluta, só o blablablá eleitoreiro e o ataque histérico ao BE não bastam.
Será que este acontecimento é mais uma trama ou será a tal dita e maldita “campanha negra” que está a obscurecer a imagem do PM?
Parece que há já testemunhas que asseguram ter visto Louçã,Jerónimo e Manuel Alegre de fato-macaco e alicate na mão, a esgueirarem-se, sorrateiramente, das traseiras da nave de Espinho.
No entanto, também há quem diga que é um apagão de idéias dos delegados ao Congresso ou então falta de "energia" política pra governar à esquerda? Poderia ser também a enorme sombra de Francisco Louçã?
Para um partido que pretende conquistar maioria absoluta, só o blablablá eleitoreiro e o ataque histérico ao BE não bastam.
terça-feira, fevereiro 24, 2009
O risco da censura
A Origem do Mundo, o quadro de Gustave Courbet impresso na capa do livro de Catherine Breillat - Pornocracia, tal como o Magalhães de Torres Vedras foram alvo da Censura das "autoridades".Pela primeira vez , em 1866, na história da pintura séria, a sagrada pintelheira da mulher era retratada com o destaque e o realismo que merece. Numa nudez artística não há nada para tapar porque é uma nudez que não se esgota no nosso olhar nem depende de um corpo nu.
No que respeita à exploração mercantilista do corpo da mulher e do homem, é exactamente igual. Só é pena que a ordem pública se altere devido à ignorância e ao preconceito e as leis estejam tantas vezes ao serviço da mesquinhez e da hipocrisia.
sábado, fevereiro 14, 2009
sábado, janeiro 31, 2009
quinta-feira, janeiro 22, 2009
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Grito e choro por Gaza e por Israel

Há momentos em que a nossa consciência nos impede, perante acontecimentos trágicos, de ficarmos silenciosos porque ao não reagirmos estamos a ser cúmplices dos mesmos por concordância, omissão ou cobardia.
O que está a acontecer entre Gaza e Israel é um desses momentos. É intolerável, é inaceitável e é execrável a chacina que o governo de Israel e as suas poderosíssimas forças armadas estão a executar em Gaza a pretexto do lançamento de roquetes por parte dos resistentes (“terroristas”) do movimento Hamas.
Importa neste preciso momento refrescar algumas mentes ignorantes ou, muito pior, cínicas e destorcidas:
- Os jovens palestinianos, que são semitas ao mesmo título que os judeus esfaraditas (e não os askenazes que descendem dos kazares, povo do Cáucaso), que desesperados e humilhados actuam e reagem hoje em Gaza são os netos daqueles que fugiram espavoridos, do que é hoje Israel, quando o então movimento “terrorista” Irgoun, liderado pelo seu chefe Menahem Beguin, futuro primeiro ministro e prémio Nobel da Paz, chacinou à arma branca durante uma noite inteira todos os habitantes da aldeia palestiniana de Deir Hiassin: cerca de trezentas pessoas. Esse acto de verdadeiro terror, praticado fria e conscientemente, não pode ser apagado dos Arquivos Históricos da Humanidade (da mesma maneira que não podem ser apagados dos mesmos Arquivos os actos genocidários perpetrados pelos nazis no Gueto de Varsóvia e nos campos de extermínio), horrorizou o próprio Ben Gourion mas foi o acto hediondo que provocou a fuga em massa de dezenas e dezenas de milhares de palestinianos para Gaza e a Cisjordânia possibilitando, entre outros factores, a constituição do Estado de Israel..
- Alguns, ou muitos, desses massacrados de hoje descendem de judeus e cristãos que se islamisaram há séculos durante a ocupação milenar islâmica da Palestina. Não foram eles os responsáveis pelos massacres históricos e repetitivos dos judeus na Europa, que conheceram o seu apogeu com os nazis: fomos nós os europeus que o fizemos ou permitimos, por concordância, omissão ou cobardia! Mas são eles que há 60 anos pagam os nossos erros e nós, a concordante, omissa e cobarde Europa e os seus fracos dirigentes assobiam para o ar e fingem que não têm nada a ver com essa tragédia, desenvolvendo até à náusea os mesmos discursos de sempre, de culpabilização exclusiva dos palestinianos e do Hamas “terrorista” que foi eleito democraticamente mas de imediato ostracizado por essa Europa sem princípios e anacéfala, porque sem memória, que tinha exigido as eleições democrática para depois as rejeitar por os resultados não lhe convirem. Mas que democracia é essa, defendida e apregoada por nós europeus?
- Foi o governo de Israel que, ao mergulhar no desespero e no ódio milhões de palestinianos (privados de água, luz, alimentos, trabalho, segurança, dignidade e esperança ), os pôs do lado do Hamas, movimento que ele incentivou, para não dizer criou, com o intuito de enfraquecer na altura o movimento FATAH de Yasser Arafat. Como inúmeras vezes na História, o feitiço virou-se contra o feiticeiro, como também aconteceu recentemente no Afeganistão.
- Estamos a assistir a um combate de David (os palestinianos com os seus roquetes, armas ligeiras e fundas com pedras...) contra Golias (os israelitas com os seus mísseis teleguiados, aviões, tanques e se necessário...a arma atómica!).
- Estranha guerra esta em que o “agressor”, os palestinianos, têm 100 vezes mais baixas em mortos e feridos do que os “agredidos”. Nunca antes visto nos anais militares!
- Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos “heróis” que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!
- Como pode um povo que tanto sofreu, o judeu do qual temos todos pelo menos uma gota de sangue (eu tenho um antepassado Jeremias!), estar a fazer o mesmo a um outro povo semita seu irmão? O governo israelita, por conveniências políticas diversas (eleições em breve...), é hoje de facto o governo mais anti-semita à superfície da terra!
- Onde andam o Sr. Blair, o fantasma do Quarteto Mudo, o Comissário das Nações Unidas para o Diálogo Inter-religioso e os Prémios Nobel da Paz, nomeadamente Elie Wiesel e Shimon Perez? Gostaria de os ouvir! Ergam as vozes por favor! Porque ou é agora ou nunca!
- Honra aos milhares de israelitas que se manifestam na rua em Israel para que se ponha um fim ao massacre. Não estão só a dignificar o seu povo, mas estão a permitir que se mantenha uma janela aberta para o diálogo, imprescindível de retomar como único caminho capaz de construir o entendimento e levar à Paz!
- Honra aos milhares de jovens israelitas que preferem ir para as prisões do que servir num exército de ocupação e opressão. São eles, como os referidos no ponto anterior, que notabilizam a sabedoria e o humanismo do povo judeu e demonstram mais uma vez a coragem dos judeus zelotas de Massada e os resistentes judeus do Gueto de Varsóvia!
Vergonha para todos aqueles que, entre nós, se calam por cobardia ou por omissão. Acuso-os de não assistência a um povo em perigo! Não tenham medo: os espíritos livres são eternos!
É chegado o tempo dos Seres Humanos de Boa Vontade de Israel e da Palestina fazerem calar os seus falcões, se sentarem à mesa e, com equidade, encontrarem uma solução. Ela existe! Mais tarde ou mais cedo terá que ser implementada ou vamos todos direito ao Caos: já estivemos bem mais longe do período das Trevas e do Apocalipse.
É chegado o tempo de dizer BASTA! Este é o meu grito por Gaza e por Israel (conheço ambos): quero, exijo vê-los viver como irmãos que são.
O que está a acontecer entre Gaza e Israel é um desses momentos. É intolerável, é inaceitável e é execrável a chacina que o governo de Israel e as suas poderosíssimas forças armadas estão a executar em Gaza a pretexto do lançamento de roquetes por parte dos resistentes (“terroristas”) do movimento Hamas.
Importa neste preciso momento refrescar algumas mentes ignorantes ou, muito pior, cínicas e destorcidas:
- Os jovens palestinianos, que são semitas ao mesmo título que os judeus esfaraditas (e não os askenazes que descendem dos kazares, povo do Cáucaso), que desesperados e humilhados actuam e reagem hoje em Gaza são os netos daqueles que fugiram espavoridos, do que é hoje Israel, quando o então movimento “terrorista” Irgoun, liderado pelo seu chefe Menahem Beguin, futuro primeiro ministro e prémio Nobel da Paz, chacinou à arma branca durante uma noite inteira todos os habitantes da aldeia palestiniana de Deir Hiassin: cerca de trezentas pessoas. Esse acto de verdadeiro terror, praticado fria e conscientemente, não pode ser apagado dos Arquivos Históricos da Humanidade (da mesma maneira que não podem ser apagados dos mesmos Arquivos os actos genocidários perpetrados pelos nazis no Gueto de Varsóvia e nos campos de extermínio), horrorizou o próprio Ben Gourion mas foi o acto hediondo que provocou a fuga em massa de dezenas e dezenas de milhares de palestinianos para Gaza e a Cisjordânia possibilitando, entre outros factores, a constituição do Estado de Israel..
- Alguns, ou muitos, desses massacrados de hoje descendem de judeus e cristãos que se islamisaram há séculos durante a ocupação milenar islâmica da Palestina. Não foram eles os responsáveis pelos massacres históricos e repetitivos dos judeus na Europa, que conheceram o seu apogeu com os nazis: fomos nós os europeus que o fizemos ou permitimos, por concordância, omissão ou cobardia! Mas são eles que há 60 anos pagam os nossos erros e nós, a concordante, omissa e cobarde Europa e os seus fracos dirigentes assobiam para o ar e fingem que não têm nada a ver com essa tragédia, desenvolvendo até à náusea os mesmos discursos de sempre, de culpabilização exclusiva dos palestinianos e do Hamas “terrorista” que foi eleito democraticamente mas de imediato ostracizado por essa Europa sem princípios e anacéfala, porque sem memória, que tinha exigido as eleições democrática para depois as rejeitar por os resultados não lhe convirem. Mas que democracia é essa, defendida e apregoada por nós europeus?
- Foi o governo de Israel que, ao mergulhar no desespero e no ódio milhões de palestinianos (privados de água, luz, alimentos, trabalho, segurança, dignidade e esperança ), os pôs do lado do Hamas, movimento que ele incentivou, para não dizer criou, com o intuito de enfraquecer na altura o movimento FATAH de Yasser Arafat. Como inúmeras vezes na História, o feitiço virou-se contra o feiticeiro, como também aconteceu recentemente no Afeganistão.
- Estamos a assistir a um combate de David (os palestinianos com os seus roquetes, armas ligeiras e fundas com pedras...) contra Golias (os israelitas com os seus mísseis teleguiados, aviões, tanques e se necessário...a arma atómica!).
- Estranha guerra esta em que o “agressor”, os palestinianos, têm 100 vezes mais baixas em mortos e feridos do que os “agredidos”. Nunca antes visto nos anais militares!
- Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos “heróis” que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!
- Como pode um povo que tanto sofreu, o judeu do qual temos todos pelo menos uma gota de sangue (eu tenho um antepassado Jeremias!), estar a fazer o mesmo a um outro povo semita seu irmão? O governo israelita, por conveniências políticas diversas (eleições em breve...), é hoje de facto o governo mais anti-semita à superfície da terra!
- Onde andam o Sr. Blair, o fantasma do Quarteto Mudo, o Comissário das Nações Unidas para o Diálogo Inter-religioso e os Prémios Nobel da Paz, nomeadamente Elie Wiesel e Shimon Perez? Gostaria de os ouvir! Ergam as vozes por favor! Porque ou é agora ou nunca!
- Honra aos milhares de israelitas que se manifestam na rua em Israel para que se ponha um fim ao massacre. Não estão só a dignificar o seu povo, mas estão a permitir que se mantenha uma janela aberta para o diálogo, imprescindível de retomar como único caminho capaz de construir o entendimento e levar à Paz!
- Honra aos milhares de jovens israelitas que preferem ir para as prisões do que servir num exército de ocupação e opressão. São eles, como os referidos no ponto anterior, que notabilizam a sabedoria e o humanismo do povo judeu e demonstram mais uma vez a coragem dos judeus zelotas de Massada e os resistentes judeus do Gueto de Varsóvia!
Vergonha para todos aqueles que, entre nós, se calam por cobardia ou por omissão. Acuso-os de não assistência a um povo em perigo! Não tenham medo: os espíritos livres são eternos!
É chegado o tempo dos Seres Humanos de Boa Vontade de Israel e da Palestina fazerem calar os seus falcões, se sentarem à mesa e, com equidade, encontrarem uma solução. Ela existe! Mais tarde ou mais cedo terá que ser implementada ou vamos todos direito ao Caos: já estivemos bem mais longe do período das Trevas e do Apocalipse.
É chegado o tempo de dizer BASTA! Este é o meu grito por Gaza e por Israel (conheço ambos): quero, exijo vê-los viver como irmãos que são.
Fernando Nobre
sábado, novembro 29, 2008
sábado, novembro 08, 2008
Xadrez político: Rei Preto em Casa Branca

