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quinta-feira, janeiro 26, 2006

"Deus é Amor e não usa preservativo"


Que raio de ideia!
Publicar uma encíclica!
E logo sobre sexo e caridade!
Podia ser sobre futebol e esperança ou fé e gestão de empresas, mas não, tinha logo que ser sobre sexo e caridade!
O Papa não deve estar à espera que alguém que ganhe o salário mínimo seja tão caridoso como o Belmiro de Azevedo, o Amorim ou outro ricalhaço qualquer, pois não?
Nem espera que um mancebo de 20 anos seja tão casto e "puro" como uma velhota de 80, pois não?
Renunciar ao êxtase de Eros e aos prazeres da carne, para um cota todo caquético como ele e com aquela beleza alternativa, é fácil.
E os jovens com o sangue quente?

Que sabe esta gente de amor? Nada, pois é o sado masoquismo e a baixeza espiritual e moral que impera na Igreja....agora de sexo são especialistas, em especial nas suas vertentes mais doentias.
O Vaticano já teve prostituição legalizada. Os Bórgias não brincavam em serviço. Na Idade Média o Vaticano era um antro de vício.

Ao contrátrio de tudo que é dito, Jesus não foi NADA inovador quando defendeu "o amor ao próximo". A esmagadora maioria das sociedades, anteriores ao cristianismo ou sem influência do cristianismo chegaram lá... É algo humano. Não é algo cristão. Quanto à ética cristã, é lamentável achar necessário acreditar em «Deus» para fazer o bem. Eu acho que se deve fazer o bem porque é isso que deve ser feito, independentemente das recompensas que se esperam ou dos castigos que se pretendem evitar.

domingo, janeiro 22, 2006

Cavaco/Sócrates - as duas faces da má moeda

Já nem sei o que mais me chateia, se Cavaco ser o presidente de todos os portugueses ou a "besta" do Sócrates ser o primeiro-ministro de todos nós. Não votei em nenhum deles, mas também dispenso que me governem.
Sócrates, o aparelho do PS, as empresas de sondagens e os grupos financeiros elegeram Cavaco. Agora, mais do que antes, estão a classe dominante e o seu governo dum lado e os trabalhadores, os desempregados e os mais pobres do outro.
Nesta noite eleitoral, dois acontecimentos me deixaram triste e revoltado: primeiro ver o candidato da direita, por escassos décimas, ser eleito por um eleitorado tradicionalmente de esquerda e depois ver o palhaço do Sócrates atropelar a declaração final de Manuel Alegre, numa atitude desqualificada e indiciadora de arrogância e mau perder.
Com esta parelha nos mais altos cargos da Nação, bem pode o Povo levantar a cabeça e preparar-se para a luta pois novos e maiores ataques aos direitos e às liberdades dos trabalhadores se avizinham.
Se um diz mata, o outro diz esfola.

Foram poucos, mas foram bons


Embora sem nenhum significado, espero que os resultados desta votação sejam um bom prenuncio.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Votar nos outros é um erro de casting

Apoio Manuel Alegre porque é um humanista, um escritor, um homem de cultura, um português aberto ao mundo. Apoio Manuel Alegre porque é um democrata convicto, um cidadão livre, um resistente, homem que pensa pela sua própria cabeça. Apoio Manuel Alegre porque é um homem da esquerda dos valores. Integridade, coragem, honradez, frontalidade, autonomia são infelizmente qualidades cada vez mais raras na política portuguesa.
Votar nos outros candidatos para a Presidência seria contribuir para um erro de casting. Assim, Garcia Pereira é um excelente candidato a secretário geral do MRPP, Jerónimo de Sousa seria um óptimo Provedor de Justiça, Francisco Louçã deveria ser o Procurador Geral da República (ou, em alternativa, o Director Geral dos Impostos). Mário Soares é já o nosso Eusébio ou Carlos Lopes da política. Cavaco Silva é o perfeito candidato a Governador do Banco de Portugal (aliás, esse é o cargo que desempenharia mesmo que fosse eleito para a Presidência). Portugal precisa de Alegre na Presidência da República. Até porque Alegre não é um catedrático qualquer...

António Carlos Santos

domingo, janeiro 15, 2006

A arte de ser português...

Toda a gente já percebeu, pelas sondagens, duas coisas relativamente às presidenciais:
1- Que Cavaco ainda não tem assegurada a maioria absoluta e a consequente eleição;
2- Que Manuel Alegre é, de longe, o candidato melhor posicionado para bater Cavaco numa segunda volta (e que, na primeira, será o candidato da área da esquerda mais votado).
Claro que os soaristas fazem figas e negam todas as evidências. Mas só quem se deixa iludir com as manchetes dos jornaleiros apaniguados é que ainda acredita que Soares ficará à frente de Alegre. Eu próprio fico espantado, mas ainda não conheci ninguém, nas minhas relações, que declarasse a intenção de votar Soares. Sei de muitos que votarão Cavaco, Alegre, Louçã e até Jerónimo de Sousa, mas ainda ninguém me disse que iria votar Soares. Deve ser, provavelmente, por vergonha, porque as sondagens garantem que Soares tem votantes (fora do círculo de cortesãos que, caninamente, o acompanham sempre). Mas não deixa de ser intrigante e significativo que os putativos votantes de Soares tenham tanta dificuldade em confessar o seu apoio à criatura.
A decisão das presidenciais está nos ainda indecisos. Eles, como sempre, é que vão ditar se haverá ou não segunda volta. Como apoiante de Manuel Alegre, tenho naturalmente a esperança de que, até ao próximo dia 22, a maioria dos indecisos opte, finalmente, por ir às urnas e não vote em Cavaco. Se assim for, a eleição presidencial não ficará resolvida na primeira volta e depois... tudo pode acontecer. Num confronto directo entre Cavaco e Alegre, estou convencido de que Alegre poderá vencer. E por uma razão muito simples: ele é, em muitos aspectos, muito mais português e genuíno do que Cavaco. E a maioria dos portugueses, à direita e à esquerda, acabará por votar nele.
Vai uma aposta?...

por ademar.santos

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Uma velha questão: quantidade vs qualidade


Recebi de uma amiga, filha de pessoas inteligentes e que muito prezo, um texto onde o mote é o tamanho do “coiso”, do dito membro fálico, do objecto de culto e prazer que faz girar o Mundo e arredores. A breve, mas sincera, alusão à sua ascendência serve apenas para enquadrar a sua formação, de berço, o que não deixa de funcionar como antítese para a excelência, se bem que mal fundamentado, texto que uma vez mais nos enche de prazer receber.
Para começar acho de mau gosto ver comparado o meu “ Manuel Joaquim” com um qualquer “aeroplano” por muito potente e arejado que possa ser. Confesso que prefiro um bom Jumbo da Boeing a um qualquer Airbus seja ele 380 ou não, depois e caso a minha Amiga não saiba, um “passarão” desse tamanho não pode, por razões técnicas, aterrar em qualquer pista o que só por si limita os destinos; depois, um monstro dos ares como esse, é demasiado rápido, uma qualquer avioneta demora mais tempo a chegar ao destino aumentando assim o prazer da viagem, quem gosta de comparações entre o “coiso” e as adoráveis máquinas voadoras é porque é especialista nas artes da aviação e assim sendo gosta de desfrutar do prazer de voar e quanto mais tempo demorar a viagem, melhor. Depois, confesso, que uma boa “planadela” até ao Algarve, numa noite de Verão, é bem mais agradável que a escassa e insonsa meia hora de voo até ao Sul… mas isto são gostos.
Seguidamente surgem as comparações, “ Pantagruélicas”, entre o “coiso” e os enchidos… sinto ainda algum mau gosto na coisa, mas não me choca tanto, ainda assim discordo profundamente das comparações, malévolas e infundadas, entre o tamanho dos enchidos e o sabor dos mesmos. Confesso alguma desilusão por saber ser a minha querida e tesuda Amiga, uma amante de Paris e consequentemente da “Nouvelle Cuisine” e ainda assim cair no erro de avaliar o paladar de um enchido pelo tamanho do mesmo… Essas alusões a “linguiças”, “chouriços de sangue”, “farinheiras”, “presuntos de Parma” e outros fálicos enchidos são de todo despropositadas. A linguiça pode ser frágil na aparência mas poderosa no palato, já os afamados chouriços de sangue vivem muito da fama e pouco das provas dadas. São por demais conhecidos os casos de poderosos chouriços de sangue que se partem inesperadamente, para não mais recuperarem… e as farinheiras que por vezes fazem jus ao nome e não passam, senão, de uma pele, bem enquadrada é certo, mas cheia de coisa nenhuma.
Depois a alusão a Óscar de La Renta cai sempre bem, é bonito um pouco de cultura nesta conversa de “coisos” e seus derivados, mas não se enquadra devidamente na temática em discussão. A opulência, quase sempre na forma, não se pode comparar à beleza da simplicidade, das formas, mas à grandeza na qualidade. As coisas, ou os “coisos”, simples são sempre os mais apreciados, sim porque não raras vezes, a simplicidade é algo de quase perfeito e que nos faz sonhar. Cá para mim tenho que a importância do tamanho é relativa, tudo se resume a uma simples questão: Técnica, jeitinho, saber o que fazer quer aos comandos de um Airbus como de uma avioneta, quer ao cozinhar uma simples e humilde linguiça ou um poderoso chouriço de sangue, e isso confesso é algo que não está ao alcance de qualquer um. Fiam-se no tamanho e esquecem-se de aprimorar a arte, quer de voar, quer de comer… De facto concordo plenamente com a minha querida e tesuda amiga quando afirma que “Deus fez o tamanho e só as mulheres parecem perceber porquê”…
É que só mesmo as mulheres se preocupam com o acessório.

domingo, janeiro 08, 2006

Cavaco, Um Gangster, Um Chulo!

