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sexta-feira, agosto 25, 2006

Se vires as barbas do vizinho a arder....

Primeiro levaram os comunistas,
mas eu não me importei com isso.
Eu não sou comunista.
Em seguida levaram alguns operários,
mas não me importei com isso.
Eu também não era operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
mas não me importei com isso.
Eu não sou sindicalista.
Depois agarraram os sacerdotes,
mas como não sou religioso,
também não me importei.
Agora estão me levando,
mas já é tarde.

Bertolt Brecht

**********


Primeiro despediram os funcionários públicos,
mas eu não me importei,
não sou funcionário público.
Depois proibiram a greve dos professores,
mas eu não me importei,
não sou professor.
Depois proibiram a manifestação dos militares,
mas eu não me importei,
não sou militar.
Depois foram os juízes, os polícias, os enfermeiros,
mas eu não me importei,
não sou juiz, nem polícia, nem enfermeiro.
Agora estão a bater-me à porta,
mas já é tarde.

António Cebola

domingo, julho 30, 2006

Injusta e desumana agressão dum Estado contra outro


Na comunicação social estrangeira e nacional, o que se afirma à exaustão é que Israel ataca uma milícia religiosa, terrorista, o Hezbollah, que utiliza o espaço geográfico do Estado do Líbano como base de operações contra o Estado de Israel. E surpreendentemente, contando essa versão com apoio de algumas autoridades libanesas.

Aqui começa um dos aspectos mais nefastos e sofisticado dessa agressão do Estado de Israel, contra o Estado Libanês. Os meios de comunicação e de propaganda do imperialismo norte-americano e dos israelitas querem com essa forma de colocar o problema, descaracterizar a essência da crise actual que se desenrola entre Israel e Líbano. A tentativa isrealita-imperialista de destruir os estados nacionais soberanos daquela parcela do Oriente Médio, e de substituí-los por governos fantoches a seu serviço.

Essa guerra é parte da luta que aí se trava desde a década de 40 do século passado, contra a pretensão por parte do movimento sionista mundial, para que seja estabelecido na região, um Lar Nacional Judeu, sob a forma de um Estado Nacional - o actual Estado de Israel. Sendo usado para isso o território Palestino, e desalojando desse espaço geográfico, todo um povo que aí está estabelecido há séculos.

Nos limites dessa coluna, não cabe uma análise histórica exaustiva acerca desse conflito, que se desenrola a mais de meio século. Mas nesse longo período essa crise manifestou-se de acordo com a situação política mundial e do oriente. Num quadro de guerra-fria, tinha certas características, com o fim desta e no cenário de hegemonismo absoluto do imperialismo americano, assume outras. Com a ascensão de Busch ao governo nos EUA, e após o 11 de Setembro, passou a ser tratada dentro do quadro de guerra contra o terror. No mundo árabe, também essa resistência assume formas e conteúdos conforme o rumo político seguido pela região, ou melhor dito, por países chaves da mesma. Mas em qualquer momento, quando o mundo árabe se uniu na defesa de seus interesses maiores, a causa palestina fortaleceu-se.

Com o fim da segunda guerra mundial, e diante dos horrores que o nazismo infligiu a comunistas, judeus, ciganos, homossexuais e outros, a consciência democrática mundial apoiou a construção de um Lar Nacional para o povo Judeu. Uma resolução da ONU regulamentou a matéria, consagrando também aos palestinos direitos iguais aos judeus. O espaço cedido foi uma pequena parte da antiga palestina, então sob dominação do imperialismo britânico. Desde então palestinos e árabes resistiram às pretensões sionistas de terem como limites das fronteiras do nascente estado, aquilo que chamam de fronteiras bíblicas. Depois por sucessivas guerras de conquista, Israel ampliou as fronteiras que lhe haviam sido determinadas pela ONU. Tendo ocupado por décadas parte do Líbano, continuando a ocupar parte da Síria - colinas de Golan – e a maior parte da Palestina. Como corolário desse expansionismo israelita ampliou-se e aprofundou-se a resistência árabe, mormente a palestiniana. Nas décadas de 60/ 70 do século vinte, essa resistência era essencialmente laica, tendo assumido feição predominante religiosa dos anos 80 para cá.