Barack Obama venceu. Ainda bem. Não somos indiferentes ao resultado destas eleições americanas. Nem entendemos que não existe diferença entre uma administração democrata ou republicana. Ainda claramente influenciada pelo credo dos neocons, a linha política dos últimos apresenta-se mais ofensiva que a dos primeiros. Obama fica assim mais leftish, mas não necessariamente de esquerda.
Quer isto dizer que o próximo Presidente se prepara para continuar a fazer aquilo que os seus antecessores têm feito: cumprir o trilho de um projecto neoliberal global. Mais: num momento em que os EUA vêem a sua hegemonia declinante, Obama representa um novo fôlego nesse ímpeto de não abandonar ainda a liderança do Império. Na verdade, é também por isso que ao neoliberalismo interessa a Presidência de Obama: o seu discurso proactivo, rejuvenescido e galvanizador vende os grandes interesses da burguesia americana com bastante mais eficácia do que a prédica demodé e amorfa dos republicanos.
Entendemos que, no que concerne a questões estratégias como a política externa e a economia, nem uns nem outros propuseram qualquer verdadeira inovação. Obama procurará sair o menos indignamente possível do Iraque, recentrará esforços no Afeganistão e assegura que será mais diplomata do que os seus opositores. Talvez recue um pouco na estratégia da guerra infinita, porém, não tem nenhuma solução concreta, nenhuma estratégia efectiva para as encruzilhadas em que o Médio Oriente, e a geopolítica mundial, estão mergulhados. Afirma que, no plano interno, reabilitará a classe média e fará por universalizar o sistema nacional de saúde, dará prioridade à criação de emprego e à sustentabilidade energética. Mas, quando nos EUA o índice de Gini se posiciona acima dos 0,4, que solução tem Obama para a questão da redução das desigualdades sociais? Que propostas em torno de uma estruturante redistribuição da riqueza? Que ideias para uma sociedade em que o conceito de justiça social seja uma realidade palpável e não um vislumbre?
Boaventura de Sousa Santos defende a tese de que uma sociedade contemporânea que incumpre os preceitos da liberdade e da solidariedade, até pode ser politicamente democrática, mas não deixa de ser socialmente fascista. Sabemos que, enquanto existem flagelos, como o da crise social que assola nestes tempos tantos americanos, não advém a liberdade. E que, sem medidas assertivas no âmbito do combate à exploração dos mais ricos sobre os mais pobres, um tempo solidário também não advirá.
O desafio de Obama não será tanto aquele de protagonizar uma ordem revolucionária. Na verdade, as primárias dos democratas, disputadas entre uma mulher e um negro, explicitam elas mesmas uma notável revolução simbólica e um passo importante na democratização da esfera pública dos EUA, e de todo o do mundo. A pergunta é: até que ponto é que Obama prosseguirá um programa de democratização económica e social? Seria profícuo se fosse disso que ele estivesse a falar quando fala de mudança.
Quer isto dizer que o próximo Presidente se prepara para continuar a fazer aquilo que os seus antecessores têm feito: cumprir o trilho de um projecto neoliberal global. Mais: num momento em que os EUA vêem a sua hegemonia declinante, Obama representa um novo fôlego nesse ímpeto de não abandonar ainda a liderança do Império. Na verdade, é também por isso que ao neoliberalismo interessa a Presidência de Obama: o seu discurso proactivo, rejuvenescido e galvanizador vende os grandes interesses da burguesia americana com bastante mais eficácia do que a prédica demodé e amorfa dos republicanos.
Entendemos que, no que concerne a questões estratégias como a política externa e a economia, nem uns nem outros propuseram qualquer verdadeira inovação. Obama procurará sair o menos indignamente possível do Iraque, recentrará esforços no Afeganistão e assegura que será mais diplomata do que os seus opositores. Talvez recue um pouco na estratégia da guerra infinita, porém, não tem nenhuma solução concreta, nenhuma estratégia efectiva para as encruzilhadas em que o Médio Oriente, e a geopolítica mundial, estão mergulhados. Afirma que, no plano interno, reabilitará a classe média e fará por universalizar o sistema nacional de saúde, dará prioridade à criação de emprego e à sustentabilidade energética. Mas, quando nos EUA o índice de Gini se posiciona acima dos 0,4, que solução tem Obama para a questão da redução das desigualdades sociais? Que propostas em torno de uma estruturante redistribuição da riqueza? Que ideias para uma sociedade em que o conceito de justiça social seja uma realidade palpável e não um vislumbre?
Boaventura de Sousa Santos defende a tese de que uma sociedade contemporânea que incumpre os preceitos da liberdade e da solidariedade, até pode ser politicamente democrática, mas não deixa de ser socialmente fascista. Sabemos que, enquanto existem flagelos, como o da crise social que assola nestes tempos tantos americanos, não advém a liberdade. E que, sem medidas assertivas no âmbito do combate à exploração dos mais ricos sobre os mais pobres, um tempo solidário também não advirá.
O desafio de Obama não será tanto aquele de protagonizar uma ordem revolucionária. Na verdade, as primárias dos democratas, disputadas entre uma mulher e um negro, explicitam elas mesmas uma notável revolução simbólica e um passo importante na democratização da esfera pública dos EUA, e de todo o do mundo. A pergunta é: até que ponto é que Obama prosseguirá um programa de democratização económica e social? Seria profícuo se fosse disso que ele estivesse a falar quando fala de mudança.
Por Natasha Nunes.
E eu assino por baixo
E eu assino por baixo
domingo, junho 08, 2008
quinta-feira, maio 01, 2008
sexta-feira, abril 25, 2008
Um Ideal por cumprir!
O vídeo que aqui está, passou no Canal História. Em português? Não?! Em espanhol. Vê-se bem por aqui o quanto esquecida está, a Revolução que deu "poleiro" a muita "boa" gente.
Para aquela geração que lutou contra a ditadura o meu Bem-Haja!
quinta-feira, abril 24, 2008
25 de Abril Sempre
Apesar do percurso político, polémico, do Comandante Operacional do "25 de Abril", é impossível falar do sucesso da Revolução dos Cravos, sem reconhecer a generosidade e a bravura dos Capitães de Abril, nomeadamente de "Oscar", nome de código de Otelo Saraiva de Carvalho.
Impõe-se, nesta data, relembrar os genuinos obreiros de Abril, aqueles que, dispostos a morrer, enfrentaram as forças fieis ao regime, derrotando-as sem derramamento de sangue e ganhando o imediato apoio do Povo.
sábado, dezembro 15, 2007
quarta-feira, setembro 12, 2007
Flagrante delito

A figura destes personagens é pouco consentânea com a Lei da Liberdade Religiosa proposta e aprovada pelo PS em 2001 (artigo 4º: «Nos actos oficiais e no protocolo de Estado será respeitado o princípio da não confessionalidade»), e com a própria Constituição da República.
Se considerarmos o enquadramento histórico, estas figuras não diferem muito do trio "Tomás/JC/Salazar" que pairava sobre o quadro negro das nossas escolas "Centenárias"
Se considerarmos o enquadramento histórico, estas figuras não diferem muito do trio "Tomás/JC/Salazar" que pairava sobre o quadro negro das nossas escolas "Centenárias"
domingo, setembro 02, 2007
Lá vamos cantando e rindo...

