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domingo, abril 15, 2007

Avivar a memória

Agora, que nos aproximamos de mais uma comemoração do 25 de Abril, e que pela degradação da vida democrática e das condições económicas, alguns começam a fazer apelos aos tempos do "rigor, disciplina, sobriedade económica, controlo de opinião, etc. e tal", a eleger Salazar como o maior português, convém lembrar a face negra da era salazarista.

Os quarenta e oito anos de ditadura fascista constituem um dos períodos mais sombrios da história de Portugal.

A ditadura fascista criou um Estado totalitário e um monstruoso aparelho policial de espionagem e repressão políticas. Que actuava em todos os sectores da vida nacional, privando o povo português dos mais elementares direitos e liberdades.

A história da ditadura é uma história de perseguições, de prisões, de torturas, de condenações, de assassinatos daqueles que ousavam defender os direitos do povo, protestar, lutar pela liberdade e por melhores condições de vida e de trabalho.

Utilizando a força coerciva do Estado, a ditadura fascista impulsionou a centralização e a concentração de capitais, a formação de grupos monopolistas. Que se tornaram donos e dirigentes de todos os sectores fundamentais da economia nacional. Acumulando grandes fortunas assentes na sobre exploração, nas privações, na miséria e na opressão do povo português e dos povos das colónias portuguesas.

A ditadura fascista impôs aos trabalhadores formas brutais de exploração. Sacrificou gerações de jovens em treze anos de guerras coloniais. Forçou centenas de milhar de portugueses à emigração. Agravou as discriminações das mulheres e dos jovens, a subalimentação de grande parte da população, o obscurantismo, o analfabetismo, a degradação moral da sociedade.

A ditadura fascista realizou uma política externa de conluio com os regimes mais reaccionários. Que se traduziu no apoio directo à sublevação fascista em Espanha, na cooperação com a Alemanha nazi e a Itália fascista. Que se manifestou nas concessões militares que levaram ao estabelecimento de bases estrangeiras no território português. Que se revelou na subserviência ante as grandes potências imperialistas e no alinhamento com a política de guerra dos seus círculos mais agressivos e reaccionários.

É tudo isto, e muito mais, que certos sectores da sociedade portuguesa procuram esconder e escamotear. Assiste-se a uma permanente e bem elaborada campanha, com vastos meios e sob diversas formas, de branqueamento do regime de Salazar e Caetano.

Pretende-se, despudoradamente, reescrever a história de Portugal no século XX. Por um lado, nega-se a própria existência de um regime fascista. Por outro, intenta-se apagar da memória a gesta da resistência antifascista. As expressões concretas deste objectivo são múltiplas e variadas.

A memória dos povos não é um peso morto das recordações do passado, nem uma crónica desapaixonada dos acontecimentos. A razão de ser da memória histórica está na extracção das lições do passado. Está na aspiração de tornar impossível o desabar de catástrofes sobre a humanidade durante muitos séculos.


terça-feira, abril 10, 2007

O Canudo, por um canudo


Independentemente de ter assistido às aulas, ter estudado e ter tido aproveitamento avaliado, a prática, que é aquilo para que serve a teoria, incluindo a de natureza académica, no caso uma prática pública, absolve os formalismos académicos associados à qualidade de licenciado em engenharia civil atribuída pela Universidade Independente a José Sócrates.

Vejamos, em contributo para o juízo do júri público acerca da forma como Sócrates tem exercido os seus mandatos como líder do PS e primeiro-ministro:
- Análise de Estruturas: Aprovado. Alguém chega a Secretário-Geral do PS sem analisar com mestria o estado e as inclinações das estruturas locais e regionais do PS?
- Betão (armado e pré-esforçado):Aprovado . Não há hipótese de haver primeiro-ministro que não seja perito em betão. No mínimo, não conseguia entender-se com a Associação Nacional de Municípios.
- Estruturas Especiais: Aprovado. Pela quantidade de assessores e ainda ter nomeado um Secretariado Geral de todas as polícias na sua dependência directa.
- Inglês Técnico: Aprovado. Por ser uma necessidade básica para a próxima presidência da UE.
- Projecto e Dissertação: Aqui vamos por partes, com uma aprovação e um chumbo clamoroso. Em “Dissertação”: distinção com louvor (basta a forma como arrasa mensalmente as oposições nos debates parlamentares). Quanto a “Projecto”, a ausência de ter lido sequer uns parcos apontamentos sobre a matéria, é gritante. Mesmo que cabulassse, nota-se à légua que não meteu pé em qualquer aula ou disso alguma vez tivesse tido vontade.

Estude “Projecto”, Engenheiro Sócrates, e dê-nos uma luzinha sobre o que quer para este país além do défice. Então, nós, bom povo português, damos-lhe o “canudo”, em forma de utilidade pública, e a chicana morre já.  

sábado, abril 07, 2007

Bife com batatas fritas

A patrística cristã alude à fé e ao conhecimento como duas modalidades distintas e complementares da intelectualidade cristã. Ambas são indispensáveis.
Concordo que conhecimento e fé são distintos, mas não que se complementem. O bife e as batatas fritas complementam-se. Ou a flauta e o violino, ou as calças e a camisola. A fé e o conhecimento são o gato e o rato. Ou se separam, ou há chatice. O conhecimento diz que num sistema que não troca energia com o exterior a entropia não diminui. A fé diz que há um deus que, se quiser, faz com que a entropia diminua num sistema isolado. Isto não é complementaridade. É contradição. Ou se rejeita o conhecimento acreditando que isto é possível, ou se rejeita a fé como uma hipótese refutada. Este é apenas um exemplo entre muitos. Em geral, ou se tem fé, ou se compreende. Não há complementaridade. Quem tem o bife, quer batatas, mas ninguém precisa de ter fé naquilo que já compreende...

A- Se x é impar não é divisível por 2.
B- Se blih transforma bleh em blah, blih de bleh dá blah.
C- A proposição P é verdadeira e falsa ao mesmo tempo.