É nesse contexto que surgem fortes movimentos político-religiosos, dos quais o Hamas na Palestina e o Hezbollah no Líbano são referencias maiores. Movimentos esses que paulatinamente vão ocupando o centro da resistência aos judeus em defesa dos direitos árabes, e também paulatinamente vão assumindo características políticas, inclusive participando de governos locais, como o Hamas na Palestina, onde dirige a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e no Líbano, onde o Hezbollah ocupa dois ministérios.

Esse pano de fundo pode facilitar-nos a compreensão da guerra em curso no oriente, mas não é suficiente para que aceitemos a justificativa política que está em curso naquela região: a de que o que se verifica hoje entre Israel e Líbano, é a luta entre um Estado Nacional, Israel, e um grupo de terroristas fanáticos, o Hezbollah. O drama por que passa aquela região, é o de que, um Estado Nacional expansionista, militarista e racista, o Estado de Israel, ataca um Estado Soberano, enfraquecido por anos de guerras e ocupação. O Hezbollah não é e não deve assim ser visto como um Estado dentro do Estado, ser um corpo estranho na vida do Estado Libanês.

O que está em curso no Líbano é um brutal ataque do governo israelita, contra um Estado soberano, detentor de uma história milenar, que registra episódios de resistência que vão da época de Alexandre o Grande, ao domínio do império romano, dos turcos, dos franceses. Nessa longa historia, se plasmou um povo, uma nacionalidade, e um Estado Nacional. Estado esse que situado em uma região geo-estratégica para os planos do imperialismo norte-americano, sofre de forma intensa os caprichos da política expansionista do imperialismo e do seu principal agente na região, o Estado de Israel.

No centro da resistência libanesa coloca-se a questão da luta pela unidade nacional como factor básico da existência de um Estado Libanês plural, laico, socialmente justo.

A força do apelo pela defesa do território, do espaço geográfico do lar nacional de um povo, é uma força ideológica muito poderosa, e a historia registra inúmeros casos de situações, também aparentemente desesperadoras, em lutas de defesa da nação e do povo, que foram vitoriosas, no que pese a enorme desigualdade de forças em combate. Lembremo-nos de De Gaulle, exortando os franceses a resistirem ao aparente imbatível exército do 3ºReich, ou de Mão Tse Tung, conclamando a união de todos os chineses, independente de colorações político-religiosas a enfrentarem e derrotarem o invasor Japonês, ou o Vietnan liderado pelo lendário Tio Ho (Ho Chin Min), aquela figura humana inigualável, a unir seu povo para derrotar os maiores impérios de uma época, primeiro o francês e depois o americano. Em todas essas lutas, a "questão nacional" esteve no centro das estratégias militares vitoriosas.

A construção de uma sólida e decidida unidade em defesa da nação de todos libaneses, é a condição preliminar para se colocar a resistência à agressão israelita num novo patamar. E considero, será a ‘condicio sine qua non’ para que os árabes em geral e os libaneses em particular tenham um desfecho vitorioso nessa luta que se desenvolve há tanto tempo.

por Ronald Freitas

domingo, julho 16, 2006

Encerrado para FÉRIAS, DIVIRTAM-SE!!!!!


Vão para férias e divirtam-se mas, de certeza, não será na Praia do Porto Pim.
Uns iluminados, que nos custam os olhos da cara, lembraram-se de fazer lá, AGORA, em plena época balnear umas obras de duvidoso efeito mas, sem dúvida, de completa falta de oportunidade.
Só lembrava ao diabo esperar por Julho e Agosto para construir, ALI, uns parques de estacionamento.

quinta-feira, julho 13, 2006

A alma, essa desconhecida


É uma dor de “alma” ver tantos(as) “almas-de-deus”, enganados por uns “almas-do-diabo” que os exploram prometendo libertá-los das “almas-penadas” de familiares que entregaram a “alma” ao criador.
Eles sabem que “almas-penadas” não existem mas fazem segredo, porque o segredo é a “alma-do-negócio”;
São uns “almas-do-c……”!!!!

"A alma é um furúnculo etéreo que afecta o corpo dos crentes. É um vírus que resiste à morte e tem direito a transporte gratuito para o domicílio que os padres lhe destinam.

A alma é um bem mobiliário que paga imposto canónico e, à semelhança das acções de empresas, hoje igualmente desmaterializadas, paga avença pela «guarda de títulos».