Dez milhões de manuais escolares são vendidos no arranque do ano escolar.
O preço dos livros escolares subiu 3,1 por cento este ano. A garantia é dada por Paulo Gonçalves, da “Porto Editora”
O secretário de Estado Adjunto da Educação, Jorge Pedreira, diz que durante este ano o «aumento será de acordo com a taxa de inflação e, nos próximos dois anos, haverá um aumento ligeiramente superior à taxa de inflação».
in Google Notícias
Grande negócio este o dos manuais escolares.
Os editores dizem que, este ano, os manuais subiram 3,1%, contrariando o Secretário de estado que disse que só aumentaram de acordo com a inflação. Como não acredito que os editores tenham vantagem em dizer que aumentaram mais do que aquilo que fizeram, o Secretário de Estado, ou não sabe o que diz ou está a mentir. Já o dizer que nos próximos dois anos o aumento será “ligeiramente superior à taxa de inflação” não deixa qualquer dúvida, vão ser mais 3% ao ano a somar à dita taxa. Isto é, o aumento deve andar pelos 5 ou 5,5% ao ano o que dá um aumento de 13 ou 14% em 3 anos. Claro que depois vêm dizer que as famílias mais carenciadas vão ser apoiadas, ou seja a treta a que já nos habituaram.
A desculpa para estes aumentos, passam por dizerem que, os manuais não têm subido nos últimos anos, que o papel está mais caro, blá, blá blá. Até pode ser verdade, mas quando encontramos manuais de Biologia a 35,70 euros (7 contos em dinheiro antigo) e de matemática a 34 euros, só podemos mesmo dizer que andam a brincar connosco. Feitas as contas, quem tenha dois filhos a estudar com 7 ou 8 disciplinas e dois livros para cada uma delas (sim, que agora, para alem do livro há sempre mais um de apoio) bem pode começar a fazer contas à vida. Tanto falam de educação, na necessidade de aumentar as qualificações dos portugueses, em politicas de natalidade para depois fazerem exactamente o contrário. Fecham escolas, tornam mais difícil o acesso à educação e fazem com que a maioria dos casais pense bem se tem condições para poder ter filhos. Parece que desejam voltar ao tempo em que a grande maioria dos portugueses era analfabeta e acabar-nos com a raça, desertificando o país.
Mas, nada disto nos deve surpreender, basta ler os textos com a estratégia do grupo Bilderberg para ver que o plano está a ser cumprido à letra, a caminho da nova ordem mundial. Nós, é que se não tivermos dinheiro para comprar uma licenciatura numa qualquer escola, como alguns que conhecemos, estamos bem tramados.
O preço dos livros escolares subiu 3,1 por cento este ano. A garantia é dada por Paulo Gonçalves, da “Porto Editora”
O secretário de Estado Adjunto da Educação, Jorge Pedreira, diz que durante este ano o «aumento será de acordo com a taxa de inflação e, nos próximos dois anos, haverá um aumento ligeiramente superior à taxa de inflação».
in Google Notícias
Grande negócio este o dos manuais escolares.
Os editores dizem que, este ano, os manuais subiram 3,1%, contrariando o Secretário de estado que disse que só aumentaram de acordo com a inflação. Como não acredito que os editores tenham vantagem em dizer que aumentaram mais do que aquilo que fizeram, o Secretário de Estado, ou não sabe o que diz ou está a mentir. Já o dizer que nos próximos dois anos o aumento será “ligeiramente superior à taxa de inflação” não deixa qualquer dúvida, vão ser mais 3% ao ano a somar à dita taxa. Isto é, o aumento deve andar pelos 5 ou 5,5% ao ano o que dá um aumento de 13 ou 14% em 3 anos. Claro que depois vêm dizer que as famílias mais carenciadas vão ser apoiadas, ou seja a treta a que já nos habituaram.
A desculpa para estes aumentos, passam por dizerem que, os manuais não têm subido nos últimos anos, que o papel está mais caro, blá, blá blá. Até pode ser verdade, mas quando encontramos manuais de Biologia a 35,70 euros (7 contos em dinheiro antigo) e de matemática a 34 euros, só podemos mesmo dizer que andam a brincar connosco. Feitas as contas, quem tenha dois filhos a estudar com 7 ou 8 disciplinas e dois livros para cada uma delas (sim, que agora, para alem do livro há sempre mais um de apoio) bem pode começar a fazer contas à vida. Tanto falam de educação, na necessidade de aumentar as qualificações dos portugueses, em politicas de natalidade para depois fazerem exactamente o contrário. Fecham escolas, tornam mais difícil o acesso à educação e fazem com que a maioria dos casais pense bem se tem condições para poder ter filhos. Parece que desejam voltar ao tempo em que a grande maioria dos portugueses era analfabeta e acabar-nos com a raça, desertificando o país.
Mas, nada disto nos deve surpreender, basta ler os textos com a estratégia do grupo Bilderberg para ver que o plano está a ser cumprido à letra, a caminho da nova ordem mundial. Nós, é que se não tivermos dinheiro para comprar uma licenciatura numa qualquer escola, como alguns que conhecemos, estamos bem tramados.
quarta-feira, agosto 15, 2007
domingo, julho 29, 2007
quarta-feira, julho 25, 2007
Filosofia "barata"
Simplicidade Voluntária
Vivemos numa sociedade de consumo em que as pessoas acreditam que comprando, acumulando bens e objectos, possuindo cada vez mais se tornam mais felizes. Quem realmente se aproveita deste excesso consumista ( as grandes empresas multi e transnacionanais) manipulam-nos através de artifícios como a moda, a publicidade e os meios de comunicação; criam constantemente novas necessidades e distribuem ilusões a torto e a direito. Este modo de proceder é apoiado pelos governos que sempre defendem um crescimento a qualquer preço. E a verdade é que têm tido sucesso, uma vez que o consumo e a presença da técnica nas nossas vidas não cessam de aumentar.
Um consumo deste tipo tem, todavia, inúmeras consequências. Primeiro sobre o meio ambiente: os recursos escassos diminuem a olhos vistos. Mais graves são, porém, o lixo e os resíduos que são assim gerados e cujos efeitos provocam as alterações climáticas e a contaminação do ar e da água.
Actualmente consumimos para além das capacidades do planeta, o que significa simplesmente que estamos a pôr em causa o futuro das gerações vindouras. E a responsabilidade por este estado de coisas é nossa, os residentes dos países industrializados. É que não se podem imputar as culpas a 80% da população da Terra que, as mais das vezes, não têm sequer o necessário para sobreviver. Se todos os habitantes do planeta consumissem tanto como nós, seriam precisos 5 planetas Terra para satisfazer esse caudal de consumo. Não tenhamos a ilusão: todo o mundo aspira a viver como nós, depois de nós mesmos termos generalizado a ilusão que essa é a melhor maneira para se viver.
Libertar-se do consumo
O consumo excessivo tem efeitos sobre as nossas próprias vidas. Para consumir tal como fazemos precisamos de dinheiro; logo, em consequência, a maioria das pessoas trabalham desalmadamente. No Canadá, por exemplo, cerca de 20% da população activa trabalha mais de 50 horas por semana. Esgotamo-nos a trabalhar, dando o melhor do nosso tempo e das nossas vidas para o trabalho; enquanto isso, outras vertentes da nossa existência ( a família, a vida amorosa, a participação cívica e a vida comunitária, a saúde,.) sofrem com essa quase exclusividade que o trabalho exige. Acaba-se de chegar a um paradoxo: quanto mais satisfeito formos na vida material, menos felizes nos sentimos. E há cada vez mais pessoas que acham que isso não tem sentido, e que há que fazer algo para mudar esta situação. Mas o quê? Os governos e os partidos não dão respostas alternativas, empenham-se antes em seguir a mesma direcção tal como têm feito até agora. Ora há que ultrapassar este bloqueio E é isso justamente o que propõe a Simplicidade Voluntária: empreender as mudanças necessárias nas nossas vidas.
Não confundir a Simplicidade Voluntária com a pobreza; esta é imposta por força de circunstâncias penosas. Mas quando se opta voluntariamente por viver sobriamente,tudo funciona de modo diferente. É que não nos sentimos frustrados porque nos privamos de um bem, mas antes sentimos que vale a pena substitui-lo por algo que tenha mais sentido. Este desprendimento alarga o espaço para a nossa consciência operar de outra forma: trata-se de um estado de espírito que nos convida a apreciar, a saborear e procurar o elemento qualitativo da vida. No fundo, renunciamos aos objectos que estorvam, travam e impedem irmos até ao fim das nossas possibilidades." Não é a riqueza, mas o apego à riqueza que é um obstáculo à emancipação; e não é o prazer da busca por coisas agradáveis que está em causa, mas sim o desejo ardente de as adquirir", escreve Schumcher (1911-1997), autor do livro Small is Beautiful.
A Simplicidade Voluntária leva-nos ao não-uso e à não-posse de algo, implica uma escolha: não comprar certo objecto ou não seguir determinado procedimento implica uma escolha por um outro motivo de satisfação, nem que seja ser fiel aos nossos princípios ou aos nossos compromissos sociais.
Escolher não utilizar certo bem ou serviço, não seguir a moda, consumir de outra maneira, tudo isso releva de actos de consciência e de lucidez, e não de fatalidade. Na verdade, quem faça voluntariamente este tipo de opções sabe que podia não o fazer, e acaba por ser o próprio a dominar a situação em vez de se um ser dominado por esta. Claro está que não se trata de decisões irrevogáveis que arrastam consigo um radicalismo sem concessões, nem sequer de uma regra de aço que dificilmente poderíamos desvincularmo-nos. A Simplicidade Voluntária é uma opção que é tomada mediante pequenos passos, uma via que se segue por decisão própria e porque nos sentimos satisfeitos por seguir.
A sobriedade
Simplicidade Voluntária não se confunde com ascetismo; é, até mesmo, a sua antíteses. O asceta priva-se voluntariamente dos prazeres da vida materiais em busca de um ávida espiritual mais intensa; ora o adepto da Simplicidade Voluntária não foge do prazer nem das satisfações. Muito pelo contrário. Ele procura-os, mas entende que os não alcançar com os meios que lhe dá a sociedade de consumo.
O medo constitui o obstáculo mais sério para uma opção destas, a favor da Simplicidade Voluntária.
Receio do que os outros vão pensar, quando nos afastarmos do seu estilo de vida; receio de sermos marginalizados, e de sentirmos inseguros face ao futuro, pois nos tempos que correm de um individualismo feroz, estamos habituados a pensar por si mesmos, a contar só connosco perante as contrariedades da vida. Quem quererá ajudar-me se não tenho dinheiro, quem me ajudará quando for velho?
Protegemo-nos então com seguros, planos de reforma, depósitos bancários, etc.E quando tivermos o futuro assegurado podemo-nos dar ao luxo de viver mais livres, não sendo necessário trabalhar tanto.
Acontece, porém, que cada ano que passo damo-nos conta que o dinheiro acumulado não é suficiente.
Evidentemente que, se um destes dias, alguém deixar o emprego, vender o seu carro, e começar a consumir só o que produz, a catástrofe não tardará a chegar. Mas a verdade é que a Simplicidade Voluntária é um processo gradual; e não é um fim mas antes um meio para chegar a um melhor bem estar.
Com o passar do tempo cada qual poderá aprofundar mais o seu compromisso graças aos momentos de liberdade que vai conquistando e aos laços de solidariedade que vais desenvolvendo para a indispensável segurança afectiva.
Não é fácil abandonarmos o universo do consumismo. Hoje em dia, tudo nos empurra a encontrar em alguma forma de consumo a solução dos nossos problemas, e a satisfação dos nossos desejos. Não é por acaso que as lotarias passam mensagens do tipo "ganhando o primeiro prémio tem os seus problemas resolvidos". Mas tal não passa de uma ilusão: aquilo a que tão ardentemente aspirávamos, acaba rapidamente de perder interesse logo que o obtivermos, não constituindo os bens materiais formas seguras de satisfazer as nossas mais profundas necessidades.
A Simplicidade Voluntária constitui actualmente o movimento social que ganha cada vez mais força. Não cessam de aparecer livros, contactos e interessados. Existe já vários sites directa ou indirectamente relacionados. Há que fazer o possível para dar a conhecer a Simplicidade Voluntária como meio de controlarmos as nossas vidas
Serge Mongeau ( autor do livro La Simplicité Voluntaire)
Vivemos numa sociedade de consumo em que as pessoas acreditam que comprando, acumulando bens e objectos, possuindo cada vez mais se tornam mais felizes. Quem realmente se aproveita deste excesso consumista ( as grandes empresas multi e transnacionanais) manipulam-nos através de artifícios como a moda, a publicidade e os meios de comunicação; criam constantemente novas necessidades e distribuem ilusões a torto e a direito. Este modo de proceder é apoiado pelos governos que sempre defendem um crescimento a qualquer preço. E a verdade é que têm tido sucesso, uma vez que o consumo e a presença da técnica nas nossas vidas não cessam de aumentar.
Um consumo deste tipo tem, todavia, inúmeras consequências. Primeiro sobre o meio ambiente: os recursos escassos diminuem a olhos vistos. Mais graves são, porém, o lixo e os resíduos que são assim gerados e cujos efeitos provocam as alterações climáticas e a contaminação do ar e da água.
Actualmente consumimos para além das capacidades do planeta, o que significa simplesmente que estamos a pôr em causa o futuro das gerações vindouras. E a responsabilidade por este estado de coisas é nossa, os residentes dos países industrializados. É que não se podem imputar as culpas a 80% da população da Terra que, as mais das vezes, não têm sequer o necessário para sobreviver. Se todos os habitantes do planeta consumissem tanto como nós, seriam precisos 5 planetas Terra para satisfazer esse caudal de consumo. Não tenhamos a ilusão: todo o mundo aspira a viver como nós, depois de nós mesmos termos generalizado a ilusão que essa é a melhor maneira para se viver.
Libertar-se do consumo
O consumo excessivo tem efeitos sobre as nossas próprias vidas. Para consumir tal como fazemos precisamos de dinheiro; logo, em consequência, a maioria das pessoas trabalham desalmadamente. No Canadá, por exemplo, cerca de 20% da população activa trabalha mais de 50 horas por semana. Esgotamo-nos a trabalhar, dando o melhor do nosso tempo e das nossas vidas para o trabalho; enquanto isso, outras vertentes da nossa existência ( a família, a vida amorosa, a participação cívica e a vida comunitária, a saúde,.) sofrem com essa quase exclusividade que o trabalho exige. Acaba-se de chegar a um paradoxo: quanto mais satisfeito formos na vida material, menos felizes nos sentimos. E há cada vez mais pessoas que acham que isso não tem sentido, e que há que fazer algo para mudar esta situação. Mas o quê? Os governos e os partidos não dão respostas alternativas, empenham-se antes em seguir a mesma direcção tal como têm feito até agora. Ora há que ultrapassar este bloqueio E é isso justamente o que propõe a Simplicidade Voluntária: empreender as mudanças necessárias nas nossas vidas.
Não confundir a Simplicidade Voluntária com a pobreza; esta é imposta por força de circunstâncias penosas. Mas quando se opta voluntariamente por viver sobriamente,tudo funciona de modo diferente. É que não nos sentimos frustrados porque nos privamos de um bem, mas antes sentimos que vale a pena substitui-lo por algo que tenha mais sentido. Este desprendimento alarga o espaço para a nossa consciência operar de outra forma: trata-se de um estado de espírito que nos convida a apreciar, a saborear e procurar o elemento qualitativo da vida. No fundo, renunciamos aos objectos que estorvam, travam e impedem irmos até ao fim das nossas possibilidades." Não é a riqueza, mas o apego à riqueza que é um obstáculo à emancipação; e não é o prazer da busca por coisas agradáveis que está em causa, mas sim o desejo ardente de as adquirir", escreve Schumcher (1911-1997), autor do livro Small is Beautiful.
A Simplicidade Voluntária leva-nos ao não-uso e à não-posse de algo, implica uma escolha: não comprar certo objecto ou não seguir determinado procedimento implica uma escolha por um outro motivo de satisfação, nem que seja ser fiel aos nossos princípios ou aos nossos compromissos sociais.
Escolher não utilizar certo bem ou serviço, não seguir a moda, consumir de outra maneira, tudo isso releva de actos de consciência e de lucidez, e não de fatalidade. Na verdade, quem faça voluntariamente este tipo de opções sabe que podia não o fazer, e acaba por ser o próprio a dominar a situação em vez de se um ser dominado por esta. Claro está que não se trata de decisões irrevogáveis que arrastam consigo um radicalismo sem concessões, nem sequer de uma regra de aço que dificilmente poderíamos desvincularmo-nos. A Simplicidade Voluntária é uma opção que é tomada mediante pequenos passos, uma via que se segue por decisão própria e porque nos sentimos satisfeitos por seguir.
A sobriedade
Simplicidade Voluntária não se confunde com ascetismo; é, até mesmo, a sua antíteses. O asceta priva-se voluntariamente dos prazeres da vida materiais em busca de um ávida espiritual mais intensa; ora o adepto da Simplicidade Voluntária não foge do prazer nem das satisfações. Muito pelo contrário. Ele procura-os, mas entende que os não alcançar com os meios que lhe dá a sociedade de consumo.
O medo constitui o obstáculo mais sério para uma opção destas, a favor da Simplicidade Voluntária.
Receio do que os outros vão pensar, quando nos afastarmos do seu estilo de vida; receio de sermos marginalizados, e de sentirmos inseguros face ao futuro, pois nos tempos que correm de um individualismo feroz, estamos habituados a pensar por si mesmos, a contar só connosco perante as contrariedades da vida. Quem quererá ajudar-me se não tenho dinheiro, quem me ajudará quando for velho?
Protegemo-nos então com seguros, planos de reforma, depósitos bancários, etc.E quando tivermos o futuro assegurado podemo-nos dar ao luxo de viver mais livres, não sendo necessário trabalhar tanto.
Acontece, porém, que cada ano que passo damo-nos conta que o dinheiro acumulado não é suficiente.
Evidentemente que, se um destes dias, alguém deixar o emprego, vender o seu carro, e começar a consumir só o que produz, a catástrofe não tardará a chegar. Mas a verdade é que a Simplicidade Voluntária é um processo gradual; e não é um fim mas antes um meio para chegar a um melhor bem estar.
Com o passar do tempo cada qual poderá aprofundar mais o seu compromisso graças aos momentos de liberdade que vai conquistando e aos laços de solidariedade que vais desenvolvendo para a indispensável segurança afectiva.
Não é fácil abandonarmos o universo do consumismo. Hoje em dia, tudo nos empurra a encontrar em alguma forma de consumo a solução dos nossos problemas, e a satisfação dos nossos desejos. Não é por acaso que as lotarias passam mensagens do tipo "ganhando o primeiro prémio tem os seus problemas resolvidos". Mas tal não passa de uma ilusão: aquilo a que tão ardentemente aspirávamos, acaba rapidamente de perder interesse logo que o obtivermos, não constituindo os bens materiais formas seguras de satisfazer as nossas mais profundas necessidades.
A Simplicidade Voluntária constitui actualmente o movimento social que ganha cada vez mais força. Não cessam de aparecer livros, contactos e interessados. Existe já vários sites directa ou indirectamente relacionados. Há que fazer o possível para dar a conhecer a Simplicidade Voluntária como meio de controlarmos as nossas vidas
Serge Mongeau ( autor do livro La Simplicité Voluntaire)
domingo, julho 22, 2007
Incentivos à natalidade

