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sábado, abril 07, 2007

Bife com batatas fritas

A patrística cristã alude à fé e ao conhecimento como duas modalidades distintas e complementares da intelectualidade cristã. Ambas são indispensáveis.
Concordo que conhecimento e fé são distintos, mas não que se complementem. O bife e as batatas fritas complementam-se. Ou a flauta e o violino, ou as calças e a camisola. A fé e o conhecimento são o gato e o rato. Ou se separam, ou há chatice. O conhecimento diz que num sistema que não troca energia com o exterior a entropia não diminui. A fé diz que há um deus que, se quiser, faz com que a entropia diminua num sistema isolado. Isto não é complementaridade. É contradição. Ou se rejeita o conhecimento acreditando que isto é possível, ou se rejeita a fé como uma hipótese refutada. Este é apenas um exemplo entre muitos. Em geral, ou se tem fé, ou se compreende. Não há complementaridade. Quem tem o bife, quer batatas, mas ninguém precisa de ter fé naquilo que já compreende...

A- Se x é impar não é divisível por 2.
B- Se blih transforma bleh em blah, blih de bleh dá blah.
C- A proposição P é verdadeira e falsa ao mesmo tempo.

Rejeitamos C, pois é incoerente: a proposição P não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo. Exigir coerência elimina muitos disparates. Mas não elimina todos: A e B são ambas coerentes, mas B também é disparate.
O supra-empírico defende não vê diferença entre A e B porque a diferença está na correspondência ao empírico.

Há uns anos, a propósito de uma desgraça qualquer que já não me lembro, uma jornalista na televisão perguntou a um transeunte como estava a situação. Ele respondeu que estava tudo empírico. Ela perguntou o que ele queria dizer, e ele esclareceu: «É pá, tá fodido!».

domingo, abril 01, 2007

Dia das mentiras - Mentiras dia a dia


1) Advogado: - A gente ganha esse processo bem rápido.
2) Ambulante: - É garantido. Qualquer coisa, volta aqui que a gente troca.
3) Anfitrião: - Mas, já vai?! É tão cedo! Fica mais um pouco.
4) Aniversariante: - Não tem problema não trazer presente? Sua presença é o que importa.
5) Bebado: - Sei perfeitamente o que estou dizendo.
6) Casal sem filhos: - Visite-nos sempre; adoramos suas crianças.
7) Construtor: - Está quase pronto.
8) Delegado: - Tudo será apurado e os responsáveis serão punidos exemplarmente.
9) Dentista: - Fique tranquilo. Não vai doer nada.
10) Desiludida: - Nunca mais! Eu não quero mais saber de homem!
11) Devedor: - Pago amanhã, sem falta!
12) Canalizador: - O problema é muita pressão que vem da rua..
13) Filha de 17 anos: - Vou dormir na casa de uma colega..
14) Filho de 18 anos: - Volto logo. Antes das 11 estarei estou em casa.
15) Gerente de Banco: - Nossas taxas de juros são as mais baixas do mercado.
16) Inimigo do Morto: - No fundo, era um bom sujeito.
17) Jogador de Futebol: - Foi um bom jogo, nada está perdido.
18) Ladrão: - Não sei. Isso aqui foi um homem que me deu.
19) Mecânico: - É a rebibela da parafuseta.
20) Comerciante: - É muito bom e tem garantia de fábrica.
21) Namorada nova: - Pra dizer a verdade, nem beijar eu sei...
22) Namorado: - Você foi a única mulher que eu realmente amei.
23) Noivo: - Vamos casar o mais rápido possível!
24) Orador: - Vou dizer apenas umas poucas palavras...
25) Pobre: - Se eu ficasse rico eu dava dinheiro a quem precisasse..
26) Recém-Casado: - Te amarei até que a morte nos separe.
27) Sapateiro: - Depois de usar um pouco, ele alarga no pé.
28) Sogra: - Em briga de marido e mulher não me meto.
29) Vagabundo: - Faz 3 anos que estou procurando emprego mas não acho.
30) Viciado: - Essa vai ser a última...Eu juro
31) Marques Mendes : - Eu, baixava os impostos.
32) Ministro da saúde: - Vamos melhorar e alargar os cuidados de saúde.
33) Sócartes: - Vamos criar 150.000 empregos.