Rejeitamos C, pois é incoerente: a proposição P não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo. Exigir coerência elimina muitos disparates. Mas não elimina todos: A e B são ambas coerentes, mas B também é disparate.
O supra-empírico defende não vê diferença entre A e B porque a diferença está na correspondência ao empírico.

Há uns anos, a propósito de uma desgraça qualquer que já não me lembro, uma jornalista na televisão perguntou a um transeunte como estava a situação. Ele respondeu que estava tudo empírico. Ela perguntou o que ele queria dizer, e ele esclareceu: «É pá, tá fodido!».

domingo, abril 01, 2007

Dia das mentiras - Mentiras dia a dia


1) Advogado: - A gente ganha esse processo bem rápido.
2) Ambulante: - É garantido. Qualquer coisa, volta aqui que a gente troca.
3) Anfitrião: - Mas, já vai?! É tão cedo! Fica mais um pouco.
4) Aniversariante: - Não tem problema não trazer presente? Sua presença é o que importa.
5) Bebado: - Sei perfeitamente o que estou dizendo.
6) Casal sem filhos: - Visite-nos sempre; adoramos suas crianças.
7) Construtor: - Está quase pronto.
8) Delegado: - Tudo será apurado e os responsáveis serão punidos exemplarmente.
9) Dentista: - Fique tranquilo. Não vai doer nada.
10) Desiludida: - Nunca mais! Eu não quero mais saber de homem!
11) Devedor: - Pago amanhã, sem falta!
12) Canalizador: - O problema é muita pressão que vem da rua..
13) Filha de 17 anos: - Vou dormir na casa de uma colega..
14) Filho de 18 anos: - Volto logo. Antes das 11 estarei estou em casa.
15) Gerente de Banco: - Nossas taxas de juros são as mais baixas do mercado.
16) Inimigo do Morto: - No fundo, era um bom sujeito.
17) Jogador de Futebol: - Foi um bom jogo, nada está perdido.
18) Ladrão: - Não sei. Isso aqui foi um homem que me deu.
19) Mecânico: - É a rebibela da parafuseta.
20) Comerciante: - É muito bom e tem garantia de fábrica.
21) Namorada nova: - Pra dizer a verdade, nem beijar eu sei...
22) Namorado: - Você foi a única mulher que eu realmente amei.
23) Noivo: - Vamos casar o mais rápido possível!
24) Orador: - Vou dizer apenas umas poucas palavras...
25) Pobre: - Se eu ficasse rico eu dava dinheiro a quem precisasse..
26) Recém-Casado: - Te amarei até que a morte nos separe.
27) Sapateiro: - Depois de usar um pouco, ele alarga no pé.
28) Sogra: - Em briga de marido e mulher não me meto.
29) Vagabundo: - Faz 3 anos que estou procurando emprego mas não acho.
30) Viciado: - Essa vai ser a última...Eu juro
31) Marques Mendes : - Eu, baixava os impostos.
32) Ministro da saúde: - Vamos melhorar e alargar os cuidados de saúde.
33) Sócartes: - Vamos criar 150.000 empregos.


sexta-feira, março 30, 2007

A "loucura" capitalista

Os antigos, quando se referiam à loucura, usavam o termo “alienação mental”. O louco, segundo essa concepção, é alguém que deixou de pertencer a si mesmo, é um estranho perante si próprio.
O homem alienado é um homem desprovido de si mesmo. É preciso entender como o homem se constrói, para que saibamos como ele se nega. Foi através do trabalho que o homem se construiu.
O trabalho é ao mesmo tempo criação e tédio, miséria e fortuna, felicidade e tragédia, realização e tortura dos homens. O trabalho volta-se contra o seu criador, quem produz riqueza colhe miséria. No trabalho organizado na sociedade capitalista, ocorre uma ruptura, uma cisão, um divórcio entre o produto e o produtor, o trabalhador produz o que não consome, consome o que não produz. Aí a alienação implica ser e não ser ao mesmo tempo.
Quando o trabalho se transforma em mercadoria, passa a valer a quantidade de trabalho injectado na natureza e não mais a qualidade de trabalho. A mercadoria só será mercadoria na medida em que permita o lucro. O trabalho humano não só se transformou em mercadoria, como também em uma mercadoria especial. Uma mercadoria capaz de ser explorada, porque é comprada pelo preço da sua própria reprodução, ou seja, eu pago ao trabalhador que realiza o produto o necessário para que ele sobreviva e vendo o produto no mercado pelo valor que ele tem. O trabalho, modo de sobrevivência do homem, transformou-se em modo de exploração de um homem pelo outro.
Essa dupla relação -mercadoria e lucro promove a ruptura entre o homem e o seu próprio gesto, entre a acção e o dono dela, entre o trabalho e o seu produtor; eis como a alienação é gerada na nossa sociedade.
O trabalho também é uma via de identificação com o outro, insere-nos num grupo, numa espécie, iguala-nos e diferencia-nos dos outros indivíduos pela via do trabalho, eu significo algo para o outro e o outro significa algo para mim.
No trabalho alienado o outro apresenta-se-me como um ser estranho. A alienação inventa a solidão humana, transforma cada um de nós em seres irreconhecíveis perante o outro.