Nestes casos, em concreto, só posso dizer que tenho muita pena que o aborto não seja obrigatório. Desta raça já temos de sobra.
terça-feira, julho 17, 2007
quinta-feira, julho 12, 2007
domingo, julho 08, 2007
Monumental vaia - 8ª maravilha
Ontem José Sócrates em mais uma “Festa da Democracia” foi copiosamente vaiado no Estádio da Luz durante a gala das 7 Maravilhas do Mundo. À atenção do senhor Comissário Político do PS em Lisboa, perdão, do senhor Governador Civil, por mais esta manifestação ilegal. As câmaras de vigilância do estádio estavam ligadas? Vai dar muito trabalhinho identificar todos aqueles milhares que assobiaram. Não vão ser favas contadas como em Braga onde eram só meia dúzia de manifestantes, perdão, de “foliões”…
A 2ª, em poucos dias, diz bem do clima que se vai instalando por esse país fora, contra as arbitrariedades, os oportunismos e as medidas cegas do governo, mas, sobretudo, contra o autoritarismo rude e desabrido de Sócrates. Bem podem os serviços de propaganda do governo querer convencer-nos que o desmantelamento de estruturas essenciais, sejam centros de saúde, sejam escolas, têm por objectivo servir melhor a população, que a evidência corre contra aqueles que apenas identificam essas vantagens à distância, e no conforto dos seus gabinetes governamentais.
Sob o pretexto de estar a modernizar este país, o que Sócrates impõe são condições propícias à emergência de atitudes de medo, subserviência e acomodação ao regime autoritário que, paulatinamente, se vai instalando.
Este é o país à medida de Sócrates, do seu orgulho desmedido, da sua desmesurada ambição pessoal e do seu total desrespeito pelos demais. Hoje, ainda há quem, de cara descoberta, tenha a coragem de o enfrentar, de o questionar, de o vaiar. Mas, por quanto mais tempo terão essa capacidade? Quanto tempo faltará para que sejam demitidos, para que os vão buscar a casa de madrugada, os atirem para uma prisão, os torturem, para que lhes persigam as famílias e os amigos?
A 2ª, em poucos dias, diz bem do clima que se vai instalando por esse país fora, contra as arbitrariedades, os oportunismos e as medidas cegas do governo, mas, sobretudo, contra o autoritarismo rude e desabrido de Sócrates. Bem podem os serviços de propaganda do governo querer convencer-nos que o desmantelamento de estruturas essenciais, sejam centros de saúde, sejam escolas, têm por objectivo servir melhor a população, que a evidência corre contra aqueles que apenas identificam essas vantagens à distância, e no conforto dos seus gabinetes governamentais.
Sob o pretexto de estar a modernizar este país, o que Sócrates impõe são condições propícias à emergência de atitudes de medo, subserviência e acomodação ao regime autoritário que, paulatinamente, se vai instalando.
Este é o país à medida de Sócrates, do seu orgulho desmedido, da sua desmesurada ambição pessoal e do seu total desrespeito pelos demais. Hoje, ainda há quem, de cara descoberta, tenha a coragem de o enfrentar, de o questionar, de o vaiar. Mas, por quanto mais tempo terão essa capacidade? Quanto tempo faltará para que sejam demitidos, para que os vão buscar a casa de madrugada, os atirem para uma prisão, os torturem, para que lhes persigam as famílias e os amigos?
quinta-feira, julho 05, 2007
A flexigurança
"A flexigurança é a melhor resposta moderna para evitar empregos precários. Mas a flexibilidade sem segurança é a melhor forma de obter empregos precários." - segundo Speakers Corner, o pai do chavão.
A palavra "flexigurança", tal como sucede com o "factor de sustentabilidade" é, segundo as ciências da comunicação, uma palavra-armadilha pois procura ocultar o seu verdadeiro objectivo que, no primeiro caso, é a liberalização dos despedimentos individuais e, no segundo caso, foi a redução das pensões. São também denominadas pelas ciências da comunicação "palavras-virtude" porque procuram associar, de uma forma enganosa, as palavras positivas "segurança" e "sustentabilidade" àqueles objectivos (liberalização dos despedimentos e redução das pensões), que nada têm a ver com elas.
Logo no inicio do chamado "Livro verde", com o objectivo de fragilizar a resistência dos trabalhadores à "flexigurança", a Comissão Europeia divide os trabalhadores em dois grandes grupos: (1) Os "insiders", ou seja, os que têm contratos permanentes e que têm direitos; (2) Os "outsiders", ou seja, aqueles que não têm contrato permanente e que, por isso, não possuem direitos. Desta forma, procura atirar uns contra os outros para fragilizar a sua luta e resistência. Portanto, uma táctica muito semelhante à utilizada pelo governo de Sócrates que também dividiu os trabalhadores entre "privilegiados" (que seriam os da Administração Pública) e não privilegiados (os do sector privado) com objectivo de fragilizar também a luta dos trabalhadores portugueses para, em primeiro lugar, atacar o sistema de aposentação dos trabalhadores da Administração Pública e, depois, atacar o regime geral de Segurança Social dos trabalhadores do sector privado reduzindo as pensões de reforma a uns e outros.
Se tivermos presente que mais de metade do desemprego é já desemprego de longa duração, que está a levar a uma crescente exclusão social (entre o 4º Trimestre de 2001 e o 4º Trimestre de 2006, o desemprego oficial, que está muito abaixo do real, aumentou 116%, pois passou de 211,1 mil para 455,9 mil, mas o desemprego de longa duração, ou seja, o desemprego com mais de um ano de duração, cresceu, durante o mesmo período, 200%, ou seja, praticamente o dobro, representando já 52% da população desempregada) rapidamente se conclui que a introdução da flexigurança em Portugal só determinaria mais desemprego e mais exclusão social. E isto até porque a flexigurança não visa dar segurança e estabilidade aos trabalhadores que a não têm, mas sim tirar os poucos direitos e estabilidade que têm os trabalhadores com contrato permanente, que representam actualmente ainda 59,7% da população empregada, embora esteja a diminuir desde que o governo de Sócrates entrou em funções. E tudo isto ainda ganha maior gravidade em Portugal, pois apesar das despesas do Estado representarem 47% do PIB, o governo pretende reduzi-las ainda mais, o que vai obrigar a uma maior redução das despesas sociais do Estado, incluindo as referentes à protecção dos desempregados, o que associada a uma criação diminuta de emprego devido às baixas taxas de crescimento económico, determinará mais exclusão social e miséria.
A palavra "flexigurança", tal como sucede com o "factor de sustentabilidade" é, segundo as ciências da comunicação, uma palavra-armadilha pois procura ocultar o seu verdadeiro objectivo que, no primeiro caso, é a liberalização dos despedimentos individuais e, no segundo caso, foi a redução das pensões. São também denominadas pelas ciências da comunicação "palavras-virtude" porque procuram associar, de uma forma enganosa, as palavras positivas "segurança" e "sustentabilidade" àqueles objectivos (liberalização dos despedimentos e redução das pensões), que nada têm a ver com elas.
Logo no inicio do chamado "Livro verde", com o objectivo de fragilizar a resistência dos trabalhadores à "flexigurança", a Comissão Europeia divide os trabalhadores em dois grandes grupos: (1) Os "insiders", ou seja, os que têm contratos permanentes e que têm direitos; (2) Os "outsiders", ou seja, aqueles que não têm contrato permanente e que, por isso, não possuem direitos. Desta forma, procura atirar uns contra os outros para fragilizar a sua luta e resistência. Portanto, uma táctica muito semelhante à utilizada pelo governo de Sócrates que também dividiu os trabalhadores entre "privilegiados" (que seriam os da Administração Pública) e não privilegiados (os do sector privado) com objectivo de fragilizar também a luta dos trabalhadores portugueses para, em primeiro lugar, atacar o sistema de aposentação dos trabalhadores da Administração Pública e, depois, atacar o regime geral de Segurança Social dos trabalhadores do sector privado reduzindo as pensões de reforma a uns e outros.
Se tivermos presente que mais de metade do desemprego é já desemprego de longa duração, que está a levar a uma crescente exclusão social (entre o 4º Trimestre de 2001 e o 4º Trimestre de 2006, o desemprego oficial, que está muito abaixo do real, aumentou 116%, pois passou de 211,1 mil para 455,9 mil, mas o desemprego de longa duração, ou seja, o desemprego com mais de um ano de duração, cresceu, durante o mesmo período, 200%, ou seja, praticamente o dobro, representando já 52% da população desempregada) rapidamente se conclui que a introdução da flexigurança em Portugal só determinaria mais desemprego e mais exclusão social. E isto até porque a flexigurança não visa dar segurança e estabilidade aos trabalhadores que a não têm, mas sim tirar os poucos direitos e estabilidade que têm os trabalhadores com contrato permanente, que representam actualmente ainda 59,7% da população empregada, embora esteja a diminuir desde que o governo de Sócrates entrou em funções. E tudo isto ainda ganha maior gravidade em Portugal, pois apesar das despesas do Estado representarem 47% do PIB, o governo pretende reduzi-las ainda mais, o que vai obrigar a uma maior redução das despesas sociais do Estado, incluindo as referentes à protecção dos desempregados, o que associada a uma criação diminuta de emprego devido às baixas taxas de crescimento económico, determinará mais exclusão social e miséria.
segunda-feira, julho 02, 2007
domingo, junho 17, 2007
Suprema hipocrisia!