Um texto de Biranta

Vai intensificar-se a DELAPIDAÇÃO DO ERÁRIO PÚBLICO, ou:
Cavaco a evidenciar, bem, que tipo de patife é!

Segundo o CM-online, de ontem:
"Cavaco Silva quer salários mais altos na política
Paulo Cunha /Lusa

Cavaco defendeu ontem, em entrevista à RR, melhores salários para os titulares de cargos políticos
Cavaco Silva defendeu ontem a necessidade de aumentar os vencimentos dos titulares de cargos políticos, de forma a atrair os melhores profissionais para a governação do País."

A Propósito, decidi passar para aqui excertos deste post.
Já todos sabem o que eu penso desta situação infame (os elevados vencimentos e mordomias dos políticos), desta chulice, destes gangsters e do efeito destruidor que "isto" tem na nossa sociedade, na economia, na produtividade, na inovação e no progresso, (impede, em absoluto, o progresso), mas se "eles" insistem nesta campanha de preparação de mais esta perfídia, eu tenho o mesmo direito (a obrigação) de insistir abordando a questão de forma digna, e "instruída".
Defender, numa altura destas, que os políticos devem ganhar mais, dá a ideia de que, neste país, os coitadinhos dos políticos e gestores públicos ganham mal. No entanto, basta passar a fronteira para encontrarmos um exemplo dum país com melhor nível de vida (com políticos mais competentes e dignos) e onde os políticos ganham menos que os “nossos”.

Se se valorasse a abstenção acabava-se a chulice de os que mais destroem e menos valem serem os que mais ganham. E veriam como os nossos políticos e gestores correriam atrás das soluções para o País, em vez de "ignorarem", como fazem agora.
Só, poderemos chegar a tudo isso se se reduzir o número de deputados e se se valorar a abstenção… porque assim é que é democracia (e boa gestão).

A situação económica do País não justifica tais mordomias (dos políticos e gestores públicos), os desempenhos dos seus titulares muito menos, os ganhos, para o país e para a economia são nulos… Além disso, esta gente nem sequer se submete a quaisquer controlos ou mecanismos de responsabilização pelos seus desempenhos… como é que alguém pode ter a inconsciência de defender tais práticas?
Em nome de quem ou do quê?
Em nome da eficiência, da eficácia, não é; porque “isso” não existe!

Para garantir a concorrência dos melhores também não é, porque estes até são os piores, toda a gente reconhece, inclusive o candidato à Presidência Cavaco Silva!
Em nome da população também não é, porque a população (única “entidade” que devia ter o direito de decidir sobre estas questões) está contra estes escândalos, sobretudo por beneficiarem gente que não presta…
Vejamos, com calma e objectividade, os “meus” principais motivos, que se resumem numa simples e pequena frase: Estas práticas impedem o progresso e desenvolvimento do país, porque exaurem recursos que o estado não tem e porque tornam impossível a mobilização dos cidadãos para resolver os problemas, para colaborar com os responsáveis.
Na verdade, “eles” não resolvem os problemas (não sabem como nem querem) e os cidadãos não ajudam, porque acham que não têm de ajudar a chulice. Se eles ganham tanto, eles que resolvam os problemas. Mas, em muitos casos, são os próprios que impedem a "colaboração", até para “justificarem” o que ganham.
Desde a década de 80 do século passado que, ao nível das estratégias de gestão, se estabilizaram “novas técnicas” que, genericamente receberam o nome de: “Gestão por Projecto”.

Sem correcta gestão de recursos humanos, não há técnica de gestão que possa ser eficaz. Ao nível da gestão de recursos humanos, há dois factores que se têm revelado essenciais para a produtividade. São eles:
- A motivação (que pressupõe a participação, esclarecida dos trabalhadores, de modo a conquistar o seu empenho);
- A colocação das pessoas certas nos lugares certos.

A gestão por projecto pretende maximizar esses dois factores e pode ser descrita, resumidamente, da seguinte forma:
Constituição de “equipas de projecto” a cujas são entregues tarefas específicas, com objectivos pré-determinados. É claro que os objectivos devem ser passíveis de obter o empenho dos trabalhadores envolvidos.
Nestas equipas, as tarefas de coordenação são rotativas (até como forma de conhecer os melhores “talentos”), embora se reconheça que, ao fim de algum tempo, pode acontecer que as equipas passem a entregar estas tarefas apenas a alguns, se isso for importante para alcançar os objectivos.
Por mais patranhas que os falaciosos inventem, não há forma de constituir equipas, em perfeita sintonia e cooperação, para colaborar com gente que ganhe vencimentos escandalosos, muito acima da média, enquanto que outros se matam a trabalhar para nem sequer terem com que suprir as necessidades básicas, suas e dos seus…Para quem tenha um mínimo de inteligência e de honestidade intelectual, é fácil perceber que também a solidariedade institucional, no país, deve envolver todos os cidadãos e obedecer às mesmas "técnicas de gestão" e de motivação; e que a existência desses vencimentos, dessas mordomias, é um entrave à resolução dos problemas.
Curiosamente, a evidenciar bem o primarismo, a ignorância, a falta de “inspiração”, dos nossos políticos e economistas, as “estratégias” seguidas para “resolver” as crises, são, ainda e sempre, as “ideias” velhas e ultrapassadas, de Keynes… (na sua versão portuguesa: apostas no betão), cujos resultados desastrosos estão à vista de todos.
De facto, ao invés de se constituírem equipas motivadas pelos objectivos, o que se vê, neste país, é trabalhadores desmotivados e mal pagos submetidos a cumprir ordens, quantas vezes absurdas e más, dadas por gente que ganha demais, para se entreter a fazer asneiras e a destruir… Que se entretém, pelo menos, a impedir a resolução dos problems do país, é óbvio...
É assim a ausência de cultura, de capacidade de raciocinar dos nossos notáveis. Só sabem “adoptar” soluções feitas, empíricas, e mesmo assim muito velhas, porque as suas pobres cabeças não dão para mais.
As coisas “teorias” modernas e eficientes, que podem, de facto, resolver os nossos problemas, eles desconhecem; até porque exigem um pouco mais de nível intelectual e de competência, não são coisas ao seu nível de “burgessos”.
Burgessos, convencidos, presunçosos, é o que "eles" são. Ciosos das suas ordens (e falsos prestígios), cuja legitimidade provém, exactamente, dos respectivos vencimentos e não da respectiva bondade ou adequabilidade…
Os que reivindicam vencimentos desmedidos não estão interessados nas condições para resolver os problemas, apenas estão interessados nos seus vencimentos. Depois, para se “justificarem”, exibem-se como se fossem “Messias”, favorecidos por inspiração e poderes divinos, a quem baste falar… para que tudo se resolva. E se não resolve, a culpa é dos outros, porque eles já disseram…

É de deitar as mãos à cabeça!
Como é que ainda há gente a pensar que as sociedades modernas podem aceitar ou tolerar isto!?…
Bem se vê que ninguém (de entre estes) está interessado em inovação, ou em melhoria do nível de formação tecnológica e profissional. Só estão interessados enquanto isso der para ganhar uns trocos em “seminários”. Conversa e mais conversa; é do que é feita a “competência” nacional, instituída.
Na verdade, estes políticos e notáveis, não têm competência, nem instrução, nem nível intelectual. Por isso nem sequer conseguem reconhecer as soluções, mesmo que tropecem nelas todos os dias.
Há formas, métodos de actuar, que permitem chegar às soluções (porque elas existem, na sociedade). Mas não se espere, de gente tão tacanha e presunçosa, que os adoptem, ou que eles resultem, porque esta gente “não vê um boi”…
Talvez seja melhor mesmo que os vencimentos dos políticos e gestores baixem, para que os cargos deixem de ser tão cobiçados e possam ser exercidos por gente com a motivação certa; a qual seja: conseguir resolver os problemas do país… pelo país…
Eu não defendo, em absoluto, a redução dos vencimentos dos políticos e gestores públicos. O que eu defendo é que devem ser estabelecidos (decididos através de consulta à população) limites superiores de vencimentos, indexados ao vencimento mínimo. Por exemplo: o vencimento máximo não poder ser superior a dez ou doze vezes o salário mínimo… Assim é que é democracia e se criam as condições para a efectiva solidariedade nacional.
Por outro lado, os responsáveis até poderiam ganhar 15 mil euros… desde que o vencimento mínimo fosse de mil e quinhentos euros…


sexta-feira, janeiro 06, 2006

Mais uma sondagem - valem o que valem, mas....

O eng. Sócrates é o principal culpado destes números e duma hipotética eleição de Cavaco, à 1ª ou à 2ª volta.
Mário Soares está completamente caquético e mal aconselhado, pelos seus mais próximos,pois teimar nesta candidatura é um completo desastre no sentido da mobilização do eleitorado de esquerda.
Espero, para bem de todos, ainda ver e ouvir o aparelho do PS arrepiar caminho e apelar à desistência de Mário Soares.