A razão da existência do capital é o seu próprio crescimento, não só se realiza quando cresce. Ou cria novas necessidades de consumo, ou se apropria de necessidades nunca dantes transformadas em mercadoria.
O capitalismo entra em crise de superprodução cíclica: enquanto faltar produtos o sistema está bem, quando eles existirem ocorrerá uma crise, embora as necessidades básicas estejam longe de serem satisfeitas. A produção, portanto, é consumo dos meios de produção, é consumo de força de trabalho e, por último, é condição para a produção. Uma mercadoria que não vem a ser consumida não se transforma em mercadoria, o consumo é um elo obrigatório na corrente da produção.
O consumo pode num 1ºmomento, alienar-te das relações de produção e consumo. Num 2ºmomento, transforma essa alienação e escravidão em liberdade e fantasia. Num 3º provoca a necessidade de consumir a fantasia que ela criou. O homem produz e não é dono do produto do seu trabalho, realiza-se num produto que se volta contra ele.
Em resumo, o processo de consciencialização, a rebeldia contra o quotidiano, a participação social e política têm um papel bastante importante na luta contra a alienação. A transformação do produto em mercadoria que gera lucro (mais-valia) demanda a transformação do próprio trabalho em mercadoria, vendida e apropriada como qualquer outra. Eis o reinado da alienação: o produto separa-se do produtor, ”enfrenta-o como ser estranho” meu trabalho, meu modo de ser no mundo não me pertence. Por esta via eu me separo de mim mesmo, do outro, da História.

sábado, março 24, 2007

Vamos a madrugar


Eh pá! Outra vez a treta da mundança de hora. Lá vamos novamente a andar a dormir sem vontade e a acordar quando deviamos estar a dormir. Se há coisa que me irrita é esta periódica mudança de horário. E depois, quando já estamos habituados à rotina, toma lá mais uma volta aos ponteiros, que é para não pensares que és esperto.

Para cumprir o início da hora de Verão, à 01h00 da madrugada de domingo os relógios adiantam para as 02h00 em Portugal continental e na Madeira.

De acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa, no arquipélago dos Açores a hora muda às 00h00, devendo os relógios ser adiantados para a 01h00.

Na prática, os portugueses vivem amanhã o dia mais pequeno do ano, com 23 horas, fazendo-se a mudança numa altura em que menos afecta o quotidiano das pessoas, durante a noite e no fim-de-semana.

quinta-feira, março 22, 2007

Outra boa acção

irsf.JPG
Não fiquemos indiferentes ao exercício deste nosso direito de cidadania, que a mais nada nos obriga que ao preenchimento da quadrícula da declaração do IRS, destinada a esse fim.

domingo, março 18, 2007

Contador de luz, água e assinatura telefónica

Sempre fui de opinião que a exigência «ad aeternum» do pagamento do aluguer de um equipamento que serve para medir ou pesar o fornecimento de um bem era, por natureza, iníquo. É como ter de pagar indefinidamente o uso de um equipamento propriedade de terceiro ( que por este me é imposto) e que, embora tendo por fim a manutenção de uma «certa» proporcionalidade das contraprestações de um contrato de fornecimento de um bem, serve fundamentalmente o interesse do seu proprietário (o fornecedor desse bem). É como ter de pagar numa estação de serviço uma taxa autónoma (ainda que mínima) pela utilização da bomba abastecedora de combustível, ou da balança do vendedor num mercado.

É que o peso do eterno e «insubstituível» aluguer da água, electricidade, telefone (e eventualmente outros quejandos serviços e abastecimentos) é sobretudo extremamente significativo na factura mensal dos consumidores menos abastados, justamente aqueles que em razão de possuírem menos equipamentos (ou com menor potência) menos consomem, ou aqueles que por uma ou outra razão ( v.g. ecológica) têm o cuidado de controlar os seus consumos. Em não poucos casos destes tipos de consumidores, o valor do aluguer (eufemisticamente também chamado de «assinatura») é idêntico ou mesmo superior ao do serviço efectivamente prestado ou bem consumido.

A Assembleia da República aprovou no Dia Mundial do Consumidor, uma alteração à lei dos serviços públicos essenciais que prevê a proibição da cobrança de taxas de aluguer dos contadores. No entanto, a avaliar pelas posições dos distribuidores de electricidade, água e gás, o consumidor não tem motivos para festejar uma descida nas facturas. Esperaremos que as questões da fixação dos escalões do consumo ou do serviço prestado (seus níveis e valor das correspondentes unidades) bem como de um eventual consumo mínimo sejam criteriosamente ponderadas.

quinta-feira, março 08, 2007

Comemoração e luta


Foi hoje aprovada a Lei da despenalização da interrupção da gravidez.
Um acontecimento, resultado de luta das mulheres pela sua DIGNIDADE.
Passo a passo as mulheres vão conquistando o lugar a que tem direito.
Esta vitória é um exemplo para todos nós.
É LUTANDO QUE SE VENCE.

sexta-feira, março 02, 2007

A encarnação do oportunismo

O Paulinho, novamente, atrás daquela imagem trabalhada de respeitabilidade e de ridícula pose de politico sério e de grande estadista, não passa de um exímio cínico, o que não deixa de ser uma arte menor em pessoas como ele. E, em boa verdade, com mais ou menos estragos que ele possa fazer, o seu sucesso ou insucesso relativos não dependem só dele. Dependem, também, dos outros partidos e do governo.
Agora regressa, para aproveitar o vazio de liderança da direita, criado por Marques Mendes e pela sua própria sabotagem da liderança do CDS.
Esta figura ridícula excede os seus próprios limites do oportunismo e da deslealdade.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

E que o Senhor te acompanhe, Amen


É realmente fantástica a campanha existente para que, o funcionário BCP/Opus Dei, se mantenha como Director Geral de Impostos e o parco salário de mais de 23.000 euros mensais. A sua competência é endeusada e os resultados alvo de sonoros aplausos.
Mas, estranhamente parece que esta ideia é mais uma ilusão criada que uma realidade.

Num excelente post colocado no blog “O Jumento”, encontrei os seguintes números sobre a evolução da receita desde 1996, segundo os dados da Direcção-Geral do Orçamento:
1996-1995: + 7,6%
1997-1996: + 10,4%
1998-1997: + 10,1%
1999-1998: + 8,1%
2000-1999: + 7,7%
2001-2000: + 4,4%
2002-2001: + 9,4%
2003-2002: + 1,6%
2004-2003: - 0,2% (Paulo Macedo)
2005-2004: + 5,1% (Paulo Macedo)
2006-2005: + 7,2% (Paulo Macedo)

Por estes números pode-se ver o embuste que existe sobre o assunto. Mas para um melhor esclarecimento pode ler todo o texto sobre o assunto [AQUI].