Os cinco maiores bancos portugueses têm lucros diários de 8,7 milhões de Euros.
Só o Millennium/BCP soma diariamente lucros superiores a dois milhões de Euros.
Os Bancos portugueses nos primeiros meses deste ano (2007) tiveram mais 21% de lucros do que em igual período do ano passado.
Se fizermos uma poupança e guardarmos o dinheiro nos bancos portugueses, recebemos de juros pouco mais do que 1,5%. A inflação está quase nos 3%. Isso quer dizer que perdemos dinheiro nos bancos, como perdemos poder de compra com os nossos salários, como anos após ano vamos ganhando menos.
O socialismo cavaquista garante aos bancos milhões. A nós rouba-nos os parcos tostões que conseguimos amealhar com o nosso trabalho honrado.
Mas Sócrates está cada vez mais popular e Cavaco Silva, o pai desta criança, diz que os portugueses não devem resignar-se. Suprema hipocrisia!
domingo, junho 10, 2007
10 de Junho

O 10 de Junho é um cadáver que se exuma anualmente para as soturnas comemorações oficiais e o desfile de gatos-pingados.
Os EUA exaltam o 4 de Julho, data da declaração da Independência, e fazem desse dia uma festa nacional. Que melhor razão para celebrar o dia do que o nascimento do país, que promulga uma constituição avançada e declara o direito à felicidade?
A França fez da tomada da Bastilha, em 14 de Julho, o símbolo da liberdade, a festa da Revolução que aboliu as velhas monarquias de direito divino e deu origem às modernas democracias governadas por cidadãos que o voto popular escrutina.
O Estado português escolheu, não a independência, não a glória das descobertas, não a liberdade, mas o óbito de um poeta, singular e grande, é certo, mas a morte, nem sequer o nascimento cuja data e local ignora.
Os EUA e a França festejam a liberdade e o povo exulta, Portugal evoca a morte e os portugueses deprimem-se. O dia 10 de Junho era na ditadura o «Dia de Camões, de Portugal e da Raça». Era um dia de nojo, na dupla acepção, com os carrascos a distribuir veneras pelas viúvas, pais e irmãos dos militares mortos na guerra colonial.
Hoje, em democracia, o dia 10 de Junho apenas perdeu a Raça. É o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas. E permanecem as homenagens aos mortos adiados, embrulhados numa venera no palco das vaidades.
Portugal tem uma Revolução para comemorar, um dia que fez a síntese do melhor que herdámos do liberalismo e do 5 de Outubro, uma madrugada que emocionou o Mundo e libertou Portugal da mais longa ditadura do Século XX ? o 25 de Abril.
Mas a mórbida evocação dos defuntos é um traço inapagável da nossa identidade.
Portugal prefere o velório à festa, a véspera da perda da independência à alvorada da libertação, a continuidade das cerimónias da ditadura à aurora de todas as liberdades, a missa de aniversário à grandeza épica de Abril.
Portugal prefere viajar de joelhos ao passado a combater de pé pelo futuro.
# um artigo de Carlos Esperança
Os EUA exaltam o 4 de Julho, data da declaração da Independência, e fazem desse dia uma festa nacional. Que melhor razão para celebrar o dia do que o nascimento do país, que promulga uma constituição avançada e declara o direito à felicidade?
A França fez da tomada da Bastilha, em 14 de Julho, o símbolo da liberdade, a festa da Revolução que aboliu as velhas monarquias de direito divino e deu origem às modernas democracias governadas por cidadãos que o voto popular escrutina.
O Estado português escolheu, não a independência, não a glória das descobertas, não a liberdade, mas o óbito de um poeta, singular e grande, é certo, mas a morte, nem sequer o nascimento cuja data e local ignora.
Os EUA e a França festejam a liberdade e o povo exulta, Portugal evoca a morte e os portugueses deprimem-se. O dia 10 de Junho era na ditadura o «Dia de Camões, de Portugal e da Raça». Era um dia de nojo, na dupla acepção, com os carrascos a distribuir veneras pelas viúvas, pais e irmãos dos militares mortos na guerra colonial.
Hoje, em democracia, o dia 10 de Junho apenas perdeu a Raça. É o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas. E permanecem as homenagens aos mortos adiados, embrulhados numa venera no palco das vaidades.
Portugal tem uma Revolução para comemorar, um dia que fez a síntese do melhor que herdámos do liberalismo e do 5 de Outubro, uma madrugada que emocionou o Mundo e libertou Portugal da mais longa ditadura do Século XX ? o 25 de Abril.
Mas a mórbida evocação dos defuntos é um traço inapagável da nossa identidade.
Portugal prefere o velório à festa, a véspera da perda da independência à alvorada da libertação, a continuidade das cerimónias da ditadura à aurora de todas as liberdades, a missa de aniversário à grandeza épica de Abril.
Portugal prefere viajar de joelhos ao passado a combater de pé pelo futuro.
# um artigo de Carlos Esperança
quarta-feira, junho 06, 2007
UPA - Pra cima!

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, considerou, por entre um encolher de ombros, que os portugueses "terão" de fazer mais uns sacrificios, nomeadamente quanto ao que já pagam com o crédito à habitação, com mais um aumento das taxas de juro provocada pelo Banco Central europeu. Considera o ministro que aquele banco é uma instituição independente do poder político e, como tal, não há volta a dar e os governos nacionais não se podem meter ...
Ao mesmo tempo que o Banco Central europeu aumenta, mais uma vez, as taxas de juro, o FMI considera também que as taxas devem subir ... se um diz mata o outro diz esfola!...
Este exemplo que é real, espelha bem a Europa dos liberais, a Europa do neo-liberalismo: primeiro as instituições, depois as instituições, ... , muito depois as pessoas! Mas só na perspectiva de que os deveres (transformados em obrigações!) suplantem sempre os direitos ...
Porque é que o Banco Central europeu tem de ser "independente" do poder político? Quem o controla? Os liberais dirão ... o mercado! As pessoas sabem quem manda no mercado ... as empresas!
Veja-se bem com este exemplo, onde e quando é que os europeus controlam democráticamente as políticas da União Europeia ... não controlam nem elegem!
Ao mesmo tempo que o Banco Central europeu aumenta, mais uma vez, as taxas de juro, o FMI considera também que as taxas devem subir ... se um diz mata o outro diz esfola!...
Este exemplo que é real, espelha bem a Europa dos liberais, a Europa do neo-liberalismo: primeiro as instituições, depois as instituições, ... , muito depois as pessoas! Mas só na perspectiva de que os deveres (transformados em obrigações!) suplantem sempre os direitos ...
Porque é que o Banco Central europeu tem de ser "independente" do poder político? Quem o controla? Os liberais dirão ... o mercado! As pessoas sabem quem manda no mercado ... as empresas!
Veja-se bem com este exemplo, onde e quando é que os europeus controlam democráticamente as políticas da União Europeia ... não controlam nem elegem!
domingo, junho 03, 2007
As duas contradições do capitalismo

Durante muito tempo o socialismo e o ecologismo andaram de costas voltadas. Por um lado, a esquerda demorou a incorporar os novos desafios colocados face à catástrofe ecológica provocada pelo sistema capitalista. Por outro lado, os movimentos ecologistas foram dominados por um pensamento anti-político, como se a “causa verde” estivesse acima da tradicional divisão esquerda-direita. Felizmente, esta situação está a mudar, mas ainda há um longo caminho a percorrer.
A ideia principal do socialismo ecológico, ou do eco-socialismo, foi formulada por James O’Connor: à contradição apontada por Marx entre forças de produção e relações de produção há que acrescentar uma outra entre forças de produção e condições de produção. A primeira contradição do sistema capitalista implica que à acumulação de capital privado subjaz a redução do poder de compra dos pobres. As desigualdades sociais criadas acabam por minar o próprio mercado e teremos uma cada vez maior dificuldade em escoar a crescente produção. A segunda contradição reside no facto de o aumento da produção causar o esgotamento dos recursos disponíveis. O dilema clássico da economia de mercado – satisfazer necessidades ilimitadas com recursos limitados – torna-se, assim, cada vez mais preponderante.
Ambas as contradições foram parcialmente solucionadas pelo imperialismo. O colonialismo deu à burguesia europeia a possibilidade de encontrar novos mercados, além de permitir a redução dos custos de produção pela incorporação de mão-de-obra escrava. O neo-colonialismo refinou este processo ao ponto de anunciar medidas anti-desenvolvimentistas do FMI e do Banco Mundial como sendo parte da ajuda externa, legitimando simultaneamente a exportação da degradação ambiental. Um bom exemplo é o caso do México que exporta petróleo a preços baixos para os EUA para amortizar uma dívida externa que nunca estará saldada, recebendo em troca milho transgénico. A colocação no mercado do milho importado leva, por sua vez, à ruína os camponeses mexicanos. A troca é, portanto, desigual quer do ponto de vista social, quer do ponto de ambiental.
A ideia principal do socialismo ecológico, ou do eco-socialismo, foi formulada por James O’Connor: à contradição apontada por Marx entre forças de produção e relações de produção há que acrescentar uma outra entre forças de produção e condições de produção. A primeira contradição do sistema capitalista implica que à acumulação de capital privado subjaz a redução do poder de compra dos pobres. As desigualdades sociais criadas acabam por minar o próprio mercado e teremos uma cada vez maior dificuldade em escoar a crescente produção. A segunda contradição reside no facto de o aumento da produção causar o esgotamento dos recursos disponíveis. O dilema clássico da economia de mercado – satisfazer necessidades ilimitadas com recursos limitados – torna-se, assim, cada vez mais preponderante.
Ambas as contradições foram parcialmente solucionadas pelo imperialismo. O colonialismo deu à burguesia europeia a possibilidade de encontrar novos mercados, além de permitir a redução dos custos de produção pela incorporação de mão-de-obra escrava. O neo-colonialismo refinou este processo ao ponto de anunciar medidas anti-desenvolvimentistas do FMI e do Banco Mundial como sendo parte da ajuda externa, legitimando simultaneamente a exportação da degradação ambiental. Um bom exemplo é o caso do México que exporta petróleo a preços baixos para os EUA para amortizar uma dívida externa que nunca estará saldada, recebendo em troca milho transgénico. A colocação no mercado do milho importado leva, por sua vez, à ruína os camponeses mexicanos. A troca é, portanto, desigual quer do ponto de vista social, quer do ponto de ambiental.
sexta-feira, junho 01, 2007
"Uns" e os outros