No mercado mobiliário as acções são transmissíveis e negociáveis. Apesar das fraudes sabe-se que correspondem a avos do capital social de uma empresa. A sua duplicação é burla e conduz à cadeia, salvo quando o Vaticano está implicado e impede a extradição do criminoso, como sucedeu com o arcebispo Marcinkus que JP2 protegeu, após a falência fraudulenta do Banco Ambrosiano.

Quanto à alma, há suspeitas de haver um número ilimitado em armazém, o que exaspera os clérigos, encarregados do negócio, com o planeamento familiar. Não se sabe bem se a alma vai no sémen, se está no óvulo ou se surge através da cópula, um método pouco digno para tão precioso e imaculado bem.

Os almófilos andam de joelhos e põem-se de rastos sem saber se a alma se esconde nas mitocôndrias, nas membranas celulares, no retículo endoplasmático ou no núcleo e nos cromossomas, sem nunca aceitarem que seja o produto de reacções enzimáticas.

Não sabem se é alguma coisa de jeito no ovo, no embrião em fase de mórula ou no blastocito. Juram que aparece no princípio, sem saberem bem quando e onde está o alfa, ou quando aparece Deus a espreitar pelo buraco da fechadura e a arremessar aos fluidos a alma que escusa o entusiasmo de quem ama.

Após o aparecimento dos rudimentos da crista neural, só às 12 semanas o processo de gestação dá origem ao feto e falta provar que a alma, embora de qualidade sofrível, se encontra num anencéfalo ou que é de boa qualidade a que Deus distribui ao fruto de uma violação ou do incesto."
# um artigo de Carlos Esperança

sexta-feira, junho 23, 2006

Meninos rechonchudos




…quando deixam os filhos caírem em estados de obesidade. Para mim isto é crime por negligência. Vivemos numa sociedade onde se culpa tudo e todos para proteger a falta de educação/preparação de pais irresponsáveis que deixam que o mal bata à porta dos filhos. Não estou falando nas infelicidades de outros comportamentos de riscos que nem sempre podem ser controlados pelos pais. O caso da obesidade é completamente diferente e exige-se que os pais tomem uma posição, pela saúde dos nossos jovens e, em última análise pelos cofres do estado.
Já agora, uma campanha que merce uma visita


quinta-feira, junho 08, 2006

Que me perdoem os ditos-cujos!

Dizem que a profissão mais antiga do mundo foi a prostituição. Não posso concordar. Até porque não havia dinheiro quando o mundo começou, e se para o homem bastava dar com uma moca na cabeça da mulher e arrastá-la para a sua caverna, porque carga de água haveria de pagar?
Dizem então que a primeira profissão deve ter sido um dos trabalhos mais básicos, como agricultura ou caça. Embora concorde que tenham sido das primeiras profissões, as primeiras não foram, até porque no início não havia ferramentas para agricultura nem armas para caçar.
Sugerem então que tenha sido o ensino. Mas para ensinar é preciso aprender. É a história de quem veio primeiro, o ovo ou a galinha. Neste caso, o estudante ou o professor. Ninguém nasce ensinado, logo teria de estudar primeiro. Mas no início não acredito que o homem tenha partido para esta actividade assim de arranque.
Temos de nos colocar na pele desse primeiro homem para perceber.
Então, o homem aparece. Um homem, Adão, sozinho, sem saber o que fazer. Qual a sua primeira iniciativa? Obviamente, coça os tomates. Assim sendo, a primeira profissão do mundo foi claramente... funcionário público!

domingo, junho 04, 2006

E o mexilhão é que se lixa!

As religiões e a liberdade

Os estados industrializados exportam mercadorias, os totalitários ideologia.

O Irão desenvolve a bomba atómica, quer erradicar Israel ("terra prometida" e "Povo escolhido" tudo tretas teocráticas, digo eu) e curvar o mundo a Maomé.

A Arábia Saudita usa as divisas do petróleo para divulgar o Corão e sustentar os mullahs que deviam estar no manicómio e se encontram, sem tratamento, à frente das mesquitas.

O Vaticano exporta moral e escândalos, impondo a primeira e escondendo os segundos.

Os protestantes evangélicos exigem o ensino do criacionismo e a guerra em defesa da bíblia e na promoção do seu Deus.