sexta-feira, março 30, 2007

A "loucura" capitalista

Os antigos, quando se referiam à loucura, usavam o termo “alienação mental”. O louco, segundo essa concepção, é alguém que deixou de pertencer a si mesmo, é um estranho perante si próprio.
O homem alienado é um homem desprovido de si mesmo. É preciso entender como o homem se constrói, para que saibamos como ele se nega. Foi através do trabalho que o homem se construiu.
O trabalho é ao mesmo tempo criação e tédio, miséria e fortuna, felicidade e tragédia, realização e tortura dos homens. O trabalho volta-se contra o seu criador, quem produz riqueza colhe miséria. No trabalho organizado na sociedade capitalista, ocorre uma ruptura, uma cisão, um divórcio entre o produto e o produtor, o trabalhador produz o que não consome, consome o que não produz. Aí a alienação implica ser e não ser ao mesmo tempo.
Quando o trabalho se transforma em mercadoria, passa a valer a quantidade de trabalho injectado na natureza e não mais a qualidade de trabalho. A mercadoria só será mercadoria na medida em que permita o lucro. O trabalho humano não só se transformou em mercadoria, como também em uma mercadoria especial. Uma mercadoria capaz de ser explorada, porque é comprada pelo preço da sua própria reprodução, ou seja, eu pago ao trabalhador que realiza o produto o necessário para que ele sobreviva e vendo o produto no mercado pelo valor que ele tem. O trabalho, modo de sobrevivência do homem, transformou-se em modo de exploração de um homem pelo outro.
Essa dupla relação -mercadoria e lucro promove a ruptura entre o homem e o seu próprio gesto, entre a acção e o dono dela, entre o trabalho e o seu produtor; eis como a alienação é gerada na nossa sociedade.
O trabalho também é uma via de identificação com o outro, insere-nos num grupo, numa espécie, iguala-nos e diferencia-nos dos outros indivíduos pela via do trabalho, eu significo algo para o outro e o outro significa algo para mim.
No trabalho alienado o outro apresenta-se-me como um ser estranho. A alienação inventa a solidão humana, transforma cada um de nós em seres irreconhecíveis perante o outro.

A razão da existência do capital é o seu próprio crescimento, não só se realiza quando cresce. Ou cria novas necessidades de consumo, ou se apropria de necessidades nunca dantes transformadas em mercadoria.
O capitalismo entra em crise de superprodução cíclica: enquanto faltar produtos o sistema está bem, quando eles existirem ocorrerá uma crise, embora as necessidades básicas estejam longe de serem satisfeitas. A produção, portanto, é consumo dos meios de produção, é consumo de força de trabalho e, por último, é condição para a produção. Uma mercadoria que não vem a ser consumida não se transforma em mercadoria, o consumo é um elo obrigatório na corrente da produção.
O consumo pode num 1ºmomento, alienar-te das relações de produção e consumo. Num 2ºmomento, transforma essa alienação e escravidão em liberdade e fantasia. Num 3º provoca a necessidade de consumir a fantasia que ela criou. O homem produz e não é dono do produto do seu trabalho, realiza-se num produto que se volta contra ele.
Em resumo, o processo de consciencialização, a rebeldia contra o quotidiano, a participação social e política têm um papel bastante importante na luta contra a alienação. A transformação do produto em mercadoria que gera lucro (mais-valia) demanda a transformação do próprio trabalho em mercadoria, vendida e apropriada como qualquer outra. Eis o reinado da alienação: o produto separa-se do produtor, ”enfrenta-o como ser estranho” meu trabalho, meu modo de ser no mundo não me pertence. Por esta via eu me separo de mim mesmo, do outro, da História.

sábado, março 24, 2007

Vamos a madrugar


Eh pá! Outra vez a treta da mundança de hora. Lá vamos novamente a andar a dormir sem vontade e a acordar quando deviamos estar a dormir. Se há coisa que me irrita é esta periódica mudança de horário. E depois, quando já estamos habituados à rotina, toma lá mais uma volta aos ponteiros, que é para não pensares que és esperto.

Para cumprir o início da hora de Verão, à 01h00 da madrugada de domingo os relógios adiantam para as 02h00 em Portugal continental e na Madeira.

De acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa, no arquipélago dos Açores a hora muda às 00h00, devendo os relógios ser adiantados para a 01h00.