Tenho pena da menina e dos pais, mas acredito que com tanto folclore, alguma da pena que podíamos sentir pelos pais já começa a transformar-se em profunda irritação pelo tratamento desigual dado a este caso, em concreto.
Depois das manifestações dos "famosos", pela causa da Madeleine, chegou a vez de serem recebidos pelo não menos famoso Papa. Foram recebidos por Ratzinger, como desejavam. B16 viu-se obrigado a fazer o que não fez aos pais das outras crianças desaparecidas. Recebeu o casal McCann e fez o que sabia: promessas, rezas e bênçãos.
Será que em próximas audiências o Papa irá receber os pais das crianças desaparecidas por esse Mundo fora e abençoar as fotografias de crianças pobres que foram assassinadas ou vendidas como escravas?
Esta é a manifestação suprema da incapacidade em resolver este mistério.
Esta é cereja no topo do bolo da hipocrisia.
Para todos estes famosos, há crianças que valem mais que outras!
Se fossem a apelar por cada um dos desaparecidos neste mundo, não havia tempo para jogar futebol ou dar missas!
Depois das manifestações dos "famosos", pela causa da Madeleine, chegou a vez de serem recebidos pelo não menos famoso Papa. Foram recebidos por Ratzinger, como desejavam. B16 viu-se obrigado a fazer o que não fez aos pais das outras crianças desaparecidas. Recebeu o casal McCann e fez o que sabia: promessas, rezas e bênçãos.
Será que em próximas audiências o Papa irá receber os pais das crianças desaparecidas por esse Mundo fora e abençoar as fotografias de crianças pobres que foram assassinadas ou vendidas como escravas?
Esta é a manifestação suprema da incapacidade em resolver este mistério.
Esta é cereja no topo do bolo da hipocrisia.
Para todos estes famosos, há crianças que valem mais que outras!
Se fossem a apelar por cada um dos desaparecidos neste mundo, não havia tempo para jogar futebol ou dar missas!
sábado, maio 26, 2007
Guerra Junqueiro - actualíssimo

Apesar de escrito em 1896 este texto de Guerra Junqueiro não perde actualidade ao caracterizar a sociedade portuguesa.
Leiam e vejam se não é verdade:
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este,finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. [.] A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos [.] sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, [.] vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.
quinta-feira, maio 24, 2007
segunda-feira, maio 14, 2007
A praga da canga

É bom atentar para o que o papa diz. Porta-voz de Deus na Terra, ele só pensa pensamentos divinos. Nós, homens tolos, gastamos o tempo pensando sobre coisas sem importância tais como o efeito estufa e a possibilidade do fim do mundo. O papa vai directo ao que é essencial: “O segundo casamento é uma praga!”
Os casamentos, o primeiro, o segundo, o terceiro, pertencem à ordem maldita, caída, praguejada, pós-paraíso. Nessa ordem não se pode confiar no amor. Por isso inventou-se o casamento, esse contrato de prestação de serviços entre marido e mulher. O casamento não é uma celebração do amor, é o estabelecimento de direitos e deveres. Até as relações sexuais são obrigações a ser cumpridas.
O papa está certo. O segundo casamento é uma praga. Eu, como já disse, acho que todos são uma praga. O símbolo dessa maldição está na palavra “conjugal”: do latim, “com”= junto e “jugus”= canga. Canga, aquela peça pesada de madeira que une dois bois. Eles não querem estar juntos. Mas a canga obriga-os, sob pena do ferrão…
Para haver segundo casamento, é preciso que o primeiro seja anulado pelo divórcio. Permitir o divórcio equivale a dizer: o sacramento é uma balela. Donde, a igreja é uma balela… Com o divórcio ela seria rebaixada do seu lugar infalível e passaria a ser apenas uma instituição falível entre outras. A igreja, sábia, tratou de livrar os seus funcionários da maldição do amor. Proibiu-os de se casarem.
Hoje, a questão que se põe é porquê manter um casamento contra a vontade de uma das partes, a necessidade do mútuo acordo. Se a vontade dos cônjuges é indispensável para originar o casamento, não se compreende que ele possa manter-se contra a vontade de uma das partes. Começa a não caber na cabeça das pessoas que seja necessário invocar a violação dos deveres para solicitar o divórcio.
Há já uma série de situações que desvalorizam o casamento como instituição. O único motivo que deve bastar para originar o divórcio é a vontade expressa de um dos cônjuges, ou dos dois, o casamento deve adaptar-se às mudanças sociais e ser entendido como "um encontro de duas liberdades".
Os casamentos, o primeiro, o segundo, o terceiro, pertencem à ordem maldita, caída, praguejada, pós-paraíso. Nessa ordem não se pode confiar no amor. Por isso inventou-se o casamento, esse contrato de prestação de serviços entre marido e mulher. O casamento não é uma celebração do amor, é o estabelecimento de direitos e deveres. Até as relações sexuais são obrigações a ser cumpridas.
O papa está certo. O segundo casamento é uma praga. Eu, como já disse, acho que todos são uma praga. O símbolo dessa maldição está na palavra “conjugal”: do latim, “com”= junto e “jugus”= canga. Canga, aquela peça pesada de madeira que une dois bois. Eles não querem estar juntos. Mas a canga obriga-os, sob pena do ferrão…
Para haver segundo casamento, é preciso que o primeiro seja anulado pelo divórcio. Permitir o divórcio equivale a dizer: o sacramento é uma balela. Donde, a igreja é uma balela… Com o divórcio ela seria rebaixada do seu lugar infalível e passaria a ser apenas uma instituição falível entre outras. A igreja, sábia, tratou de livrar os seus funcionários da maldição do amor. Proibiu-os de se casarem.
Hoje, a questão que se põe é porquê manter um casamento contra a vontade de uma das partes, a necessidade do mútuo acordo. Se a vontade dos cônjuges é indispensável para originar o casamento, não se compreende que ele possa manter-se contra a vontade de uma das partes. Começa a não caber na cabeça das pessoas que seja necessário invocar a violação dos deveres para solicitar o divórcio.
Há já uma série de situações que desvalorizam o casamento como instituição. O único motivo que deve bastar para originar o divórcio é a vontade expressa de um dos cônjuges, ou dos dois, o casamento deve adaptar-se às mudanças sociais e ser entendido como "um encontro de duas liberdades".
sexta-feira, maio 11, 2007
domingo, maio 06, 2007
sábado, maio 05, 2007
Um cadáver no prato

"Tenho um animal morto no meu prato!", assim exclamou um amigo, filho de emigrantes portugueses nos EUA, após regressar ao país e lhe servirem um robalo grelhado num restaurante de Peniche. Nos EUA este amigo habituou-se a comer comida embalada em caixinhas, café fechado em goblets de cartão, queijos coloridos e sem cheiro, croquetes de todos os tipos de carne moída com formazinhas do Mickey e de peixinhos iguais aos desenhos da escola primária, pipocas da cor dos marcadores fluorescentes da Stabilo e bolachas com pepitas de morango, mas sem morango, pepitas feitas de pequenas gomas vermelhas com aroma artificial a morango.
Nos EUA ninguém proibiu que se coma peixe grelhado, que se veja a cor do café, que se toque num grão de milho ou que se comam morangos frescos, mas na realidade a "mão invisível" da religião do Mercado encarregou-se de que a esmagadora maioria dos americanos já não saiba o que de facto come. Sabem que comem marcas, que comem coisas trituradas, depois enformadas e coloridas como nos filmes da Disney e de Hollywood, sabem o número dos menus do restaurante X e a cor do "queijo" (em geral são emulsões lácteas e não queijo) que sai fora da sanduíche do menu Y.
Na prática, a ideologia do ultraliberalismo, da mão invisível responsável pela alienação alimentar da maior parte dos americanos (os mais pobres), é muito mais proibitiva, sem proibir, do que os preconceitos alimentares religiosos comuns às religiões do livro (os católicos também os têm). É particularmente uma ideologia mais proibitiva do que o Islão. Na verdade, e apesar da diferença de níveis de vida, em média, a alimentação de um muçulmano é muito mais variada do que a alimentação de um americano. Se deixássemos, seria essa alimentação "americana" que a Europa teria à mesa "daqui a uns anos", nada de peixes mortos no prato, nem queijos que cheiram mal, nem legumes crus, tudo seria servido em caixinhas da Disney, com histórias dos sobrinhos do Mickey. Dos sobrinhos, obviamente! É que as criancinhas poderiam ficar chocadas se fossem filhos do Mickey. Como é que se iria depois explicar que o Mickey tem um pénis a Minie uma vagina que servem para copular e ter filhos?
Nos EUA ninguém proibiu que se coma peixe grelhado, que se veja a cor do café, que se toque num grão de milho ou que se comam morangos frescos, mas na realidade a "mão invisível" da religião do Mercado encarregou-se de que a esmagadora maioria dos americanos já não saiba o que de facto come. Sabem que comem marcas, que comem coisas trituradas, depois enformadas e coloridas como nos filmes da Disney e de Hollywood, sabem o número dos menus do restaurante X e a cor do "queijo" (em geral são emulsões lácteas e não queijo) que sai fora da sanduíche do menu Y.
Na prática, a ideologia do ultraliberalismo, da mão invisível responsável pela alienação alimentar da maior parte dos americanos (os mais pobres), é muito mais proibitiva, sem proibir, do que os preconceitos alimentares religiosos comuns às religiões do livro (os católicos também os têm). É particularmente uma ideologia mais proibitiva do que o Islão. Na verdade, e apesar da diferença de níveis de vida, em média, a alimentação de um muçulmano é muito mais variada do que a alimentação de um americano. Se deixássemos, seria essa alimentação "americana" que a Europa teria à mesa "daqui a uns anos", nada de peixes mortos no prato, nem queijos que cheiram mal, nem legumes crus, tudo seria servido em caixinhas da Disney, com histórias dos sobrinhos do Mickey. Dos sobrinhos, obviamente! É que as criancinhas poderiam ficar chocadas se fossem filhos do Mickey. Como é que se iria depois explicar que o Mickey tem um pénis a Minie uma vagina que servem para copular e ter filhos?
terça-feira, maio 01, 2007
O "Proletariado" dá lugar ao "Precariado"
A precariedade invade todas as áreas da vida e é mais completa entre os mais novos: desempregados e contratados a prazo, bolseiros, estudantes-trabalhadores (já/ainda/quase), imigrantes, etc... Sair de casa dos pais, ter um filho, aguentar uma renda ou um empréstimo, são coisas simples que se transformam em grandes riscos.
O trabalho precário nem sempre é pago. É quase sempre mal pago. O patrão que emprega raramente é o que contrata: as empresas de trabalho temporário multiplicam-se, crescem e exibem lucros milionários. Nelas, o salário é mais curto, o contrato pode acabar sem aviso e nem sempre deixando subsídio de desemprego.
A luta do Século XXI é pelo direito a trabalhar sem chantagem e a um mínimo de independência e conforto. Ninguém quer passar o resto da vida a pensar como pagar a próxima conta e a fazer malabarismos com três trabalhos precários.
A Internacional