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Rei das Bananas e dos Tomates


Este carnaval, Alberto João não precisou de fantasia para ser eleto o Rei das Bananas e dos Tomates.
Depois de "Proclamar" que os portugueses que aceitaram o resultado do Referendo não tinham testículos.
Aproveitou, agora, a quadra e veio mais uma vez desfilar de "Salvador da Pátria" madeirense. Empunhando o espantalho das Finanças Regionais, dá um "golpe de estado", pretendendo convocar e transformar uma eleição antecipada num plesbicito salazarista, concentrando, por via dos votos, o poder totalitário nas mãos do Rei do Arquipélago das Bananas e dos Tomates.

domingo, fevereiro 18, 2007

Muita Saudade, Meu Velho!

A vida passa e a saudade
passa a ser a vida ausente,
- é uma vaga claridade
de um clarão de antigamente...

Saudade boa é a que existe
na espera... que há de chegar...
Mas há uma saudade triste
que fica sempre a esperar...

O tempo tudo desbasta
mas nem a tudo desfaz:
a saudade não se gasta
com o tempo aumenta mais!

Sentir saudade, não é
ser infeliz, - pensa bem,
- mais infeliz é quem nunca
sentiu saudades de alguém.

De JG de Araujo Jorge

Não façam pouco do Zé


E não é que agora vem este "genecologista dos números" também querer fazer uma leitura à Marcelo, do resultado do referendo, participando dum boicote organizado por parte de quem não aceita o resultado expresso nas urnas.
Defendo que a mulher seja aconselhada e informada das alternativas a que tem direito, mas não concordo, e isso estava bem claro na pergunta do referendo, que o aconselhamento seja obrigatório, nem que os médicos sejam transformados em novos policias ou juizes organizados em comissões. O médico, obrigatoriamente, deve estar disponivel para o aconselhamento, mas a mulher, nas primeiras 10 semanas é livre de pedir ou não essa ajuda.
Saber respeitar o voto do Zé Povinho, é o que se exige a Cavaco. Agora quem tem a responsabilidade de fazer uma lei equilibrada é a Assembleia da República. Quanto a Cavaco, não desequilibre, por favor. É essa a sua responsabilidade.

domingo, fevereiro 11, 2007

Venceu a DIGNIDADE

 
A vitória do SIM vem resolver um grave problema de saúde pública e mostrar que Portugal já não é um protectorado do Vaticano.

É a derrota da Igreja Católica às mãos do povo português, a primeira humilhação do clero pelos eleitores, o desprezo pela Conferência Episcopal Portuguesa, o vilipêndio do Papa e o desdém pelas lágrimas de sangue com que a Senhora de Fátima sujou as caixas de correio dos portugueses.

Em primeiro lugar foi uma vitória das mulheres que se libertaram da clandestinidade e dos riscos que lhe estavam associados: perigo de vida, perseguições judiciais, devassa da vida íntima e humilhações cruéis.

Ganharam depois todos os que defendem uma maternidade consciente e desejada, sem estigmas nem medos.

Há agora condições legais para ajudar as mulheres e evitar o recurso à praga do aborto, para relançar uma política de apoio à maternidade, sem a impor, para que a gravidez ou a sua interrupção sejam medicamente assistidas e não policialmente vigiadas.

Esta é uma vitória civilizacional que colocará a lei portuguesa a par da dos países mais laicizados da Europa, dos EUA e do Canadá, deixando a companhia pouco estimável da Polónia, Malta e Irlanda.

Finalmente, o pecado deixou de fazer parte do Código Penal e os clérigos da polícia dos costumes. A vocação totalitária da Igreja romana pereceu nas urnas com padres-nossos, missas, terços e novenas desperdiçados na campanha terrorista do Não. Nem as hóstias deglutidas pelos beatos ajudaram.

A fraude de Deus foi posta à prova. Os cidadãos derrotaram o Deus misógino que odeia o sexo e a liberdade.

um artigo de Carlos Esperança

Exerça, SIMplesmente, o seu direito cívico


 

sábado, janeiro 27, 2007

10 Razões para votar "SIM"


Antes de mais devo esclarecer que uso a palavra aborto sem preconceitos, é-me indiferente que lhe chamem aborto, IVG ou mesmo o termo mais usado pelo povo que é desmancho. Sou contra o aborto e quero que sejam feitos no menor número possível. A realidade é que o aborto clandestino não só é um mal condenável como deve ser combatido com firmeza e neste momento o debate já não está entre a vida e a morte, o haver ou não abortos, o que os partidários do "Não" têm vindo a dizer é que o aceitam e não querem prender as mulheres, desde que seja mantido na clandestinidade.

Deixo aqui as dez razões que me levam a votar "Sim" no referendo:

1 - Porque os partidários do “Não” estiveram tempo suficiente no poder para fazerem prova da sinceridade das suas propostas.

2 - Porque as leis são para aplicar e se for mantida uma pena de prisão é essa que os juízes devem aplicar. A solução do “Nim” apenas serve para liberalizar o aborto clandestino.

3 - Porque os custos psicológicos e físicos de um abordo clandestino, perseguido judicialmente e condenado socialmente são infinitamente maiores.

4 - Porque se os custos do aborto clandestino forem todos contabilizados (custos administrativos da polícias e tribunais, custos do tratamentos no SNS, perdas de horas de trabalho, etc.) são superiores ao do legal.

5 - Porque não me cabe a mim condenar uma decisão que à mulher diz respeito e muito menos impor as minhas convicções éticas ou religiosas não aceites pela generalidade da sociedade como padrão do direito penal.

6 - Porque o aborto clandestino estimula a criminalidade e favorece a evasão fiscal. Admitir o aborto clandestino ao sugerir que se mantenha a lei e fechem os olhos é alimentar o mercado paralelo da saúde.

7 - Porque desejo que o aborto clandestino seja combatido sem que as vítimas desse combate sejam as mesmas vítimas dessa má solução.

8 - Porque considero que manter a lei à custa da sua ineficácia serve para estimular o aborto mantendo-o à margem da sociedade.