Na prática, os portugueses vivem amanhã o dia mais pequeno do ano, com 23 horas, fazendo-se a mudança numa altura em que menos afecta o quotidiano das pessoas, durante a noite e no fim-de-semana.

quinta-feira, março 22, 2007

Outra boa acção

irsf.JPG
Não fiquemos indiferentes ao exercício deste nosso direito de cidadania, que a mais nada nos obriga que ao preenchimento da quadrícula da declaração do IRS, destinada a esse fim.

domingo, março 18, 2007

Contador de luz, água e assinatura telefónica

Sempre fui de opinião que a exigência «ad aeternum» do pagamento do aluguer de um equipamento que serve para medir ou pesar o fornecimento de um bem era, por natureza, iníquo. É como ter de pagar indefinidamente o uso de um equipamento propriedade de terceiro ( que por este me é imposto) e que, embora tendo por fim a manutenção de uma «certa» proporcionalidade das contraprestações de um contrato de fornecimento de um bem, serve fundamentalmente o interesse do seu proprietário (o fornecedor desse bem). É como ter de pagar numa estação de serviço uma taxa autónoma (ainda que mínima) pela utilização da bomba abastecedora de combustível, ou da balança do vendedor num mercado.

É que o peso do eterno e «insubstituível» aluguer da água, electricidade, telefone (e eventualmente outros quejandos serviços e abastecimentos) é sobretudo extremamente significativo na factura mensal dos consumidores menos abastados, justamente aqueles que em razão de possuírem menos equipamentos (ou com menor potência) menos consomem, ou aqueles que por uma ou outra razão ( v.g. ecológica) têm o cuidado de controlar os seus consumos. Em não poucos casos destes tipos de consumidores, o valor do aluguer (eufemisticamente também chamado de «assinatura») é idêntico ou mesmo superior ao do serviço efectivamente prestado ou bem consumido.

A Assembleia da República aprovou no Dia Mundial do Consumidor, uma alteração à lei dos serviços públicos essenciais que prevê a proibição da cobrança de taxas de aluguer dos contadores. No entanto, a avaliar pelas posições dos distribuidores de electricidade, água e gás, o consumidor não tem motivos para festejar uma descida nas facturas. Esperaremos que as questões da fixação dos escalões do consumo ou do serviço prestado (seus níveis e valor das correspondentes unidades) bem como de um eventual consumo mínimo sejam criteriosamente ponderadas.

quinta-feira, março 08, 2007

Comemoração e luta


Foi hoje aprovada a Lei da despenalização da interrupção da gravidez.
Um acontecimento, resultado de luta das mulheres pela sua DIGNIDADE.
Passo a passo as mulheres vão conquistando o lugar a que tem direito.
Esta vitória é um exemplo para todos nós.
É LUTANDO QUE SE VENCE.

sexta-feira, março 02, 2007

A encarnação do oportunismo

O Paulinho, novamente, atrás daquela imagem trabalhada de respeitabilidade e de ridícula pose de politico sério e de grande estadista, não passa de um exímio cínico, o que não deixa de ser uma arte menor em pessoas como ele. E, em boa verdade, com mais ou menos estragos que ele possa fazer, o seu sucesso ou insucesso relativos não dependem só dele. Dependem, também, dos outros partidos e do governo.
Agora regressa, para aproveitar o vazio de liderança da direita, criado por Marques Mendes e pela sua própria sabotagem da liderança do CDS.
Esta figura ridícula excede os seus próprios limites do oportunismo e da deslealdade.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

E que o Senhor te acompanhe, Amen


É realmente fantástica a campanha existente para que, o funcionário BCP/Opus Dei, se mantenha como Director Geral de Impostos e o parco salário de mais de 23.000 euros mensais. A sua competência é endeusada e os resultados alvo de sonoros aplausos.
Mas, estranhamente parece que esta ideia é mais uma ilusão criada que uma realidade.

Num excelente post colocado no blog “O Jumento”, encontrei os seguintes números sobre a evolução da receita desde 1996, segundo os dados da Direcção-Geral do Orçamento:
1996-1995: + 7,6%
1997-1996: + 10,4%
1998-1997: + 10,1%
1999-1998: + 8,1%
2000-1999: + 7,7%
2001-2000: + 4,4%
2002-2001: + 9,4%
2003-2002: + 1,6%
2004-2003: - 0,2% (Paulo Macedo)
2005-2004: + 5,1% (Paulo Macedo)
2006-2005: + 7,2% (Paulo Macedo)

Por estes números pode-se ver o embuste que existe sobre o assunto. Mas para um melhor esclarecimento pode ler todo o texto sobre o assunto [AQUI].