Dia do Cavaco

quarta-feira, janeiro 04, 2006

"Investimento" presidencial


A surpresa é Cavaco Silva, que prescinde de subvenções partidárias e se propõe ir buscar 400 mil contos ( 2 milhões de euros ) a contributos de particulares. Nos termos da lei, não podem ser empresas nem contributos anónimos. Mas 400 mil contos é muito dinheiro. Quem está por trás da candidatura de Cavaco? Quem lhe está a pagar a campanha?

domingo, janeiro 01, 2006

Quem não quer - pede; Quem quer - faz!

Não peça nada a Deus. Seria um contra-senso Deus fazer algo por você. Digamos que o Mundo estava com problemas, pediu a Deus que mandasse algum tipo de ajuda, e Deus mandou você. Agora, é entre você e o Mundo. Te vira, vai.

Não peça nada ao Destino. Esta é uma grave contradição filosófica, daquelas de fazer Aristóteles se revirar na tumba. “Destino” é um futuro que já aconteceu, que não pode mais ser modificado. Não perca seu tempo.

Não peça nada ao Acaso. O Acaso é quem governa este Universo, e é da natureza dele não escutar pedidos, mas aceitar interferências. Interfira, aja, interrompa, redireccione, transforme. O Acaso agradece.

Não peça nada aos Santos. Santo não é quem toma providências: quem toma providências é médico, bombeiro, mecânico, assistente social... Santo é quem sofre sem se queixar. Deixe que sofram em paz.

Não peça nada ao Governo. O Governo é um brontossauro de cinquenta patas e trinta pescoços, caminhando aos trancos e barrancos através da jangada antediluviana. Esperar dele alguma coisa que se aproveite equivale a subir pela sua cauda e ir morar numa choupana em seu dorso, tentando convencê-lo a seguir no rumo desejado. Esquece. Melhor ir a pé.

Não peça nada aos Bancos. Por definição, Bancos só dão remédio a quem vende saúde, só mandam marmitas gratuitas para os donos de restaurantes, e só oferecem absolvição espiritual aos cardeais do Vaticano.

Não peça nada às Autoridades. Autoridades são programadas apenas para obedecer ordens. Ou você tem cacife pra já chegar falando grosso, ou então é melhor deixar pra lá.

Não peça nada à Mídia. A Mídia acha que o anonimato é contagioso, e que a Fama também. Olhe pra trás, e veja se ela está indo no seu rastro ou não. Problema dela.

Não peça nada à Sorte. Sorte foi feita pra gente abrecar pela abertura, encostar no canto da parede, e dizer a que veio. Se você tiver pegada, a Sorte se derrete todinha.

Não peça nada à Humanidade. Ofereça e faça antes que ela peça. Existe no Universo uma Lei de Conservação da Energia Psíquica. Mais cedo ou mais tarde alguém fará o mesmo com você.

E pronto. Feliz ano-novo, bibibi, bobobó. Vá à luta, meu camaradinha. Tá olhando o quê?

© Braúlio Tavares

sexta-feira, dezembro 30, 2005

2005, um ano para esquecer


O Ano de 2005 começou mal, mas também não acaba nada bem.
Paira sobre a cabeça dos portugueses a possibilidade duma viragem ainda mais à direita com a eleição de Cavaco para a presidência da república, somos confrontados com aumentos generalizados de todos os bens e serviços muito acima da actualização dos salários. A tão falada crise ameaça agudizar-se, provocando falências, desemprego, aumento de inflação e perca nos salários reais.
A crise financeira transformou-se em económica e ameaça evoluir para politica e social.

- Começamos mal com Santana Lopes, mas a maioria de Sócrates, apesar de algumas ténues reformas, deixou-nos pior do que estávamos. O tão falado “choque tecnológico” não passa de uma expressão vazia.
- O referendo do aborto foi outra bandeira deixada cair, deixando claro que não há nenhuma maioria de esquerda no Parlamento.
- O processo “Casa Pia” continua a arrastar-se, livrando poderosos e prometendo transformar vítimas em culpados.
- A “Justiça”, descredibilizada e pelas ruas da amargura entra em greve e põe em causa o regular funcionamento das instituições.
- No mês de Junho morrem Vasco Gonçalves, Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade, três vultos da política e cultura respectivamente.
- Com o 1º ministro no Quénia, Portugal transforma-se numa imensa fogueira e a sua floresta é praticamente toda consumida pelo fogo.
- Enquanto isto assistimos ao triste espectáculo da agonia e morte do Papa João Paulo II, transformada num “circo mediático”.
- Quando em África morrem aos milhares vítimas de fome, malária e sida no mundo ocidental instala-se o “pânico” com receio duma hipotética pandemia da gripe aviaria.
- Realizam-se as eleições autárquicas e assistimos a outro espectáculo, com as candidaturas dos candidatos “bandidos” e o “regresso preparado” de Fátima Felgueiras, elevada aos altares.
- No Faial o PS perde a maioria na Câmara da Horta e pela 1ª vez, nos Açores a CDU participa na gestão dum município, neste caso à custa da figura de José Decq Mota.
- Em Carcavelos inventa-se o “arrastão” e no Brasil é denunciado o “mensalão”.
- Na França, a revolta de grupos de jovens socio-etnicamente marginalizados, puseram os arrabaldes das grandes cidades francesas, nomeadamente Paris, a arder durante 15 noites.
-Em Londres, os terroristas atacam de novo, provocando a morte e o pânico. A polícia, responde atirando a matar sem critério.
- O projecto de “Constituição Europeia” é rejeitado por franceses e holandeses, fazendo com que o projecto seja abandonado.
- New Orleans é arrasada pelo furacão Katrina, pondo a nu as fragilidades norte-americanas e a pobreza extrema que também existe nos EUA.
- o Paquistão é devastado por um terrível terramoto.
- George Bush, 30 000 mortos depois, vem aceitar que a justificação dada para a guerra do Iraque era falsa.
- Conhecem-se os candidatos presidenciais, assistindo-se a uma divisão nas hostes PS, sendo lançada a candidatura de Mário Soares, que promete uma humilhante derrota eleitoral.
- O “CP Valour” encalha na Praia do Norte, Faial e os responsáveis desperdiçam o bom tempo e deixam perder a barco, ameaçando uma catástrofe ecológica e ambiental.

Faço votos que 2006 seja um ano muito melhor, apesar dos maus prenúncios. A nossa capacidade de escolher e lutar são as nossas armas, se não as soubermos utilizar não nos podemos queixar.
Não há almoços grátis, ninguém dá nada a ninguém!

terça-feira, dezembro 27, 2005

Estão à espera de quê?

A Praia do Norte, o Faial e os Açores em geral estão a ser bafejados pela sorte. O "Verãozinho" que está instalado por estas bandas, tem permitido que o barco encalhado não seja completamente arrasado, provocando uma enorme catástrofe ambiental nas nossas costas e mares.
Já são passados 15 dias de bom tempo e apenas temos assistido a uma rudimentar limpeza da praia e infrutíferas tentativas de desencalhe.
Apesar de pairar o perigo de catástrofe, o governo regional congratula-se com o sucesso das operações. Devia congratular-se sim com o facto dos elementos da Natureza terem estado calmos, porque as operações e os meios tem falhado completamente. A conclusão que se tira, ao fim de 15 dias de bom tempo, é que tem reinado a calma, a improvisação, a falta de estratégia e alguma negligência.
Era bom que se fossem mexendo e obtendo resultados, pois estamos no Inverno.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Natal utópico


Imaginei um Natal humanitário, sui generis: sem poluição, sem violência, sem racismo, nem guerras, sem exploradores, sem explorados! Um Natal em que os homens e mulheres independentemente do sexo, da cor, do país de nascimento, da religião que professam, do tamanho, da força física, da inteligência, de credos políticos e ideológicos se dêem a mão como amigos, como irmãos, como iguais.

Um Natal em que os homens resolvam eliminar as armas químicas, bacteriológicas, atómicas, de hidrogénio; abandonar as pesquisas bélicas, desmilitarizar generais e soldados, derreter os tanques, as espingardas, as pistolas e metralhadoras, enfim, todas as armas e com essa matéria-prima fabricar ferramentas, máquinas agrícolas e industriais.

Um Natal com mágicos poderes para apagar todas as leis dos alfarrábios e dos cérebros, transformar os quartéis, seminários, igrejas e prisões em museus e escolas novas destinadas a educar, instruir e despertar a Humanidade só para praticar o bem. Abolir as cercas convencionais, conhecidas por fronteiras, acabar com as nacionalidades, os idiomas que separam, dividem e tornam os homens adversários, inimigos, gerando guerras. Um Natal que eleja o Esperanto como elo de ligação e entendimento entre os seres humanos. Um Universo sem policiais, juízes, advogados, funcionários burocráticos, comerciantes, banqueiros; livre de hierarquias, de homens e mulheres ligados só pelo Amor, associados em comunidades de afinidade, autogestionárias, de grandes famílias capazes de produzir (cada um fazendo o que sabe ou pode e recebendo o que precisa), até alcançar a igualdade de acesso a alimentos, vestuário, transporte, moradia e demais bens materiais, educação, ensino e lazer de forma a proporcionar a felicidade de todos.