De pé, ó vitimas da fome!
De pé, condenados da terra!
Da ideia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Senhores, patrões, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair desse antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós diz respeito!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Nós fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verrá que as nossas balas
São para os nossos generais!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Pois somos do povo os activos
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a Terra aos produtivos;
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
De pé, condenados da terra!
Da ideia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Senhores, patrões, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair desse antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós diz respeito!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Nós fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verrá que as nossas balas
São para os nossos generais!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Pois somos do povo os activos
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a Terra aos produtivos;
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
segunda-feira, abril 30, 2007
sábado, abril 28, 2007
Cavaco não gosta de cravos
Uma das coisas que tenho visto é imensa gente que detesta o 25 de Abril muito preocupada com a falta de renovação das comemorações do 25 de Abril. E se a simbologia é importante em comemorações, gostava de ter visto Cavaco com um cravo ao peito. Não é obrigado, claro. Mas fico a imaginar que tipo de comemoração quer, em que o mais básico e consensual da simbologia da data o incomoda. Não vejo melhor momento que as comemorações do 25 de Abril para convidar a sociedade portuguesa a debater a qualidade da democracia que se conquistou: uma democracia em que grande parte da população prescinde do direito de votar, uma democracia em que os tribunais funcionam apenas para os ricos, uma democracia em que a transparência não existe (desde a nomeação para cargos públicos à execução das leis), enfim uma democracia onde a fraca aposta na educação parece continuar a impedir os cidadãos de exigirem mais e melhor dos seus políticos e já agora dos seus jornalistas.
O 25 de Abril é um óptimo momento para convidar as pessoas a avaliar a força da democracia que se quer comemorar e já agora explicar à juventude que se não quiser participar na vida política, outros o farão por ela e com consequências para todos.
Com a revolução tecnológica, com os blogues incluídos , a esfera pública da política está ao alcance de praticamente qualquer um, o que é francamente positivo para a democracia. E que os 25 de Abril que hão-de vir, sirvam também para explicar a mais e a mais pessoas que a sua participação na vida política é essencial e que apesar do 25 de Abril ser do Povo e da rua, agora até é possível fazê-lo a partir de um simples computador pessoal.
Que Abril seja, ainda e sempre, mais do que memória e simbolismo. Antes de Cavaco. Depois de Cavaco. Sem Cavaco.
quarta-feira, abril 25, 2007
terça-feira, abril 24, 2007
25 de Abril Sempre
Muita coisa se alterou com o 25 de Abril de 1974.
Mas, a mudança não se efectuou num dia. Foi preciso tempo, empenho, coragem e sacrifícios de muitas pessoas para construir um país diferente onde Liberdade, Solidariedade e Democracia não fossem apenas palavras. Ao longo deste caminho, construíram-se partidos e associações, foi garantido o direito de expressão e realizaram-se eleições livres. Vivemos em Democracia.Terminou a guerra colonial, e as antigas colónias portuguesas tornaram-se independentes. Vivemos em paz.Os Açores e a Madeira são hoje Regiões Autónomas, com orgãos de governo próprio. A Constituição garante os direitos económicos, jurídicos e sociais dos cidadãos.Hoje, podemos falar livremente, dizer aquilo com que concordamos e o que não apoiamos, integrar associações, viver num novo Espaço Europeu e ter acesso directo ao Mundo sem receio de censura ou perseguições.
Os trabalhadores portugueses alcançaram importantes conquistas e adquiriram um valioso conjunto de direitos, até então negado, que constituem um património da nossa democracia e fundamentos do regime constitucional: a liberdade sindical e os direitos sindicais; o direito de reunião e de manifestação; o direito de greve; o direito de negociação colectiva; a constituição de comissões de trabalhadores; a institucionalização do salário mínimo; a generalização do 13º mês; o direito a um mês de férias e respectivo subsídio; a democratização do ensino; a universalização do direito à segurança social e à saúde; a generalização das pensões de reforma e do subsídio de desemprego; a participação em múltiplos órgãos e organismos do Estado.
As conquistas do 25 de Abril estão de tal modo inseridas no quotidiano que mal se dá por elas.As mulheres foram reconhecidas como cidadãs de plenos direitos: têm acesso a todas as profissões, podem votar, ter contas bancárias, possuir passaporte e sair do país sem autorização escrita dos maridos, o que antes da revolução de 1974 era impensável. Foram abolidas as certidões de bom comportamento moral e cívico e as informações da polícia necessárias a quem deseje obter certos empregos.
Temos uma democracia avançada em termos político-constitucionais, mas não temos uma sociedade avançada no plano económico e social. Continua-se a insistir num modelo de crescimento baseado na mão-de-obra barata; confrontamo-nos com um violento ataque aos sistemas públicos da segurança social, da saúde e do ensino; enfrentamos uma feroz ofensiva, conduzida principalmente pelos últimos Governos, contra os direitos dos trabalhadores; cresce o desemprego e a precariedade do trabalho.
Hoje, 33 anos depois, quando nos confrontamos ainda com tantos problemas sociais e grandes dificuldades para afirmar um desenvolvimento que nos aproxime, de forma segura, dos nossos parceiros europeus e quando estamos perante um quadro em que os melhores valores e ideais da humanidade são postos em causa pela globalização capitalista, afirmar Abril, é um objectivo que deve estar presente, todos os dias, na nossa acção.
Mas, a mudança não se efectuou num dia. Foi preciso tempo, empenho, coragem e sacrifícios de muitas pessoas para construir um país diferente onde Liberdade, Solidariedade e Democracia não fossem apenas palavras. Ao longo deste caminho, construíram-se partidos e associações, foi garantido o direito de expressão e realizaram-se eleições livres. Vivemos em Democracia.Terminou a guerra colonial, e as antigas colónias portuguesas tornaram-se independentes. Vivemos em paz.Os Açores e a Madeira são hoje Regiões Autónomas, com orgãos de governo próprio. A Constituição garante os direitos económicos, jurídicos e sociais dos cidadãos.Hoje, podemos falar livremente, dizer aquilo com que concordamos e o que não apoiamos, integrar associações, viver num novo Espaço Europeu e ter acesso directo ao Mundo sem receio de censura ou perseguições.
Os trabalhadores portugueses alcançaram importantes conquistas e adquiriram um valioso conjunto de direitos, até então negado, que constituem um património da nossa democracia e fundamentos do regime constitucional: a liberdade sindical e os direitos sindicais; o direito de reunião e de manifestação; o direito de greve; o direito de negociação colectiva; a constituição de comissões de trabalhadores; a institucionalização do salário mínimo; a generalização do 13º mês; o direito a um mês de férias e respectivo subsídio; a democratização do ensino; a universalização do direito à segurança social e à saúde; a generalização das pensões de reforma e do subsídio de desemprego; a participação em múltiplos órgãos e organismos do Estado.
As conquistas do 25 de Abril estão de tal modo inseridas no quotidiano que mal se dá por elas.As mulheres foram reconhecidas como cidadãs de plenos direitos: têm acesso a todas as profissões, podem votar, ter contas bancárias, possuir passaporte e sair do país sem autorização escrita dos maridos, o que antes da revolução de 1974 era impensável. Foram abolidas as certidões de bom comportamento moral e cívico e as informações da polícia necessárias a quem deseje obter certos empregos.
Temos uma democracia avançada em termos político-constitucionais, mas não temos uma sociedade avançada no plano económico e social. Continua-se a insistir num modelo de crescimento baseado na mão-de-obra barata; confrontamo-nos com um violento ataque aos sistemas públicos da segurança social, da saúde e do ensino; enfrentamos uma feroz ofensiva, conduzida principalmente pelos últimos Governos, contra os direitos dos trabalhadores; cresce o desemprego e a precariedade do trabalho.
Hoje, 33 anos depois, quando nos confrontamos ainda com tantos problemas sociais e grandes dificuldades para afirmar um desenvolvimento que nos aproxime, de forma segura, dos nossos parceiros europeus e quando estamos perante um quadro em que os melhores valores e ideais da humanidade são postos em causa pela globalização capitalista, afirmar Abril, é um objectivo que deve estar presente, todos os dias, na nossa acção.
Sem preconceitos nem complexos...
Apesar do percurso político, polémico, do Comandante Operacional do "25 de Abril", é impossível falar do sucesso da Revolução dos Cravos, sem reconhecer a generosidade e a bravura dos Capitães de Abril, nomeadamente de "Oscar", nome de código de Otelo Saraiva de Carvalho.
Impõe-se, nesta data, relembrar os genuinos obreiros de Abril, aqueles que, dispostos a morrer, enfrentaram as forças fieis ao regime, derrotando-as sem derramamento de sangue e ganhando o imediato apoio do Povo.
sábado, abril 21, 2007
O enterro do "Limbo"

Com a publicação do documento "A esperança de salvação para bebés que morrem sem ser batizados", a Igreja Católica acaba de eliminar o limbo – a morada das almas que, não tendo cometido pecado mortal, estão afastadas da presença de Deus – onde a tradição colocava todas as crianças que morriam sem antes haverem recebido o sacramento do baptismo. Considera agora que aquele reflectia «uma visão excessivamente restritiva da salvação». No documento acabado de publicar, a Comissão Teológica Internacional, que depende da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Tribunal do Santo Ofício), declara-se finalmente convencida de que existem «sérias razões teológicas para crer que as crianças não baptizadas que morrem se salvarão e desfrutarão da visão de Deus». Resta saber se esta decisão terá efeitos retroactivos e para que servirão as instalações até agora ocupadas por aquele serviço.
Homenagem merecida

Caros amigos,
Os CTT estão a promover uma iniciativa para os 20 temas dos selos de 2008. Eu fiz uma proposta para que fosse homenageado Zeca Afonso, figura ímpar da cultura portuguesa, que trilhou, desde sempre, um percurso de coerência. Na recusa permanente do caminho mais fácil, da acomodação, no combate ao fascismo salazarento, na denúncia dos oportunistas, dos "vampiros que destroçaram Abril".
O meu apelo é para que votem nesta opção.
O link directo é: aqui há selo.
Agradeço a vossa participação e se possível enviem a mensagem para todos os vossos contactos.
Davide da Costa
Associemo-nos a esta homenagem.
Enviem esta mensagem para todos os vossos Contactos.
Os CTT estão a promover uma iniciativa para os 20 temas dos selos de 2008. Eu fiz uma proposta para que fosse homenageado Zeca Afonso, figura ímpar da cultura portuguesa, que trilhou, desde sempre, um percurso de coerência. Na recusa permanente do caminho mais fácil, da acomodação, no combate ao fascismo salazarento, na denúncia dos oportunistas, dos "vampiros que destroçaram Abril".
O meu apelo é para que votem nesta opção.
O link directo é: aqui há selo.
Agradeço a vossa participação e se possível enviem a mensagem para todos os vossos contactos.
Davide da Costa
Associemo-nos a esta homenagem.
Enviem esta mensagem para todos os vossos Contactos.
"Traz Outro Amigo Também"...
Zeca para Sempre!
domingo, abril 15, 2007
Religião e religião organizada
Avivar a memória