9 - Porque é mais fácil tratar problema no SNS do que fazendo de conta que não existe. É mais fácil ajudar uma mulher atendendo-a no SNS do que mandando-a para a clandestinidade ou sugerindo-lhe que se dirija às instituições de caridade (onde muito dos partidários do “Não” usam para redimir os seus pecados).

10 - Porque não quero que o meu voto seja uma sentença condenatória para mulheres que não tenho o direito de mandar para a prisão, e muito menos que essa prisão sirva apenas para meu conforto condenando pessoas que não conheço em função dos meus conceitos e preconceitos religiosos. Quem sou eu para atirar a primeira pedra?

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Poema pelo "SIM"


De meu tenho este corpo de mulher.
Minhas as mãos
Minha a cabeça
E as pernas
E o ventre
E o sexo.
Tudo o que no meu corpo tenho
Fora e dentro.
É meu!
Minha é a escolha do corpo bem ou mal tratar,
Minha é a liberdade de o viver,
Ou do corpo não querer
Mais a vida e o respirar.
Meu é o sexo
E minha a liberdade de amar rejeitando a concepção.
Porque meu o corpo
E minha a decisão
Do que quero do meu corpo fazer.
Se eu cortar um braço.
Alguém me penaliza?
Se eu cortar uma perna.
Alguém o desautoriza?
Alguém legisla sobre pernas e braços e outras partes do corpo que é meu?
Recuso que o meu corpo seja discutido!
Recuso que o meu corpo seja debatido!
Recuso que o meu corpo seja ofendido
Violado e limitado
Por discursos demagógicos e humilhantes
E ofensivas ameaças de prisão.
Sobre o meu corpo ninguém legisla!
Só eu!
Minha é a escolha de conceber e criar
Ou de recusar
Que um óvulo me cresça dentro.
Porque meu o ventre!
Meu o corpo!
Minha a vida!
Minha a decisão!
E minha a liberdade
De parir ou não!
...
Se eu cortar um braço
Alguém me penaliza?
Se eu me maltratar
Vou para a prisão?


escrito por encandescente

sábado, janeiro 13, 2007

Demagogia barata



Este folheto vergonhoso é apenas uma pequena amostra da campanha de intimidação, completamente sem argumentos e, espero eu, contraproducente da Igreja Católica.
De facto, ao restringir-se estritamente a argumentos religiosos torna-se óbvio para todos que vamos referendar apenas um dogma religioso, que não há uma única razão objectiva - científica, biológica, ética ou de Direito - para criminalizar o aborto.
Só nos países em vias de desenvolvimento ou sub-desenvolvidos encontramos teocracias e sociedades que não reconhecem a mulher como um ser humano de plenos direitos. A construção de um Portugal melhor passa pelo resultado do referendo: a vitória do SIM será igualmente a vitória do Portugal moderno!

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Ele há cada uma!

Paulo Macedo, director-geral dos Impostos e quadro do BCP, banco do Opus Dei, que aufere de um vencimento bruto superior a 23 mil euros, encomendou uma missa, supostamente de acção de graças pela DGCI e pelos seus funcionários, para que todos - independentemente da confissão ou falta dela - foram convocados. A cerimónia realizou-se anteontem, às 18 horas e 30 minutos, na Sé de Lisboa.
Fontes bem informadas dizem, que a verdadeira intenção é pedir a intercepção divina no sentido de fazer descer o Espírito Santo sobre as cabeças do Sócrates e o do Ministro das Finanças, por forma a encontrarem uma solução que mantenha o Paulinho das Missas com um vencimento superior ao G.W. Bush.
Até, os defensores da dignidade da carreira politica já vão dizendo que não é o Macedo que ganha muito, mas sim eles que ganham pouco. Assim, a solução poderá passar por actualizar o vencimento do 1º ministro para 23 mil euros e já não será necessário dispensar o Carola das Finanças.

domingo, janeiro 07, 2007

Terrorismo de sapatinhos roxos


Este mundo continua a oferecer coisas insólitas. Há sempre mais uns pozinhos que se adicionam ao impensável. A credibilidade das instituições mede-se também pela tendência de asneirar (numa medida de proporcionalidade inversa). Porventura desnorteada pelo andar dos tempos, e por se sentir cada vez mais desfasada do mundo que existe, a igreja tem-se destacado na arte da tolice. Uma infindável série de tiros no pé, para deleite dos adversários.

O papa falou às hostes por ocasião do novo ano. Da lição de moral constava uma referência ao aborto. Na prédica, Bento XVI comparou o aborto ao terrorismo.As mulheres que praticam o aborto são comparadas a terríveis terroristas que levam a vida de inocentes com a detonação das bombas que covardemente espalham. É uma discussão infindável, a que envolve os partidários e os adversários do aborto: saber se o feto é vida humana, e a partir de que momento o embrião é considerado ser humano portador de direitos que assistem às pessoas. O simplismo da comparação papal é um golpe oportunista: "tal como as vítimas do terrorismo são pessoas inocentes, também os embriões alojados no ventre materno são inocentes a quem as mulheres decepam a existência quando decidem abortar".

Para além de golpe oportunista, é um enviusamento mental. Não há como comparar o que não é comparável: ao nível da violência usada no terrorismo, que não está presente no aborto; o terrorismo leva vidas de pessoas a quem é reconhecida, de forma incontestável, personalidade jurídica, enquanto os embriões que nidificam no ventre materno não têm essa autonomia, são dependentes da mãe que os hospeda; e porque o aborto não é homicídio, como acontece com os resultados do terrorismo. A desorientação da igreja mostra a sua anacrónica veia. Colocar ao mesmo nível aborto e terrorismo pode apaziguar crentes e adversários da legalização do aborto. Com o custo, muito elevado, de não perceberem que escorregam para a desonestidade intelectual. Que seja urgente arregimentar as hostes perante os desafios que a igreja não consegue vencer – nomeadamente, viver a compasso do tempo que corre – é compreensível. Contudo, os devotos católicos são educados para a não contestação dos dogmas. Decerto não terá sido aos fiéis que a mensagem se dirigia. A prédica papal teria como destinatários os que começam a hesitar na fé e as ovelhas tresmalhadas.