Nesse Natal por mim imaginado um homem só valia um homem e como tal todos teriam iguais direitos e deveres. Não haveria lugar para o ódio, rancor, inveja, a ambição, a ganância, ninguém se escravizaria para acumular fortuna, porque o dinheiro e a propriedade privada não existiriam mais, haviam sido abolidos. Seria um Natal sem negociatas, sem ninguém para comprar e vender produtos, indulgências, armas para matar gente e comprar consciências, a boa vontade de funcionários, da assistência médica, dos servidores públicos, enfim, não haveria corruptores, corruptos, nem ladrões...

No meu Natal não existiria gente dormindo nas calçadas, debaixo dos viadutos, nos bancos dos jardins, pocilgas sem luz, sem ar, nem gente estragando alimentos que faltam a milhões de crianças e adultos, num mundo que teimam em proclamar de civilizado e cristão. Cheio de gente se enganando, envenenando e matando mutuamente, robotizadas e alienadas, vivendo em permanente conflito com o Ser e o Parecer, cada um disputando o seu espaço vital, sempre aperfeiçoando estratégias, cada vez mais sofisticadas, para suplantar os menos audaciosos e os mais dependentes.

Seria um Natal sem leis, expressão da vontade dos conquistadores, enunciando como querem eles governar seus súbditos e que os outros lhes obedeçam.

Um Natal onde a felicidade de um fosse a felicidade de todos!

Em suma, imaginei um Natal impossível enquanto os seres humanos teimarem em viver às custas dos seus semelhantes, implantando, para isso, sistemas políticos e religiosos capazes de convencer (por meios "divinos", jurídicos ou na pancada) os menos inteligentes e os acomodados que desde que o mundo é mundo sempre existiram pobres e ricos...

Eu discordo!

A natureza tudo deu de graça aos homens, por isso ninguém pode negar a esse mesmo homem o direito à sua parcela neste mundo que também é seu, que é de todos nós!

Será um Natal utópico, dirão! Mas é o que pode imaginar hoje um ateu: Um Natal de Todos. Humanista, por isso belo.

UM NATAL IMAGINÁRIO - 2ªparte
de Edgar Rodrigues

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Do "solstício de Inverno" ao Natal


Estamos diante de mais um dia de grandes contrastes, uma data que teve a sua origem na imperfeição do velho calendário, saído, como se sabe, dos solstícios, ou seja, das duas épocas do ano em que se registram alternadamente a mais longa noite e o maior dia.

A época da noite mais comprida é o solstício de Inverno. E como, nos dois hemisférios, as estações são inversas, o que é o solstício de Inverno para o hemisfério norte é o solstício de verão para o hemisfério sul, e vice-versa.

Os antigos ignoravam que existisse uma parte da Terra onde houvesse o verão enquanto os europeus e asiáticos viviam o Inverno. Julgavam que o solstício de Inverno marcava a época da mais longa noite para a Terra inteira.

Em seus mitos solares, faziam nascer o deus Sol no solstício de Inverno, no momento em que os dias começavam a crescer. A sua juventude era no equinócio da primavera. No solstício de verão raiava em todo o esplendor da sua força, e depois do equinócio de Outono, na regressão da sua idade, envolvia-se num escuro invasor.

Entre os povos do Oriente, o sol nascente era representado por um menino no colo de uma Virgem celeste, sua mãe. Os egípcios, em especial, celebravam todos os anos, no solstício de Inverno, o nascimento do pequeno Horus, filho da virgem Isis, e sua imagem era exposta, num presépio à adoração do povo.

A grande imperfeição do velho calendário romano, chamado de Numa, apesar das intercalações periódicas, feitas pelos padres, de um mês completo de tamanho variável, no tempo de Júlio César o ano estava atraso mais de 60 dias da época em que devia ter início. O ditador chamou o astrónomo alexandrino Sosígenes para refazer a diferença.

Para este a duração do giro da Terra em volta do Sol era de 365 dias e 6 horas, dando então origem ao ano de 365 dias com a reserva de 6 horas excedentes para formar um tricentésimo sexagésimo sexto dia a juntar cada 4 anos. Propunha ainda o começo do ano no solstício de Inverno. Mas César, para não chocar os demais habitantes romanos, preferiu que o 1 de Janeiro do ano da reforma Juliana fosse colocado não no solstício mesmo mas no dia da Lua nova imediata. Ora, nesse ano, a Lua recaía 8 dias depois do solstício de Inverno. Isso deu resultado a que, no calendário Juliano, o solstício correspondesse não ao 1 de Janeiro, mas a 25 de Dezembro.

O dia 25 de Dezembro tornou-se, então, no novo calendário imposto ao império romano, como data oficial da festa que celebrava por toda a parte o nascimento do Sol, de Horus egípcio, do Mirtha persa, do Phebo grego e romano, etc.

A Igreja ao sentar-se no trono imperial com Constantino, cerca de um século após a época de Júlio César, aproveitou a festa do solstício de Inverno, do menino Horus nos braços da Virgem Isis para transformá-lo em festa do Natal, que se comemora até aos nossos dias das formas mais extravagantes, possíveis e imagináveis.


Natal é também Província da República da África do Sul, capital do estado brasileiro do Rio Grande do Norte e significa nascimento, reunião, festa da família, época de grandes negócios...

UM NATAL IMAGINÁRIO - 1ªparte
de Edgar Rodrigues

quarta-feira, dezembro 21, 2005

O "espírito de Natal"

À medida que nos vamos aproximando do Natal, vejo-me dividido, como sempre, entre o prazer que retiro dos rituais familiares típicos da quadra e a minha profunda convicção de que, enquanto religião institucionalizada, o cristianismo tem sido um terrível desastre. Sou um ateu assumido.

Está chegando o Natal!
O Pai Natal encarrega-se dos presentes, aquele saco enorme!
As crianças ganham muitos brinquedos... Elas acreditam no Pai Natal.
Criaram a ilusão de que as coisas são fáceis... Basta que "sejam boazinhas" para receber o que desejam. E quando crescem o terrível choque de saber que o Pai Natal não existe! Tudo é MENTIRA?
É a festa mundial da mentira. Do Mundo Capitalista. Hipocrisia existe e se fosse doença letal, a maior parte da humanidade estaria morta, a maioria na noite de Natal, ao som de "Jingle Bells".
As pessoas esmeram-se para estar melhor que o outro... Roupas, Jóias, Carros... sorridentes não porque estão felizes...Fofocas... Uma felicidade representada por um novo brinquedo, uma nova roupa, um novo liquidificador, um imenso leitão assado, litros e litros de bebidas. Uma felicidade hipócrita, frágil e falsa... Aquele que está de carro novo, graninha no banco e pode me oferecer algo lucrativo (INTERESSE).
Um clima de melancolia, depois de passar 365 dias de brigas no dia de natal fingem que estão numa família normal, a mais harmoniosa do mundo...Parentes que passam o ano inteiro às turras, chefes explorando seus funcionários, maridos que traem as mulheres e vice-versa, pais com atitudes carrascas com relação aos filhos e também vice-versa, políticos roubando a população, todos eles, carrascos e vítimas confraternizando porque é Natal. Depois, no dia seguinte e no resto do ano, a sacanagem continua...até o próximo Natal. AMAI AO PRÓXIMO COMO A TI MESMO!
Empresas, poderosos, políticos, doam dinheiro e cabazes a instituições de caridade - que depois descontam nos impostos, as pessoas riem e choram de alegria, emocionam-se com o par de meias recebido, afinal o "Espírito de Natal" está ali presente.
Mas tudo bem é dia de Natal, nesta data festiva tão importante não existe pecado, vamos comemorar....
Comer até passar mal – GULA
Beber demais – ALCOOLISMO
Presentear por interesse – FALSIDADE
Dentro de casa aquele monte de gesso santificado – IDOLATRIA

É, estamos em época de Natal, lá está a árvore, com as luzinhas acendendo e apagando… e eu quero desejar a todos um Feliz Natal.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

A direita não pode lavar as mãos do terror!

O líder do CDS, animado pelas sondagens que dão a vitória a Cavaco à 1ª volta, põe as garras de fora e dando voz ao núcleo duro da comissão de apoio do candidato presidencial da direita, dispara em direcção à esquerda, qual fundamentalista direitista, responsabilizando-a pelos grandes males do mundo.
A direita que apoia Cavaco, mete no mesmo saco: a esquerda, o terrorismo, o capitalismo de estado, a constituição, o código do trabalho e o direito a tudo o que é universal e gratuito.
A eleição de Cavaco, pelo que conhecemos do seu passado e pelos apoios que tem, não nos pode deixar dormir descansados.


domingo, dezembro 18, 2005

Adeus, ó vai-te embora!