Os cristãos ortodoxos agarram-se aos Estados como as lapas à rocha e não prescindem dos privilégios que ao longo dos tempos conquistaram.

Todas as religiões pretendem o monopólio porque - dizem -, há um só Deus verdadeiro. A teocracia é o modelo ideal de Estado, condescendendo as religiões que o Estado seja laico desde que se submeta à vontade do Deus de cada uma.

É neste caldo de cultura que os homens e mulheres livres têm de impor a Deus os princípios democráticos e ao clero o respeito das leis que os povos "livremente?" decidem.

Deus pode ser uma ideia tolerável, como as fadas e os duendes, se não interferir com a vontade dos povos e os ideais de liberdade que se devem ao secularismo e à laicidade.

O ódio do clero à liberdade, em qualquer religião, rivaliza com a embirração de Maomé com a carne de porco.

artigo de Carlos Esperança

sexta-feira, junho 02, 2006

O lado positivo da coisa

Numa tentativa de ultrapassar as conotações negativas da palavra “excedentários,” Teixeira dos Santos propôs que os funcionários considerados a mais ou dos organismos públicos recentemente extintos passem a chamar-se “necessários de segunda escolha.” Esta proposta surge na sequência de indicações vindas do primeiro-ministro José Sócrates que terá instruído os membros do seu governo para usarem apenas palavras positivas ao descrever situações negativas, estratégia a que muitos já chamam “valorização eufemística.” Assim, Portugal deixa de ser um país atrasado para passar a ser “inversamente evoluído,” Angola deixa de ser uma ditadura e transforma-se num “alvo apetecível para estabelecimento de parcerias estratégicas” e o desemprego passa a chamar-se “lazer a tempo inteiro.”

domingo, maio 28, 2006

O negócio da (China) doença

As Farmácias (monopólio da venda de medicamentos) ganham uma taxa de comercialização (23%) em cada medicamento que vendem. Ou seja, na dispensa de um medicamento que custe 10 contos as farmácias ganham 2,3 contos. Aonde as farmácias vendiam há 10 anos o Antibiótico X por 1 conto hoje, para o mesmo efeito, vendem o Antibiótico Y por 10. Aonde ganhavam 0.23 hoje, exactamente com o mesmo esforço (mesmo número de empregados, mesma renda, etc.), ganham 2,3. DEZ VEZES mais. Se pensarmos que desde há muito o crescimento da factura com os medicamentos vendidos nas farmácias (sempre nas mesmas farmácias) sobe acima dos 10% ao ano, percebemos que a Farmácia é um dos melhores negócios em Portugal e como o seu trespasse vale algumas centenas de milhares de contos.
Com efeito uma farmácia ganha, no simples acto de aviar os medicamentos de uma receita de um médico do SNS, mais do que ganha o médico que consultou o doente, o ouviu, observou, diagnosticou, se responsabilizou e passou aquela receita.

Algo vai muito mal no reino da Saúde!

Com a introdução dos genéricos aconteceu algo de novo que explica o aparente contra-senso do entusiástico apoio das farmácias aos genéricos. De facto, ao ganharem à percentagem percebe-se mal como as farmácias defendem a venda de medicamentos mais baratos que lhes iriam baixar os rendimentos. É que, com a introdução dos genéricos as farmácias ganharam um novo negócio, ainda mais rentável. Ganharam o poder de escolher entre o Antibiótico Y Genérico, de 30 ou mais Laboratórios de Genéricos. Dantes o Médico receitava o Antibiótico Y e a Farmácia tinha que fornecer o medicamento da marca que o médico que prescrevia. Não tinha qualquer interferência do processo. Agora, sempre que o médico não põe a cruzinha a expressamente o proibir, dispõe do poder de escolher. E qual é o critério de escolha perante trinta ou mais fornecedores ansiosos? Aquele que lhe der mais descontos, mais bónus. A imprensa citou casos aonde os Laboratórios por cada dez que as farmácias comprassem ofereciam várias embalagens de graça às farmácias. Embalagens cujo preço de venda revertiam inteiramente para a farmácia. Aonde as farmácias em vez de ficarem com 23% passaram a ficar com 100%!