A retórica é uma arte sublime. Bento XVI, que por encabeçar a igreja católica tem especiais responsabilidades, devia ter a sensatez de medir as palavras. Para não passar a imagem de um terrorista intelectual que amedronta mulheres mais frágeis que já praticaram o aborto e que, por devoção, hão-de carregar até ao fim da vida o peso do supremo pecado sancionado pelo papa. Isto é terrorismo mental. O seu promotor é um terrorista que armadilha as consciências de quem fica preso às amarras da angústia, depois de escutar as "sempre sábias" palavras papais.

O que falta ao papa (e à igreja em geral) é um consultor de marketing...

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Natal utópico


Imaginei um Natal humanitário, sui generis: sem poluição, sem violência, sem racismo, nem guerras, sem exploradores, sem explorados! Um Natal em que os homens e mulheres independentemente do sexo, da cor, do país de nascimento, da religião que professam, do tamanho, da força física, da inteligência, de credos políticos e ideológicos se dêem a mão como amigos, como irmãos, como iguais.

Um Natal em que os homens resolvam eliminar as armas químicas, bacteriológicas, atómicas, de hidrogénio; abandonar as pesquisas bélicas, desmilitarizar generais e soldados, derreter os tanques, as espingardas, as pistolas e metralhadoras, enfim, todas as armas e com essa matéria-prima fabricar ferramentas, máquinas agrícolas e industriais.

Um Natal com mágicos poderes para apagar todas as leis dos alfarrábios e dos cérebros, transformar os quartéis, seminários, igrejas e prisões em museus e escolas novas destinadas a educar, instruir e despertar a Humanidade só para praticar o bem. Abolir as cercas convencionais, conhecidas por fronteiras, acabar com as nacionalidades, os idiomas que separam, dividem e tornam os homens adversários, inimigos, gerando guerras. Um Natal que eleja o Esperanto como elo de ligação e entendimento entre os seres humanos. Um Universo sem policiais, juízes, advogados, funcionários burocráticos, comerciantes, banqueiros; livre de hierarquias, de homens e mulheres ligados só pelo Amor, associados em comunidades de afinidade, autogestionárias, de grandes famílias capazes de produzir (cada um fazendo o que sabe ou pode e recebendo o que precisa), até alcançar a igualdade de acesso a alimentos, vestuário, transporte, moradia e demais bens materiais, educação, ensino e lazer de forma a proporcionar a felicidade de todos.

Nesse Natal por mim imaginado um homem só valia um homem e como tal todos teriam iguais direitos e deveres. Não haveria lugar para o ódio, rancor, inveja, a ambição, a ganância, ninguém se escravizaria para acumular fortuna, porque o dinheiro e a propriedade privada não existiriam mais, haviam sido abolidos. Seria um Natal sem negociatas, sem ninguém para comprar e vender produtos, indulgências, armas para matar gente e comprar consciências, a boa vontade de funcionários, da assistência médica, dos servidores públicos, enfim, não haveria corruptores, corruptos, nem ladrões...

No meu Natal não existiria gente dormindo nas calçadas, debaixo dos viadutos, nos bancos dos jardins, pocilgas sem luz, sem ar, nem gente estragando alimentos que faltam a milhões de crianças e adultos, num mundo que teimam em proclamar de civilizado e cristão. Cheio de gente se enganando, envenenando e matando mutuamente, robotizadas e alienadas, vivendo em permanente conflito com o Ser e o Parecer, cada um disputando o seu espaço vital, sempre aperfeiçoando estratégias, cada vez mais sofisticadas, para suplantar os menos audaciosos e os mais dependentes.

Seria um Natal sem leis, expressão da vontade dos conquistadores, enunciando como querem eles governar seus súbditos e que os outros lhes obedeçam.

Um Natal onde a felicidade de um fosse a felicidade de todos!

Em suma, imaginei um Natal impossível enquanto os seres humanos teimarem em viver às custas dos seus semelhantes, implantando, para isso, sistemas políticos e religiosos capazes de convencer (por meios "divinos", jurídicos ou na pancada) os menos inteligentes e os acomodados que desde que o mundo é mundo sempre existiram pobres e ricos...

Eu discordo!

A natureza tudo deu de graça aos homens, por isso ninguém pode negar a esse mesmo homem o direito à sua parcela neste mundo que também é seu, que é de todos nós!

Será um Natal utópico, dirão! Mas é o que pode imaginar hoje um ateu: Um Natal de Todos. Humanista, por isso belo.

UM NATAL IMAGINÁRIO - 2ªparte
de Edgar Rodrigues
 

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Feliz Solstício de Inverno


Estamos diante de mais um dia de grandes contrastes, uma data que teve a sua origem na imperfeição do velho calendário, saído, como se sabe, dos solstícios, ou seja, das duas épocas do ano em que se registram alternadamente a mais longa noite e o maior dia.

A época da noite mais comprida é o solstício de Inverno. E como, nos dois hemisférios, as estações são inversas, o que é o solstício de Inverno para o hemisfério norte é o solstício de verão para o hemisfério sul, e vice-versa.

Os antigos ignoravam que existisse uma parte da Terra onde houvesse o verão enquanto os europeus e asiáticos viviam o Inverno. Julgavam que o solstício de Inverno marcava a época da mais longa noite para a Terra inteira.

Em seus mitos solares, faziam nascer o deus Sol no solstício de Inverno, no momento em que os dias começavam a crescer. A sua juventude era no equinócio da primavera. No solstício de verão raiava em todo o esplendor da sua força, e depois do equinócio de Outono, na regressão da sua idade, envolvia-se num escuro invasor.

Entre os povos do Oriente, o sol nascente era representado por um menino no colo de uma Virgem celeste, sua mãe. Os egípcios, em especial, celebravam todos os anos, no solstício de Inverno, o nascimento do pequeno Horus, filho da virgem Isis, e sua imagem era exposta, num presépio à adoração do povo.