Parece que é desta que a Manuela Moura Guedes deixa a pantalha da TVI.
A notícia está em vários jornais, quase sempre com o cuidado de citar a própria, quando diz que “não estou agarrada ao ecran”. É óbvio que é mentira. Está agarrada sim senhor. A Manelinha não precisa de dinheiro, nem de um bom emprego, o que ela precisa mesmo é de palco para extravasar aquele sorriso devastador que a caracteriza. Sem esse palco, ela não é ninguém . Ou melhor, passa a ser a mulher do Moniz, o que deve saber a pouco… A verdade é outra. Sabemos que os espanhóis da Prisa costumam imprimir uma característica informativa nas suas empresas que não cola com o tabloidismo da TVI… e é sabido que Paes do Amaral está farto da Manela. Aliás, o desamor é recíproco e a Manelinha nem se coíbe de insultar publicamente o patrão. Trata-o por “o paneleiro” , em plena redacção… Percebem agora porque é que a senhora vai desaparecer? Pois…
A questão é se o marido irá atrás. Quero dizer, se o Moniz sempre se irá embora. Moniz continua a dizer que o Joaquim Oliveira tem um lugar para ele na administração do grupo de media… e o Balsemão talvez não desdenhasse ter o Moniz na Impresa, quer dizer, na SIC. Uuau! Que dois!
Seria a realização de um sonho antigo… e, mesmo involuntariamente, seria um favor que fariam a muito boa gente.

de navio negreiro

Precaridade - a "prenda" dos trabalhadores

A insegurança de uma vida precária é o que este governo e o mercado têm para nos oferecer. A independência a que tantos de nós aspiramos torna-se cada vez mais um sonho, porque ela depende da habitação própria.
Acabaram com o crédito jovem para a habitação restando apenas a hipótese de hipotecarmos as nossas vidas aos bancos, com empréstimos que atingem os 40 ou 50 anos de duração.
Os poucos privilégios que os trabalhadores-estudantes tinham foram retirados da lei. O trabalho precário é cada vez mais o único cenário possível, especialmente para os estudantes universitários. Na maior parte dos casos não existe um vínculo contratual e quando existe não é permanente. Os salários são baixos e os horários imprevisíveis. Tudo isto num país onde menos de 10% da população tem uma licenciatura, e o desinvestimento na educação é cada vez maior: as bolsas de estudos escasseiam e são miseráveis, as propinas aumentam brutalmente. Os livros de estudo são caríssimos e o material escolar e fotocópias são por nossa conta. Acabado o curso (quando se consegue acabar) as perspectivas de emprego pouco ou nada melhoram.
É preciso, e possível inverter esta situação. O melhor mesmo é actuarmos pelas nossas mãos, DEMOCRACIA DIRECTA é precisa e urgente.
Nada fazem para acabar com a fuga das grandes fortunas ao fisco nem com os off-shores e passam uma factura demasiado alta aos trabalhadores da função pública, aos estudantes, aos jovens trabalhadores, aos imigrantes e às mulheres que sofrem amplamente, não só com a precariedade mas também com a discriminação no acesso ao emprego e aos direitos conquistados.
Negam-nos os direitos ao trabalho permanente mas também ao ensino público, a uma habitação própria e à construção de uma vida independente.
Para os jovens de Portugal este problema é central. É tempo de crise, mas por todo o mundo, trabalhadores precários, de forma unida, conseguem inverter esta situação.
È preciso organizar a luta pelos nossos direitos. Pelas 35 horas/semanais, pela efectivação de todos os contratados a prazo, pelo controle do trabalho temporário.
Nas Empresas de Trabalho Temporário podemos ganhar até 40% menos. São raríssimos os trabalhos que duram mais do que seis meses e muitos duram dois ou três dias.
O despedimento sem justa causa é totalmente livre, bastando uma ordem do patrão.
O trabalho em part-time aumentou na última década, as horas extraordinárias não são pagas e os empregados não beneficiam das prestações sociais.
Na última década o desemprego entre os jovens com menos de 25 anos aumentou, disparou em flecha.
Eu trabalho, tu trabalhas, ele trabalha, nós trabalhamos e Eles Lucram…

GOULART MEDEIROS

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Cada rico, para o ser, gera 300 pobres


A crise passa ao lado dos automóveis de luxo. A Maserati foi a marca que mais cresceu em Portugal: onze viaturas vendidas de Janeiro a Novembro deste ano, mais mil por cento do que no mesmo período de 2004. Seguiu-se a Bentley, com uma progressão de 140 por cento (12 veículos comercializados). Na terceira posição ficou a Ferrari, que duplicou as vendas, com 18 unidades. A Porsche posicionou-se em quarto lugar: 239 viaturas vendidas, mais 22,56 por cento do que no ano passado.
Vendem-se estes carros de dezenas de milhares de contos, porque quem os compra fá-lo com o dinheiro das empresas, empresas estas que dizem que não podem aumentar os seus trabalhadores porque não aguentam, outras que fecham e despedem os trabalhadores e também aqueles que não pagam impostos, ou vivem de negócios escuros.
Vivemos num país de “obras do regime”, de OTA`s e outras negociatas, uns poucos a encherem-se e a grande maioria com salários de miséria ou no desemprego.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Sério perigo de catástrofe ambiental

Estimativas apontam para uma libertação de 75 a 175 toneladas de IFO380, das quais cerca de 30 toneladas já foram recuperadas durante as limpezas da Praia do Norte.
Provavelmente devido à introdução de ar sob pressão nos porões, o navio recomeçou a largar IFO 380. Neste momento há duas linhas, uma pela popa e outra pela proa, de combustível a sair do "CP Valour". Esta mancha, com cerca de 40 x 20 metros ainda não chegou a terra.
Confirma-se a existência a bordo do "CP Valour" de um contentor com "oito toneladas de trifenil fosfito, um produto químico antioxidante, que entra na composição de herbicidas e pesticidas e que reage ao contacto com a água. Outro tem 6,3 toneladas de tintas e há ainda um terceiro contentor com 1,9 toneladas de outra substância química oxidante, que é o persulfato de sódio". Para além disso, a bordo há 500 contentores de carga geral e 2000 toneladas de combustível.
Estão a ser equacionadas várias hipóteses de desencalhe, nomeadamente a instalação dum pontão que permita o desembarque de contentores, aliviando o peso, dragagem de areia em redor do barco, introdução de ar nos tanques para aumentar a flutuabilidade…
Se estas manobras falharem e considerando a época de Inverno e a carga do barco, corre-se um sério perigo de catástrofe ambiental.
Não há tempo a perder nem meios a regatear.

fotos http://www.horta.uac.pt/-: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Tricas em debate

O debate de hoje, entre Alegre e Soares, não acrescentou nada, mas veio provar que Soares se acha o maior: dono da democracia, do regime e dos socialistas.
Critica que Alegre se candidate, põe em causa a consistência da candidatura, dá orientações de vínculo partidário e ainda desvaloriza as capacidades e propostas do seu camarada de partido. Finalmente tem o mau gosto de, fazendo de juiz em causa própria, considerar que ganhou o debate.
O único argumento de Soares, para se candidatar e apelar ao voto, é a sua experiência, mas é um argumento que não colhe, pois nessa ordem de ideias o cargo deveria ser vitalício e nunca haveria renovação de ideias e protagonistas.
Foram dois candidatos a disputar os 30% de votos que Sócrates está a perder para Cavaco.
Continuo a achar que foi um erro Soares se candidatar, primeiro por já ter dado o seu contributo por mais duma vez, segundo porque não apresenta nada de novo e acaba por vir contribuir para o passeio de Cavaco, e por último para nos poupar a um mandato caquéctico e agonizante.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Barco encalhdo ganha raízes

Desde 6ª feira que está encalhado, na Fajã da Praia do Norte, um porta contentores, que devido a avaria se aproximou da costa, ficando preso no areal.
Estão a revelar-se infrutíferas as tentativas de retirar o cargueiro para águas mais profundas. As condições adversas do mar, o peso bruto, o posicionamento do barco e o fraco poder de tracção dos três rebocadores convocados, tem impedido a remoção do cargueiro que viajava do Canadá para Espanha.
Como consequência deste acidente acabou por acontecer um derrame que manchou de negro as límpidas águas da Fajã, não se sabendo ainda se terá origem nalgum rombo nos tanques de combustível, que transportavam mais de 1 100 toneladas de fuel ou se trata de “ águas sujas” da lavagem dos tanques.
As autoridades marítimas e ambientais já estão em acção, controlando e organizando operações por forma minimizar os riscos e danos que a mancha de poluição possa provocar na orla costeira.
Cada dia que passa parece tornar-se mais difícil a remoção do barco, que cada vez se enterra mais na areia. Certamente haverá maneira de o tirar, ali é que não pode ficar.

Mãe solteira, provável presidente do Chile

O poder quase absoluto da Igreja Católica no Chile, um país onde o divórcio só é possível desde o ano passado, está prestes a conhecer o seu primeiro contratempo desde o assassinato em 1973 do presidente Salvador Allende durante o golpe de direita, chefiado pelo general Pinochet, um católico exemplar.

De facto, o resultado das eleições de domingo é quase o equivalente a uma revolução pacífica, inesperada neste país sob tão marcada influência da Igreja de Roma. Assim, os resultados preliminares indicam que Michelle Bachelet , mãe solteira, de 54 anos, que nas suas próprias palavras encarna «todos os pecados capitais - socialista, a filha do seu pai, divorciada e ateísta» será muito provavelmente a primeira presidente chilena.
A socialista Michelle Bachelet venceu a 1ª volta das eleições presidenciais realizadas no ontem no Chile, com 45,95% dos votos e deverá disputar a 2ª volta em 15 de Janeiro contra o direitista Sebastián Piñera, que obteve 25,41%. O também direitista Joaquín Lavín, da União Democrata Independente (UDI), conseguiu 23,22% e o esquerdista Tomás Hirsch 5,4%.