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Rei das Bananas e dos Tomates


Este carnaval, Alberto João não precisou de fantasia para ser eleto o Rei das Bananas e dos Tomates.
Depois de "Proclamar" que os portugueses que aceitaram o resultado do Referendo não tinham testículos.
Aproveitou, agora, a quadra e veio mais uma vez desfilar de "Salvador da Pátria" madeirense. Empunhando o espantalho das Finanças Regionais, dá um "golpe de estado", pretendendo convocar e transformar uma eleição antecipada num plesbicito salazarista, concentrando, por via dos votos, o poder totalitário nas mãos do Rei do Arquipélago das Bananas e dos Tomates.

domingo, fevereiro 18, 2007

Muita Saudade, Meu Velho!

A vida passa e a saudade
passa a ser a vida ausente,
- é uma vaga claridade
de um clarão de antigamente...

Saudade boa é a que existe
na espera... que há de chegar...
Mas há uma saudade triste
que fica sempre a esperar...

O tempo tudo desbasta
mas nem a tudo desfaz:
a saudade não se gasta
com o tempo aumenta mais!

Sentir saudade, não é
ser infeliz, - pensa bem,
- mais infeliz é quem nunca
sentiu saudades de alguém.

De JG de Araujo Jorge

Não façam pouco do Zé


E não é que agora vem este "genecologista dos números" também querer fazer uma leitura à Marcelo, do resultado do referendo, participando dum boicote organizado por parte de quem não aceita o resultado expresso nas urnas.
Defendo que a mulher seja aconselhada e informada das alternativas a que tem direito, mas não concordo, e isso estava bem claro na pergunta do referendo, que o aconselhamento seja obrigatório, nem que os médicos sejam transformados em novos policias ou juizes organizados em comissões. O médico, obrigatoriamente, deve estar disponivel para o aconselhamento, mas a mulher, nas primeiras 10 semanas é livre de pedir ou não essa ajuda.
Saber respeitar o voto do Zé Povinho, é o que se exige a Cavaco. Agora quem tem a responsabilidade de fazer uma lei equilibrada é a Assembleia da República. Quanto a Cavaco, não desequilibre, por favor. É essa a sua responsabilidade.

domingo, fevereiro 11, 2007

Venceu a DIGNIDADE

 
A vitória do SIM vem resolver um grave problema de saúde pública e mostrar que Portugal já não é um protectorado do Vaticano.

É a derrota da Igreja Católica às mãos do povo português, a primeira humilhação do clero pelos eleitores, o desprezo pela Conferência Episcopal Portuguesa, o vilipêndio do Papa e o desdém pelas lágrimas de sangue com que a Senhora de Fátima sujou as caixas de correio dos portugueses.

Em primeiro lugar foi uma vitória das mulheres que se libertaram da clandestinidade e dos riscos que lhe estavam associados: perigo de vida, perseguições judiciais, devassa da vida íntima e humilhações cruéis.

Ganharam depois todos os que defendem uma maternidade consciente e desejada, sem estigmas nem medos.

Há agora condições legais para ajudar as mulheres e evitar o recurso à praga do aborto, para relançar uma política de apoio à maternidade, sem a impor, para que a gravidez ou a sua interrupção sejam medicamente assistidas e não policialmente vigiadas.

Esta é uma vitória civilizacional que colocará a lei portuguesa a par da dos países mais laicizados da Europa, dos EUA e do Canadá, deixando a companhia pouco estimável da Polónia, Malta e Irlanda.

Finalmente, o pecado deixou de fazer parte do Código Penal e os clérigos da polícia dos costumes. A vocação totalitária da Igreja romana pereceu nas urnas com padres-nossos, missas, terços e novenas desperdiçados na campanha terrorista do Não. Nem as hóstias deglutidas pelos beatos ajudaram.

A fraude de Deus foi posta à prova. Os cidadãos derrotaram o Deus misógino que odeia o sexo e a liberdade.

um artigo de Carlos Esperança