Este reflexão é despoletada pela venda livre dos medicamentos nos Hipermercados. Um assunto irrelevante em relação aos graves problemas do Sector da Saúde e que por enquanto se pode resumir a uma aparente luta entre o Lobie das Farmácias e o Lobie dos Hipermercados. Desta vez terá ganho o Lobie dos Hipermercados.
Ou, como no fim se verá, será muito mais do que isso?

António Alvim

quinta-feira, maio 18, 2006

Paga, mas bufa!

No "dia da libertação dos impostos", os números da AIP "dão que pensar" na carga fiscal.

É preciso trabalhar "meses a fio" para saldar as dívidas ao Estado.

* Só os descontos para a Segurança Social exigem 45 dias de trabalho.
* Para se conseguir pagar o IVA são necessários 34 dias.
* IRS 21 dias.
* E, para liquidar o imposto sobre os combustíveis, é necessário trabalhar oito dias.

Estes são apenas alguns exemplos do esforço que é pedido ao país para equilibrar as contas públicas.

De acordo com o estudo da AIP, até ao próximo dia 22 de Junho os portugueses vão estar a contribuir para o sector público, que é como quem diz, vão estar a ajudar a pagar o défice.

É claro que se queremos reformas, infraestruturas, educação, saúde, etc. temos que descontar. O problema é quem e quanto é que desconta. São sempre os mesmos, aqueles que não podem fugir.
Os indigentes estão isentos, por natureza, os liberais declaram rendimentos minimos, as empresas não são colectadas em função dos lucros, o capital financeiro não é taxado e movimenta-se em paraísos fiscais. Restam os trabalhadores por conta de outrem, que pagam por todos.
Se a média dá 137 dias de trabalho, então o "zé pagante" trabalha pelo menos o dobro para pagar os impostos da "cambada toda".


quarta-feira, maio 10, 2006

De mal a pior!

Governo PS aumenta restrições a reformados e contribuintes
Na última semana, o governo PS anunciou um conjunto de reformas na segurança social, com vista a adaptá-la à nova realidade portuguesa, sem, contudo, desvirtuar os seus princípios de universalidade e solidariedade.

Contudo, constatamos que o mesmo governo, desde que tomou posse, tem sido responsável por uma série de medidas nesta área que mais não são do que pequenos passos no sentido de acabar com o sistema público de segurança social.

Para além do aumento da idade de reforma dos funcionários públicos para os 65 anos, a diminuição do período de prestação do subsídio de desemprego para os trabalhadores com menos descontos, e o recente aumento da carga tributária dos pensionistas o governo avança com novos critérios no regime de contribuições e reformas.

Em primeiro lugar, pretende associar a idade da reforma à esperança média de vida, ou seja, tendo em conta o constante crescimento do último factor, ao pensionista é proposto as seguintes opções: ou trabalha mais tempo (por cada aumento de um ano na esperança média de vida, mais cinco meses para além do limite anterior), ou paga mais contribuições, ou, finalmente, recebe uma menor reforma. Em segundo lugar, a fórmula de cálculo das pensões deixa de ser determinado pelo valor contributivo dos 10 melhores anos dos últimos 15, para se basear em toda a carreira contributiva. Tal poderá implicar uma diminuição das reformas entre os 8% e os 17%. Em terceiro lugar, os aumentos anuais das reformas serão directamente influenciados pelo crescimento económico, o que certamente deverá conduzir à diminuição desses aumentos.

Finalmente, as contribuições dos trabalhadores serão determinadas pelo número de filhos, prevendo-se reduções para os casais com mais de dois filhos e agravamentos para quem tiver apenas um ou nenhum (não deixa de ser curioso constatar que, paralelamente, o governo decreta o encerramento de maternidades por todo o país). Como tal, a constituição de família, cada vez mais dificultada pelo aumento do desemprego estrutural e pela expansão do trabalho precário, passará a ser orientada por critérios económicos. A decisão de ter filhos não será assim fruto da liberdade de escolha do casal, mas sim da necessidade de poupança.

De referir que, entre as reformas anunciadas, não se encontram quaisquer medidas que incidam sobre os rendimentos das empresas.

segunda-feira, maio 08, 2006

Como é possível?





    Alguém sabe a resposta?


"Como é possível ser o mais desigual da Europa um país que teve o 25 de Abril e [desde então] só foi governado por sociais-democratas e socialistas?"

José Carlos Vasconcelos, "Visão", 04-05-2006