O pai que ela menciona como um dos seus pecados capitais foi um general progressista da Força Aérea chilena que fez parte do governo de Salvador Allende em 1972 e que morreu de ataque cardíaco quando torturado pelos algozes de Pinochet, um ano depois do golpe de estado.
Michelle e a mãe foram enviadas para o infame centro de tortura Villa Grimaldi mas as suas ligações com os militares evitaram que tivessem o destino de tantos milhares de chilenos desta época negra do país e partiram para o exílio.

Em 2000 o presidente Ricardo Lagos, nomeou Michelle ministra da Saúde, cargo que abandonou dois anos depois quando passou a ocupar a pasta da Defesa.

Tou lixado!

Depois dos 50 anos, a única coisa que o médico deixa um homem comer com gordura, é a sua própria mulher ...

sábado, dezembro 10, 2005

Calimero, será?

Quanto mais baterem em Manuel Alegre maior será o efeito aglutinador da sua candidatura. Não há dúvidas de que, apesar de não ter suporte partidário, já formalizou a sua candidatura, as sondagens continuam a ser-lhe favoráveis e parece ser capaz de defrontar Cavaco na 2ª volta.
Manuel Alegre nunca negou que era do PS, um partido social-democrata, portanto do centro/esquerda, uma área imprescindível para a eleição dum Presidente da República. Aliás, é utópico a esquerda pensar que vai eleger um candidato da sua área.
Manuel Alegre só pode ser acusado de ser do PS, mas acontece que está fazendo um percurso inverso ao de Soares, é verdade que obrigado pelas circunstâncias, mas ganhou liberdade e capacidade crítica em relação ao governo ao contrário de Soares que está irreconhecível, agora está com Sócrates a 100% e já nem fala dos americanos.

Não há dúvida que Mário Soares só avançou para esta corrida depois de ter garantido algum apoio dos partidos à esquerda do PS, basta ver a forma diferente como se lhe referem, as presenças no seu lançamento e comissão.
É correcto a esquerda aparecer nesta eleição defendendo projectos próprios, apresentar candidatos que cubram a maior área possível, com efeitos positivos no combate à abstenção e na subtracção de votos no candidato da direita.
Já não me parece tanto correcto esse pacto com Mário Soares, depois deste trair Alegre e se dispor a meter agora o republicanismo na gaveta, fazendo um 3º mandato papal, cujo termo espero não seja também transmitido em directo nas TVs.
Todas as críticas são legitimas, mas não caiamos na tentação de fazer o jogo de Sócrates que parece tudo fazer para levar Cavaco ao colo para Belém.

Manuel Alegre não é um candidato de esquerda, mas é o candidato que a esquerda pode eleger, com votos também do centro. Não ver esta evidência é contribuir para eleger Cavaco senão na 1ª é à 2ª de certeza.
Oxalá tenhamos de engolir um sapo, votando Alegre à 2ª volta.

Louçã abana Cavaco


Até que enfim! Desta vez foi um debate a sério. Ficou muito por discutir e aprofundar mas também pela primeira vez, Cavaco Silva foi obrigado a dizer mais do que pretendia, a sair do discurso redondo e a clarificar algumas posições.

Cavaco Silva foi confrontado com o período em que foi chefe de governo e o país recebia cinco milhões de euros de fundos comunitários por dia e o preço do barril do petróleo caíra significativamente e não soube fazer as apostas certas na formação, na educação, nas qualificações, ou nas tecnologias que agora tanto se reclama. Francisco Louçã também demonstrou que nesse período as injustiças e as desigualdades aumentaram, apresentando números que não foram questionados.

Cavaco Silva deixou implícito que defende a liberalização do desemprego e não tem propostas ou ideias sobre a sustentabilidade do sistema de Segurança Social a não ser o aumento da idade da reforma. Surpreendentemente, Cavaco Silva, mete o pé na poça onde menos se espera ao preconizar estudos sobre o estado da Segurança Social quando estes estão feitos e são credíveis. É extraordinário como um economista e candidato presidencial desconhece os problemas na sua extensão e alvitre soluções.

Também ficou demonstrada a insensatez de querer intervir na governação com sugestões de propostas de lei, como foi desmontado por Louçã, pois na primeira vez que isso acontecesse, duas coisa podiam acontecer ou o Parlamento era irremediavelmente condenado a um papel subalterno, com os perigos que isso acarretaria, se fossem por aí ou se recusassem, abria-se um conflito institucional.

Também sobre as escutas Cavaco Silva sugeriu propostas contra as escutas ilícitas quando elas já existem, não são é aplicadas.

Do mesmo modo ficou implícito o seu apoio à cimeira das Lages que lançou a guerra no Iraque e também o apoio à própria guerra, embora no quadro das Nações Unidas.

Mas ainda muita coisa ficou por dizer, mas Cavaco Silva já disse mais alguma coisa que ajuda a perceber o seu pensamento.

Francisco Louçã falou claro, as suas ideias não tem duas interpretações.

Sobre o aumento da idade da reforma, sobre a segurança social (o único candidato com propostas concretas no seu programa mas que não puderam ser aprofundadas), sobres as prioridade do País, (a defesa de politicas de criação de emprego e qualificações e o ataque ao desemprego), o não apoio à intervenção portuguesa no Afeganistão e no Iraque e não fugiu a questões, como o casamento de homossexuais ou a legalização dos imigrantes com base no direito de solo.

O debate mostrou duas personalidades e duas visões do mundo e nesse sentido foi esclarecedor.

Francisco Louçã soube ser acutilante, persuasivo, elevou a qualidade do debate, falou olhos nos olhos, cara a cara, com segurança e com conhecimento dos assuntos e obrigou Cavaco a abrir-se mais do que queria.

Cavaco Silva estava tenso, atemorizado, titubeante, surpreendido, nunca olhou para o adversário, (ao contrário de Louçã que procurou o debate mais solto) e cometeu alguns lapsos, sendo que em determinados momentos, de tão confundido, pareceu que ia encostar às boxes. Soube reagir na segunda parte do debate mas sem conseguir sair da mediania e fugindo, algumas vezes, às questões, refugiando-se no que estipula a Constituição.

Julgo que este debate conseguiu encostar Cavaco Silva à direita, retirando-lhe apoios ao centro político-partidário e nessa medida foi um grande contributo para derrotar Cavaco Silva.

Eu espero é que também a candidatura de Louçã tenha ganho alguma coisa!

a hora que há-de vir

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Debate para cumprir calendário

Considerando os candidatos e o modelo do debate, não se esperava nada de extraordinário nem emocionante.
Não há dúvida que apesar do objectivo comum, derrotar Cavaco, existe um pacto, sem o qual Soares não se tinha candidatado, de não agressão e de viabilização da candidatura da "velha rapoza". Espero que Manuel Alegre seja capaz de estragar este arranjinho.
O debate de hoje tem de ser diferente, Louçã (professor doutor de economia) tem de encostar Cavaco à parede e desmontar-lhe a pose de "salvador da pátria". Só o debate de hoje pode abrir caminho para a derrota de Cavaco.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Assim, não vamos lá!

Portugal é o país da União Europeia onde o nível de escolaridade da população é mais baixo (79,4% tem apenas o ensino básico ou menos; apenas 11,3% possui o secundário e somente 9,4% o ensino superior) e onde o abandono escolar prematuro é mais elevado (em 2004, atingia 39,4% em Portugal, quando a média em todos os países da União Europeia alcançava apenas 15,7%). No entanto, no Orçamento do Estado para 2006, o valor orçamentado para o “ensino básico e secundário” diminui em –0,5% e, para o ensino superior, desce em –2,5%. E isto em valores nominais, porque em valores reais a diminuição é muito mais elevada. Tudo isto sucede quando, devido ao atraso em que se encontra o País neste campo, era necessário investir muito mais, mas a obsessão do défice falou mais alto.

E tudo isto sucede quando uma das causas da baixa competitividade da Economia Portuguesa é precisamente o baixíssimo nível de escolaridade e de qualificação da população empregada, e quando os especialistas que têm visitado o nosso País têm afirmado que Portugal, para poder ultrapassar rapidamente o grave atraso em que se encontra neste campo, terá de investir mais neste campo, e nunca reduzir o esforço financeiro, como acontecerá em 2006 com o Orçamento do governo que foi aprovado.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Jogaram pró empate

A jogar à defesa não se marcam golos.
Num confronto onde Cavaco joga para não perder os votos que as sondagens lhe dão e Alegre joga para não hostilizar os votos do PS, pode dizer-se que o jogo terminou empatado.
É verdade que o figurino do debate também não ajudava muito, como dizia um comentador, foi um debate plano, sem altos nem baixos, mais uma entrevista cruzada.

A avaliação pode fazer-se mais pelo estilo, onde Alegre estava mais à vontade e com um discurso mais fácil e confiante. Quanto ao conteúdo, Cavaco não consegue enxergar para além da sua “profissão” de economista, vacila em temas como o Iraque, cooperação estratégica e não tem uma visão alargada dos poderes e da função presidencial.

O resultado da sondagem relâmpago da SIC Notícias, que dá a vitória a Cavaco, não é mais que o reflexo das sondagens já realizadas.
Para ganhar debates e votos vai ser preciso arriscar mais. Passar da defesa ao ataque.

domingo, dezembro 04, 2005

País velho e miserável

O governo acabou de anunciar os aumentos das pensões para o ano de 2006. De acordo com o comunicado que se encontra disponível no site do Ministério do Trabalho, os aumentos são os seguintes:

A pensão média de 796.725 reformados que recebem as pensões mínimas do Regime Geral aumentará apenas 10,21 euros, ou seja, 34 cêntimos por dia, pois passará de 236,05 euros para 246,26 euros.