A grande imperfeição do velho calendário romano, chamado de Numa, apesar das intercalações periódicas, feitas pelos padres, de um mês completo de tamanho variável, no tempo de Júlio César o ano estava atraso mais de 60 dias da época em que devia ter início. O ditador chamou o astrónomo alexandrino Sosígenes para refazer a diferença.

Para este a duração do giro da Terra em volta do Sol era de 365 dias e 6 horas, dando então origem ao ano de 365 dias com a reserva de 6 horas excedentes para formar um tricentésimo sexagésimo sexto dia a juntar cada 4 anos. Propunha ainda o começo do ano no solstício de Inverno. Mas César, para não chocar os demais habitantes romanos, preferiu que o 1 de Janeiro do ano da reforma Juliana fosse colocado não no solstício mesmo mas no dia da Lua nova imediata. Ora, nesse ano, a Lua recaía 8 dias depois do solstício de Inverno. Isso deu resultado a que, no calendário Juliano, o solstício correspondesse não ao 1 de Janeiro, mas a 25 de Dezembro.

O dia 25 de Dezembro tornou-se, então, no novo calendário imposto ao império romano, como data oficial da festa que celebrava por toda a parte o nascimento do Sol, de Horus egípcio, do Mirtha persa, do Phebo grego e romano, etc.

A Igreja ao sentar-se no trono imperial com Constantino, cerca de um século após a época de Júlio César, aproveitou a festa do solstício de Inverno, do menino Horus nos braços da Virgem Isis para transformá-lo em festa do Natal, que se comemora até aos nossos dias das formas mais extravagantes, possíveis e imagináveis.


Natal é também Província da República da África do Sul, capital do estado brasileiro do Rio Grande do Norte e significa nascimento, reunião, festa da família, época de grandes negócios...

UM NATAL IMAGINÁRIO - 1ªparte
de Edgar Rodrigues

domingo, dezembro 10, 2006

Natais do capital

Rádios, televisões, jornais, anunciam, promovem, incitam: «faça já as suas compras de natal»! «80% das compras serão feitas na primeira quinzena de dezembro»! «aproveite as promoções»!
As conotações evangélicas da pobreza foram cultivadas durante séculos como caminho seguro para o céu (assumindo a Igreja a boa gestão da caridade e do socorro aos pobres). Mas «pobres», agora, «já não existem». Na sociedade de mercado (capitalista) proclamada como «fim da História» e «fim das classes», só há «excluídos» e consumidores.
Proclamando o advento da «sociedade de consumo», com as correspondentes alterações sociais, económicas, culturais e comportamentais, os interesses dominantes subverteram as imagens e alegorias tradicionais do Natal.
Assim o shopping substituiu com naturalidade o presépio nas imagens de referência, como alternativa virtual para quem não pode materializar os seus sonhos mais profundos.
O shopping reúne, na verdade, uma série de elementos que enchem os olhos de «pós-modernidade» e apetência de consumo. São frequentados até por aqueles que não tem salário. Vitrinas luminosas praticam a economia das diferenças, num ambiente confortável e tranquilo que deixa lá fora a chuva e os conflitos da sociedade. E neles o capital oferece em redoma asséptica o tom de vida apresentado por Huxley no seu livro «O admirável mundo novo».
No quadro da grande operação de retrocesso social em curso os «shopping centers» e as promoções de venda são usados como fonte espiritual obsessivamente apontada a todo o consumidor que almeja comemorar o Natal nos quadros da «normalidade social».
Bom é que as pessoas não desistam de manter os sentimentos que tradicionalmente marcam o natal e o ano novo. Mas necessário é que não esqueçam os presentes de natal que o governo PS está embrulhando para pôr no sapatinho como prenda de ano novo. Como é o caso, por exemplo, do novo orçamento.
Cada vez mais arrogantemente direitos sociais como a educação, a saúde, a segurança social, inerentes ao próprio desenvolvimento da sociedade, são agora sujeitos, pelos sócrates de serviço, às leis do mercado: quem os quiser, tem de os comprar. como se compra a roupa, o carro, o champô.
Na mira do capital surge cada vez mais como alvo a «privatização» do ser humano, como um ser autista, indiferente aos valores da solidariedade, da justiça, da amizade, do amor. Cada vez mais condicionado para se isolar, para não participar em causas colectivas, não acreditar na possibilidade de mudar a sociedade e a vida.
Mas privatizar o ser humano nunca será possível: o ser humano é por natureza um ser social, que só socialmente realiza a sua humanidade. Por isso mesmo haverá sempre quem não aceite que seja posto à venda o direito humano de transformar o mundo.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Sim! Aqui, não há hipocrisia.

A penalização do aborto priva as mulheres de exercerem na sua plenitude os seus direitos sexuais e reprodutivos e é, só por isso, uma questão política. A Carta dos Direitos Sexuais e Reprodutivos, da Federação Internacional de Planeamento Familiar, afirma, no seu ponto 4, que “todas as mulheres têm o direito de efectuar escolhas autónomas em matéria de reprodução, incluindo as opções relacionadas com o aborto seguro”. A Plataforma de Acção de Pequim, aprovada pelo Estado português, declara, no seu ponto 96, que “os direitos humanos das mulheres incluem o direito de controlar os aspectos relacionados com a sua sexualidade, incluindo a sua saúde sexual e reprodutiva e de decidir livre e responsavelmente sobre essas questões, sem coacção, discriminação ou violência”.
A actual lei de criminalização do aborto é injusta socialmente. É uma lei que aos ricos não afecta porque podem ir fora do país e fazer o aborto. As causas para o aborto são várias: porque as mulheres já tinham filhos; porque eram novas; porque foram abandonadas pelo respectivo companheiro; porque não tinham condições para o criar; ou porque, pura e simplesmente, não queriam. A lei deve, de facto, estabelecer o domínio das garantias da liberdade e da responsabilidade, e não deve procurar impor ou punir comportamentos que relevam da escolha pessoal, familiar ou social. A lei actualmente existente não previne o aborto clandestino, antes acarreta para as mulheres que optam pela interrupção voluntária da gravidez não só danos físicos de abortos feitos em condições clandestinas e deficientes em termos de saúde, mas também danos psicológicos agravados pela criminalização do acto praticado.
Já se arrasta há muito tempo o impasse que é um produto da religião católica. Quem como eu é a favor da despenalização não quer impor nada, quer apenas o direito de opção que poupa o sofrimento e a dor que essa discussão envolve.
Despenalizar a Interrupção Voluntária da Gravidez é a única forma de pôr fim às sucessivas investigações, devassas, humilhações, julgamentos e condenações de mulheres que nos últimos anos se repetiram em vários processos judiciais em Portugal.