Agora, que nos aproximamos de mais uma comemoração do 25 de Abril, e que pela degradação da vida democrática e das condições económicas, alguns começam a fazer apelos aos tempos do "rigor, disciplina, sobriedade económica, controlo de opinião, etc. e tal", a eleger Salazar como o maior português, convém lembrar a face negra da era salazarista.
Os quarenta e oito anos de ditadura fascista constituem um dos períodos mais sombrios da história de Portugal.
A ditadura fascista criou um Estado totalitário e um monstruoso aparelho policial de espionagem e repressão políticas. Que actuava em todos os sectores da vida nacional, privando o povo português dos mais elementares direitos e liberdades.
A história da ditadura é uma história de perseguições, de prisões, de torturas, de condenações, de assassinatos daqueles que ousavam defender os direitos do povo, protestar, lutar pela liberdade e por melhores condições de vida e de trabalho.
Utilizando a força coerciva do Estado, a ditadura fascista impulsionou a centralização e a concentração de capitais, a formação de grupos monopolistas. Que se tornaram donos e dirigentes de todos os sectores fundamentais da economia nacional. Acumulando grandes fortunas assentes na sobre exploração, nas privações, na miséria e na opressão do povo português e dos povos das colónias portuguesas.
A ditadura fascista impôs aos trabalhadores formas brutais de exploração. Sacrificou gerações de jovens em treze anos de guerras coloniais. Forçou centenas de milhar de portugueses à emigração. Agravou as discriminações das mulheres e dos jovens, a subalimentação de grande parte da população, o obscurantismo, o analfabetismo, a degradação moral da sociedade.
A ditadura fascista realizou uma política externa de conluio com os regimes mais reaccionários. Que se traduziu no apoio directo à sublevação fascista em Espanha, na cooperação com a Alemanha nazi e a Itália fascista. Que se manifestou nas concessões militares que levaram ao estabelecimento de bases estrangeiras no território português. Que se revelou na subserviência ante as grandes potências imperialistas e no alinhamento com a política de guerra dos seus círculos mais agressivos e reaccionários.
É tudo isto, e muito mais, que certos sectores da sociedade portuguesa procuram esconder e escamotear. Assiste-se a uma permanente e bem elaborada campanha, com vastos meios e sob diversas formas, de branqueamento do regime de Salazar e Caetano.
Pretende-se, despudoradamente, reescrever a história de Portugal no século XX. Por um lado, nega-se a própria existência de um regime fascista. Por outro, intenta-se apagar da memória a gesta da resistência antifascista. As expressões concretas deste objectivo são múltiplas e variadas.
A memória dos povos não é um peso morto das recordações do passado, nem uma crónica desapaixonada dos acontecimentos. A razão de ser da memória histórica está na extracção das lições do passado. Está na aspiração de tornar impossível o desabar de catástrofes sobre a humanidade durante muitos séculos.
Os quarenta e oito anos de ditadura fascista constituem um dos períodos mais sombrios da história de Portugal.
A ditadura fascista criou um Estado totalitário e um monstruoso aparelho policial de espionagem e repressão políticas. Que actuava em todos os sectores da vida nacional, privando o povo português dos mais elementares direitos e liberdades.
A história da ditadura é uma história de perseguições, de prisões, de torturas, de condenações, de assassinatos daqueles que ousavam defender os direitos do povo, protestar, lutar pela liberdade e por melhores condições de vida e de trabalho.
Utilizando a força coerciva do Estado, a ditadura fascista impulsionou a centralização e a concentração de capitais, a formação de grupos monopolistas. Que se tornaram donos e dirigentes de todos os sectores fundamentais da economia nacional. Acumulando grandes fortunas assentes na sobre exploração, nas privações, na miséria e na opressão do povo português e dos povos das colónias portuguesas.
A ditadura fascista impôs aos trabalhadores formas brutais de exploração. Sacrificou gerações de jovens em treze anos de guerras coloniais. Forçou centenas de milhar de portugueses à emigração. Agravou as discriminações das mulheres e dos jovens, a subalimentação de grande parte da população, o obscurantismo, o analfabetismo, a degradação moral da sociedade.
A ditadura fascista realizou uma política externa de conluio com os regimes mais reaccionários. Que se traduziu no apoio directo à sublevação fascista em Espanha, na cooperação com a Alemanha nazi e a Itália fascista. Que se manifestou nas concessões militares que levaram ao estabelecimento de bases estrangeiras no território português. Que se revelou na subserviência ante as grandes potências imperialistas e no alinhamento com a política de guerra dos seus círculos mais agressivos e reaccionários.
É tudo isto, e muito mais, que certos sectores da sociedade portuguesa procuram esconder e escamotear. Assiste-se a uma permanente e bem elaborada campanha, com vastos meios e sob diversas formas, de branqueamento do regime de Salazar e Caetano.
Pretende-se, despudoradamente, reescrever a história de Portugal no século XX. Por um lado, nega-se a própria existência de um regime fascista. Por outro, intenta-se apagar da memória a gesta da resistência antifascista. As expressões concretas deste objectivo são múltiplas e variadas.
A memória dos povos não é um peso morto das recordações do passado, nem uma crónica desapaixonada dos acontecimentos. A razão de ser da memória histórica está na extracção das lições do passado. Está na aspiração de tornar impossível o desabar de catástrofes sobre a humanidade durante muitos séculos.
terça-feira, abril 10, 2007
O Canudo, por um canudo

Independentemente de ter assistido às aulas, ter estudado e ter tido aproveitamento avaliado, a prática, que é aquilo para que serve a teoria, incluindo a de natureza académica, no caso uma prática pública, absolve os formalismos académicos associados à qualidade de licenciado em engenharia civil atribuída pela Universidade Independente a José Sócrates.
Vejamos, em contributo para o juízo do júri público acerca da forma como Sócrates tem exercido os seus mandatos como líder do PS e primeiro-ministro:
- Análise de Estruturas: Aprovado. Alguém chega a Secretário-Geral do PS sem analisar com mestria o estado e as inclinações das estruturas locais e regionais do PS?
- Betão (armado e pré-esforçado):Aprovado . Não há hipótese de haver primeiro-ministro que não seja perito em betão. No mínimo, não conseguia entender-se com a Associação Nacional de Municípios.
- Estruturas Especiais: Aprovado. Pela quantidade de assessores e ainda ter nomeado um Secretariado Geral de todas as polícias na sua dependência directa.
- Inglês Técnico: Aprovado. Por ser uma necessidade básica para a próxima presidência da UE.
- Projecto e Dissertação: Aqui vamos por partes, com uma aprovação e um chumbo clamoroso. Em “Dissertação”: distinção com louvor (basta a forma como arrasa mensalmente as oposições nos debates parlamentares). Quanto a “Projecto”, a ausência de ter lido sequer uns parcos apontamentos sobre a matéria, é gritante. Mesmo que cabulassse, nota-se à légua que não meteu pé em qualquer aula ou disso alguma vez tivesse tido vontade.
Estude “Projecto”, Engenheiro Sócrates, e dê-nos uma luzinha sobre o que quer para este país além do défice. Então, nós, bom povo português, damos-lhe o “canudo”, em forma de utilidade pública, e a chicana morre já.
Vejamos, em contributo para o juízo do júri público acerca da forma como Sócrates tem exercido os seus mandatos como líder do PS e primeiro-ministro:
- Análise de Estruturas: Aprovado. Alguém chega a Secretário-Geral do PS sem analisar com mestria o estado e as inclinações das estruturas locais e regionais do PS?
- Betão (armado e pré-esforçado):Aprovado . Não há hipótese de haver primeiro-ministro que não seja perito em betão. No mínimo, não conseguia entender-se com a Associação Nacional de Municípios.
- Estruturas Especiais: Aprovado. Pela quantidade de assessores e ainda ter nomeado um Secretariado Geral de todas as polícias na sua dependência directa.
- Inglês Técnico: Aprovado. Por ser uma necessidade básica para a próxima presidência da UE.
- Projecto e Dissertação: Aqui vamos por partes, com uma aprovação e um chumbo clamoroso. Em “Dissertação”: distinção com louvor (basta a forma como arrasa mensalmente as oposições nos debates parlamentares). Quanto a “Projecto”, a ausência de ter lido sequer uns parcos apontamentos sobre a matéria, é gritante. Mesmo que cabulassse, nota-se à légua que não meteu pé em qualquer aula ou disso alguma vez tivesse tido vontade.
Estude “Projecto”, Engenheiro Sócrates, e dê-nos uma luzinha sobre o que quer para este país além do défice. Então, nós, bom povo português, damos-lhe o “canudo”, em forma de utilidade pública, e a chicana morre já.
sábado, abril 07, 2007
Bife com batatas fritas
A patrística cristã alude à fé e ao conhecimento como duas modalidades distintas e complementares da intelectualidade cristã. Ambas são indispensáveis.
Concordo que conhecimento e fé são distintos, mas não que se complementem. O bife e as batatas fritas complementam-se. Ou a flauta e o violino, ou as calças e a camisola. A fé e o conhecimento são o gato e o rato. Ou se separam, ou há chatice. O conhecimento diz que num sistema que não troca energia com o exterior a entropia não diminui. A fé diz que há um deus que, se quiser, faz com que a entropia diminua num sistema isolado. Isto não é complementaridade. É contradição. Ou se rejeita o conhecimento acreditando que isto é possível, ou se rejeita a fé como uma hipótese refutada. Este é apenas um exemplo entre muitos. Em geral, ou se tem fé, ou se compreende. Não há complementaridade. Quem tem o bife, quer batatas, mas ninguém precisa de ter fé naquilo que já compreende...
A- Se x é impar não é divisível por 2.
B- Se blih transforma bleh em blah, blih de bleh dá blah.
C- A proposição P é verdadeira e falsa ao mesmo tempo.
Rejeitamos C, pois é incoerente: a proposição P não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo. Exigir coerência elimina muitos disparates. Mas não elimina todos: A e B são ambas coerentes, mas B também é disparate.
O supra-empírico defende não vê diferença entre A e B porque a diferença está na correspondência ao empírico.
Há uns anos, a propósito de uma desgraça qualquer que já não me lembro, uma jornalista na televisão perguntou a um transeunte como estava a situação. Ele respondeu que estava tudo empírico. Ela perguntou o que ele queria dizer, e ele esclareceu: «É pá, tá fodido!».
Concordo que conhecimento e fé são distintos, mas não que se complementem. O bife e as batatas fritas complementam-se. Ou a flauta e o violino, ou as calças e a camisola. A fé e o conhecimento são o gato e o rato. Ou se separam, ou há chatice. O conhecimento diz que num sistema que não troca energia com o exterior a entropia não diminui. A fé diz que há um deus que, se quiser, faz com que a entropia diminua num sistema isolado. Isto não é complementaridade. É contradição. Ou se rejeita o conhecimento acreditando que isto é possível, ou se rejeita a fé como uma hipótese refutada. Este é apenas um exemplo entre muitos. Em geral, ou se tem fé, ou se compreende. Não há complementaridade. Quem tem o bife, quer batatas, mas ninguém precisa de ter fé naquilo que já compreende...
A- Se x é impar não é divisível por 2.
B- Se blih transforma bleh em blah, blih de bleh dá blah.
C- A proposição P é verdadeira e falsa ao mesmo tempo.
Rejeitamos C, pois é incoerente: a proposição P não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo. Exigir coerência elimina muitos disparates. Mas não elimina todos: A e B são ambas coerentes, mas B também é disparate.
O supra-empírico defende não vê diferença entre A e B porque a diferença está na correspondência ao empírico.
Há uns anos, a propósito de uma desgraça qualquer que já não me lembro, uma jornalista na televisão perguntou a um transeunte como estava a situação. Ele respondeu que estava tudo empírico. Ela perguntou o que ele queria dizer, e ele esclareceu: «É pá, tá fodido!».
quinta-feira, abril 05, 2007
terça-feira, abril 03, 2007
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