A maioria dos reformados deste grupo receberão apenas 223,2 euros, já que os que recebem este valor representam 59,4% do total. O número de reformados que receberão pensões inferiores a 300 euros por mês soma 729.299, ou seja, 91,5% do total.

A pensão média englobando a Pensão Social e a dos Agrícolas aumenta apenas 7,05 euros, ou seja, 24 cêntimos por dia. Se considerarmos individualmente cada uma destas pensões, o aumento por mês varia entre 6,7 euros e 8,26 euros por mês, o que é um valor muito baixo.

Em 2006, menos de 60.000 reformados, com mais de 80 anos, receberão a chamada pensão extraordinária prometida pelo eng. Sócrates durante a campanha eleitoral para todos os pensionistas que estivessem abaixo do limiar da pobreza, ou seja, que tivessem um rendimento mensal inferior a 300 euros. No entanto, em 2006, mais de 1.100.000 reformados receberão pensões inferiores a 300 euros por mês.

De acordo com a mesma informação constante também do referido site, os restantes reformados que recebem pensões superiores às mínimas, que são mais de 1.700.000, verão as suas pensões aumentar apenas em 2,3%. Em 2006, a taxa de inflação aumentará, segundo o Banco de Portugal, em 3% e, segundo o FMI, em 2,5%. Como consequência, estes reformados verão o poder de compra das suas pensões diminuir.

A juntar a tudo isto, há que acrescentar os trabalhadores aposentados da Administração Pública, que ultrapassam os 500.000, e cujo aumento das pensões depende do aumento das remunerações dos trabalhadores do activo. Como nos últimos anos estas têm aumentado menos que a taxa de inflação, as pensões destes trabalhadores têm perdido poder de compra. E poderá suceder o mesmo em 2006.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Bom senso europeu

A União Europeia emitiu um comunicado onde desautorizou completamente toda a política americana de prevenção à SIDA. Pela primeira vez a Europa afirma com todas as letras que os programas de abstinência promovidos pela administração de Bush não são eficazes e que devem ser rejeitados pelas nações que desejam proteger os seus cidadãos.

Neste momento a União Europeia considera como prioridades o uso do preservativo (absolutamente fulcral), educação sexual e cuidados de saúde reprodutiva. Considera-se ainda como extremamente preocupante a ressurgência de mensagens enganadoras e sem validade empírica no que toca à prevenção do VIH. Uma óbvia referência aos programas americanos. Convém referir que dois terços da ajuda americana neste campo são usados exclusivamente para a promoção da abstinência. Trata-se acima de tudo da promoção de um modelo religioso sobre a capa de ajuda humanitária.

Vale a pena citar as palavras da secretária europeia para o desenvolvimento internacional, Hillary Benn : “... não acredito que as pessoas devam morrer porque têm sexo.”

E tudo vai bater nesse ponto, neste momento a política humanitária americana está a ser comandada por um dogma religioso (é a própria ONU a afirmá-lo) e está a causar estragos incríveis nas zonas mais afectadas pela doença ao cortar os fundos para os meios eficazes (leia-se - preservativo).

Felizmente que e União Europeia se dissociou claramente do programa de evangelização norte-americano, que haja pelo menos uma voz forte e sensata na comunidade internacional.

de Pedro Fontela

quinta-feira, dezembro 01, 2005

A pandemia dos "nossos pecados"

Em todo o mundo em 2005, 4,9 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus da SIDA, o maior salto desde que o primeiro caso dagnosticado, em 1981. Segundo o porta-voz do Programa das Nações Unidas sobre HIV/SIDA, actualmente há 40,3 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo—contra 37,5 milhões em 2003.
Os 4,9 milhões de novas infecções de HIV registados em 2005, ocorreram principalmente na África subsaariana, Rússia e países do Leste Europeu, segundo o relatório.
Só neste ano, mais de 3,1 milhões de pessoas morreram por causa da SIDA, incluindo 570 mil crianças, aproximadamente 13.500 pessoas foram infectadas por dia com o vírus HIV, a maioria delas, 95%, nos países mais pobre africanos, de acordo com o estudo.

O Papa Paulo VI baniu o uso de contraceptivos pelos católicos há 37 anos, e a hierarquia da igreja considera o assunto encerrado desde então.
João Paulo II reiterou que a Igreja Católica Romana deve ensinar que o uso do preservativo é proibido, mesmo para evitar a dispersão da SIDA, considera, que acima de tudo, é necessário combater a doença de uma forma responsável aumentando a prevenção, através da educação acerca do respeito pelo valor sagrado da vida e formação sobre uma sexualidade correcta, que pressupõem castidade, abstenção e fidelidade.
A ICAR está para o preservativo como o Islão para o toucinho. O bom senso não é o forte das religiões e a compaixão não consta dos seus valores. Bastaria o drama de África, onde a epidemia da SIDA grassa de forma devastadora, encaminhando o Continente para uma hecatombe, para abdicar de um dogmatismo estulto e criminoso.
Os beatos preconceitos continuam sendo um obstáculo às campanhas de saúde pública, um entrave à prevenção das epidemias e um estorvo ao bem-estar humano. Intérpretes encartados de um Deus cujo prazo de validade há muito se extinguiu, arautos de uma moral anacrónica, zeladores intransigentes da dor e do sofrimento, continuarão a ser cruéis, obsoletos e hipócritas.

Combater a SIDA é uma obrigação para salvar vidas humanas. Desacreditar as Igrejas é uma medida sanitária imprescindível à felicidade humana. Dentro de poucos anos um Papa qualquer pedirá perdão pelos crimes do actual, tal como o anterior pediu pelos dos seus antepassados, sempre sobre os escombros das sociedades a que levaram a angústia, a dor e a morte.

quarta-feira, novembro 30, 2005

À 2ª, estalou o verniz!

Manuel Alegre voltou a faltar à votação do orçamento, agora na versão final, como disse aquando da votação na generalidade, era o mínimo que se lhe exigia.
A posição correcta era ir lá e votar contra ou então pedir a desvinculação do PS, mas isso era pedir demais a Manuel Alegre (histórico fundador do partido), portanto, apesar de dizer que votaria o documento se o seu voto fosse indispensável, o que é certo é que o não votou.
Esta atitude, repetida, fez estalar o verniz do aparelho Socrático que vinha usando o argumento de que o partido era plural e que Alegre tinha o direito de se candidatar.
Cada vez é maior o desconforto do aparelho de Sócrates, não há maneira de Soares subir nas sondagens, apesar dos compromissos que este procurou garantir à sua esquerda, começa a instalar-se o pânico nas hostes fieis ao líder, não vá haver segunda volta e ser Manuel Alegre o candidato a enfrentar Cavaco.
Espero ter o gozo de ver o Sócrates, muito contrariado, vir apelar ao voto em Manuel Alegre. Vai ser de partir o côco.

O meu contributo pá campanha do Cavaco

terça-feira, novembro 29, 2005

Movimento "deixem o Professor comer"

Foi notado nos meios democráticos que os assessores de Cavaco Silva, em particular o seu assessor de imprensa, o ex-director do DN Fernando Lima, não deixa o Professor comer. Revela a revista Sábado, que garante que o Professor tem humor, que no Brasil Fernando Lima impediu vergonhosamente o candidato de por um pão de leite na boca, com medo das fotos dos jornalistas presentes, que lembrassem o episódio do bolo-rei.
Mas um pão de leite não é um bolo-rei e a indignação dos democratas cresceu quando se soube que esta opressão se vai manifestando com regularidade. Por isso, está a nascer um movimento "Deixem o Professor comer", para garantir o direito de todos, incluindo os do candidato.

diário campanha de Francisco Louçã

segunda-feira, novembro 28, 2005

"Trindade" de símbolos


48 anos lado a lado

É bom lembrar e também dizer aos mais novos, que os crucifixos não apareceram nas paredes da escola por obra de nenhum milagre, foram mandados lá pôr ao lado da fotografia de Salazar, por ordem deste ditador que nos crucificava a todos. Surgem como moeda de troca pela bênção da ditadura pela hierarquia da Igreja católica, a quem era dado o exclusivo da evangelização em Portugal, aquém e além-mar.
A presença de símbolos religiosos nas salas de aula e a obrigatoriedade das aulas de religião e moral são imposições que não se admitem em estados laicos e democráticos. A religião deve ser uma emanação da liberdade e não um sub-produto da ditadura.
Os cristãos podem usar crucifixos ao pescoço, pendurados no espelho retrovisor do automóvel, colocados nas paredes das salas ou pousados nas mesas de cabeceira, não podem é obrigar uma população inteira, seja ou não cristã, a continuar a recordar que durante décadas Deus e Pátria fundiam-se num único símbolo da Nação.
A irritação da Igreja Católica com a retirada dos crucifixos das escolas é pura hipocrisia, a não ser no sentido em que estes servem para impor as suas convicções aos que as não partilham.

CITAÇÃO



Se planificares para um ano, planta arroz.
Se planificares para um década, planta árvores.
Se planificares para um século, educa os teus filhos.

KWAN-TZU (300 a. C.)

sábado, novembro 26, 2005

Compre Menos VIVA Mais!