domingo, novembro 26, 2006

The Kid

Jerónimo de Sousa dirigiu-se também ao PSD, afirmando que, para o líder social-democrata Marques Mendes, «deve ser muito difícil ser prior nesta freguesia»: «Se faz propostas mandam-no estar calado, se não faz dizem que não faz oposição».

«O problema não está em Marques Mendes, está em quem manda no PSD e quem manda no PSD é o poder económico que acha que Sócrates não só serve como não deve ser estorvado», disse.

Portugal Diário, 18 Novembro 2006

quarta-feira, novembro 08, 2006

Zona de Conforto


Um corvo está sentado numa árvore o dia inteiro sem fazer nada. Um pequeno coelho vê o corvo e pergunta: "Eu posso sentar-me como você e não fazer nada o dia inteiro?" O corvo responde: "Claro, porque não?" O coelho senta-se no chão em baixo da árvore e relaxa. De repente uma raposa aparece e come o coelho.

Nota:
Para ficar sentado sem fazer nada, você deve estar sentado bem no alto.

domingo, novembro 05, 2006

É gente desta que o País precisa!


Para entrevistar um grande dirigente, só poderia ser um grande jornalista.
Um grande bem haja, aos dois.
Levantam a moral a qualquer equipa.

domingo, outubro 29, 2006

Salazar - versão Séc. XXI


Está a cumprir-se o desejo daqueles que clamavam por um "novo Salazar".
Apesar de nos deixar chamar-lhe: Mentiroso, Aldrabão, Arrogante e outros epítetos, o "nosso Primeiro", tal como Salazar, vai encher os cofres do Estado, mas vai pôr-nos a pão e água. Só os ricos terão direito à saúde e à protecção social, os outros arrastar-se-ão nas filas dos poucos hospitais e maternidades centrais e nas filas da Assistência Social, à boa maneira salazarista.

Tudo:

"A Bem da Redução do Défice"

quarta-feira, outubro 25, 2006

Blins, porque sim !


Os Blins são os perfeitos criadores do Universo, omnipotentes, omniscientes e omniverdes. São a Origem e o Fim, a Vida e a Morte, o A e o Ya. O blinólogo escolástico São Francisco de Alcabideche declarou em 1208 que os Blins seriam também aqueles alfinetes com cabeça em forma de joaninha que se espetam nas plantas de plástico. Historiadores modernos afirmam tratar-se de um erro na tradução do original hebraico, mas hoje em dia a adoração destes adereços é uma parte importante do culto Bliniano.

Porquê estudar os Blins?

O estudo dos Blins é o mais elevado empreendimento do intelecto humano, pois é a única via para revelar o propósito do Universo, o sentido da vida, e a verdadeira utilidade dos alfinetes com cabeça em forma de joaninha.

Mas não há evidências que os Blins existam, pois não?

A existência dos Blins é uma questão metafísica e transcendente que não pode ser abordada pela ciência, pois o método científico assume à partida uma posição exclusivamente ablínica. Mais, aceitar a existência dos Blins é um acto de fé, e a única forma de receber a Sua graça. Por isso nunca poderá haver argumentos ou evidências que demonstrem a existência dos Blins.

E se a fé não me chega para aceitar que os Blins existem?

Nesse caso, há argumentos e evidências que demonstram a existência dos Blins. Por exemplo, o argumento ontológico. Sendo os Blins os seres mais perfeitos que se pode conceber, e sendo um ser que existe mais perfeito que um que não existe, forçosamente os Blins terão que existir. Podemos também demonstrar a sua existência pelo argumento da afirmação, que diz que os Blins existem porque sim.
As evidências são também claras. O Universo é de tal forma complexo que a sua origem não pode ser explicada pelo acaso, o que prova que é uma criação dos Blins. Também a natureza humana testemunha a existência dos Blins, pois todos os povos e culturas crêem em seres sobrenaturais.

Quantos Blins existem?

O Credo Blim é bastante claro e explícito, dispensando qualquer explicação: «Creio em três Blins, e apenas três. Creio que os Blins são exactamente vinte e seis, e o seu número, que é quantos são, é trezentos e doze. Excepto às quartas feiras.»

Mas isso não é uma contradição?

Não.

Como explicar a existência do vermelho?

Este um dos grandes problemas por resolver na blinologia. Sendo os Blins omnipotentes e omniverdes, a existência do vermelho é algo surpreendente. Será talvez um mistério que ficará para sempre além da compreensão humana. Mas a hipótese mais aceite é que a existência do vermelho foi consequência do livre arbítrio humano, e da escolha que levou à expulsão do Paraíso, onde tudo era verde. Este exercício de vontade que levou a espécie humana a afastar-se da perfeição do verde é relatado com grande beleza nos escritos sagrados Blim, nomeadamente na história de Lucinda, o tremoceiro, e os três porcos cantores.

E o que faz um blinólogo?

Como investigador, o blinólogo pesquisa textos antigos de blinólogos já falecidos, num esforço incessante para rescrever as mesmas ideias em frases ligeiramente diferentes. Este trabalho de leitura e contemplação metafísica tornam-no especialmente apto para se pronunciar sobre temas como a investigação em medicina, genética molecular, contracepção, e a orientação sexual de cada indivíduo.