Hoje, 26 de Novembro, celebra-se mais um “Dia Sem Compras”. Pretende ser um dia de reflexão sobre as consequências éticas e ambientais do consumo. Os países ricos – que correspondem apenas a 20% da população- são culpados de consumirem 80% dos recursos naturais do planeta, causando elevados estragos ambientais e uma injusta distribuição da riqueza
Num mundo em que o consumismo nos consome, cabe a todos a tarefa de promoção do consumo responsável. Repensar a forma como os países industrializados utilizam abusivamente os recursos naturais e as suas consequências para os países mais pobres é cada vez mais urgente.

O “Dia Sem Compras” não pretende fazer a apologia da regresso à idade da pedra nem que todos os dias sejam dias sem consumo. O “Dia Sem Compras” quer sim lançar reflexões que possam alterar os padrões de consumo em todos os dias do ano.
Consumir menos, informarmo-nos sobre a origem dos produtos, empenharmo-nos na reciclagem e reutilização das embalagens e pressionar as grandes empresas a co-responsabilizarem-se pelos impactes provocados são tarefas urgentes e necessárias. Os consumidores têm aqui um papel fundamental e podem realmente fazer a diferença.

sexta-feira, novembro 25, 2005

Blogar, uma relação amorosa?

E, de repente, quando no início blogar parecia tão fácil como sermos nós próprios, descobrimos afinal que é um casamento com um cônjuge exigente, que quer atenção, mimos, carinho, afecto, novidades, surpresas, prendinhas, jantares íntimos e sexo tórrido todos os dias, no meio da rotina mais banal e ínsipida.
E então uma pessoa começa a pensar se lhe interessa mesmo manter essa relação, se não prefere procurar amantes novos, sair com os amigos, ler livros interessantes, ir a cinemas e teatros, voltar ao diário rabiscado.

E depois vem a hesitação de abandonar os filhos-posts, o receio de ficar só, a angústia de não se voltar a encontrar um cônjuge tão devoto, tão carinhoso, tão amante.

E então é preciso escolher. Às vezes persiste-se, escolhendo a segurança dos episódios felizes e dos momentos inesperados. Outras vezes divorciamo-nos, só para regressar de imediato ao conforto dos mesmos braços. Outras ainda procuramos novos braços que nos acolham. E alguns desaparecem, no sossego da vida sem compromissos.

No fim de contas, blogar talvez nos fascine e prenda porque é tão parecido com amar.


Mulheres violentadas, com Abrigo na Horta

Vivemos num mundo de grandes disparidades e a situação das mulheres não é excepção. Das situações de mulheres condenadas à lapidação, à prática da mutilação genital, aos casamentos comprados e forçados, podemos afirmar que em grande parte do globo as mulheres não existem enquanto cidadãs e lhe são negados os direitos mais primários.

Na Europa, onde se diz que as mulheres já alcançaram tudo, persistem situações de discriminação e de subalternidade das mulheres na sociedade. Se é verdade que muito se alcançou, em direitos consignados na lei, também é verdade que estamos longe de uma plena vivência democrática e cidadã para as mulheres.

O privado é exemplo disso. O combate à violência contra as mulheres está na agenda política das feministas de todo o mundo e da Europa em particular. Os números são assustadores em Portugal e cada vez se levanta mais o véu sobre aquilo que se passa dentro do lar, atravessando todos os sectores da sociedade. A violência patriarcal assenta nas concepções mais retrógradas sobre as mulheres e em conceitos de poder dos homens. Aqui o privado é político. O combate à violência contra as mulheres nos seus diferentes aspectos - violência física, psicológica, social, económica e sexual, está directamente ligado ao estatuto da mulher na sociedade e por isso não se compadece com simples retórica do poder político. A maior visibilidade deste questão, deve-se ao facto de ela ter saltado para a agenda política, fruto em grande medida da luta feminista, mas também se deve ao maior nível de consciencialização das mulheres que já não a aceitam, que a denunciam e rompem os silêncios que a envolvem. É potenciando esta maior consciencialização que será possível combater a violência e não numa mera vertente assistencialista, que apenas vê a mulher como vítima.

A discriminação directa e indirecta da mulher no mercado de trabalho, continua a ser um dos entraves a uma verdadeira afirmação dos direitos das mulheres. A reivindicação do início do século passado de "a trabalho igual, salário igual", continua a não ser praticada e vivem-se situações que vão desde a não admissão de trabalhadoras porque podem vir a engravidar até aos famosos tectos de vidro que impedem as mulheres de progredir na carreira. O mundo económico e em certa medida também o mundo sindical, continua a ser masculino.

A luta pela despenalização do aborto assume particular importância, mas a luta feminista não se esgota nesta causa. O direito à cidadania no trabalho, a afirmação da mulher no seio da família, em igualdade de oportunidades com o homem, combatendo o contrato social e sexual implícito que pressupõe o feminino afecto à esfera privada e o masculino à esfera pública, o direito à participação política, a luta contra a violência de género.

Hoje é o Dia Mundial para Eliminação da Violência Contra as Mulheres e o núcleo da UMAR do Faial assinala a data com a inauguração oficial da casa Abrigo que já se encontra em funcionamento, na Rua Juiz Macedo, na Horta.

quinta-feira, novembro 24, 2005

2 sondagens do mesmo dia - valem o que valem


Cavaco Silva perde terreno e não garante eleição à primeira
Candidato da direita mantém vantagem confortável. Alegre reforça segundo lugar


paulo baldaia

Cavaco Silva mantém uma confortável vantagem sobre os principais adversários, mas ficou mais longe de ganhar na primeira volta. O candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS tinha em Outubro 48,8% dos votos e tem agora 44%, sem contar com os indecisos.

Manuel Alegre mantém-se como o candidato com mais possibilidades de disputar uma eventual segunda volta, tendo subido em relação ao barómetro de Outubro qua- se um ponto percentual. Alegre tem agora 14,6% das intenções de voto, alargando ligeiramente a diferença em relação ao candidato apoiado pelo PS, Mário Soares, que sobe apenas três décimas, para os 10,6%.

À esquerda há uma mudança de posição entre o candidato comunista, Jerónimo de Sousa - sobe ligeiramente para os 4,9% -, e o candidato do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã - está agora em quinto lugar, com 4,6%


A mentira tem perna curta

A notícia (Jornal do Fundão de 17/12/93) - recorte da época

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A nota de imprensa do BE - que não se vê divulgada

Valter Lemos mentiu novamente

Valter Lemos mentiu mais uma vez. Não só teve faltas, como teve faltas injustificadas e em excesso. Foi por isso que o executivo camarário decidiu a perda de mandato do actual Secretário de Estado em 7 de Dezembro de 1993, na mesma data que Francisco Louçã e o Bloco de Esquerda sempre afirmaram.

1. No dia 20 de Novembro, Valter Lemos afirmou à comunicação social que “como vereador nunca tive qualquer falta. O absentismo não faz parte da minha carreira”.

2. Hoje, Valter Lemos apresentou uma certidão passada pelo actual presidente da Câmara de Penamacor dizendo que não consta dos arquivos camarários qualquer registo sobre a perda do seu mandato de vereador. Baseado nessa certidão, Valter Lemos alterou a sua declaração inicial, passando a dizer que nunca deu faltas injustificadas.

3. Valter Lemos mentiu mais uma vez. Não só teve faltas, como teve faltas injustificadas e em excesso. Foi por isso que o executivo camarário decidiu a perda de mandato do actual Secretário de Estado em 7 de Dezembro de 1993, na mesma data que Francisco Louçã e o Bloco de Esquerda sempre afirmaram.

4. O actual presidente da Câmara não nega que esta decisão tenha existido; o que diz é que ela é nula, porque teria sido tomada ao abrigo de uma lei de 1984, revogada em 1989. Não está em causa aqui o formalismo legal atrás do qual se esconde Valter Lemos e o presidente da Câmara de Penamacor. O que está em causa é se é verdade ou não que Valter Lemos faltou. O presidente da Câmara, querendo defendê-lo, acaba por confirmar: Valter Lemos faltou.

5. O Bloco de Esquerda reafirma o pedido de demissão imediata de Valter Lemos. Fica absolutamente claro que o Secretário de Estado, na tentativa de salvar a sua face, se envolve cada vez mais numa teia de mentiras que não consegue obscurecer a verdade.

6. Qualquer que seja a lei, a verdade é só uma: Valter Lemos perdeu o mandato de vereador por excesso de faltas. Contrariando todas as afirmações categóticas de Valter Lemos, como Louçã e o Bloco sempre disseram, não restam hoje dúvidas sobre as faltas de Valter Lemos.

7. Voltando ao essencial: o mesmo secretario de Estado que, faz publicar no dia de uma greve de docentes, um estudo incompleto sobre os números de faltas dos professores no ano lectivo que começou com um mês de atraso, só não perdeu o seu mandato de vereador por excesso de faltas graças a um erro processual (“não ter havido uma audição prévia do interessado, nem qualquer acção inspectiva em que essa medida fosse proposta, como era imperativo legal”)

Nota de imprensa do Bloco de Esquerda

quarta-feira, novembro 23, 2005

A estratégia de Sócrates vai-se confirmando!

Manuel Alegre vs Mário Soares ou Mário Soares vs Manuel Alegre ... não é mais que uma triste guerrazinha pessoal entre duas personalidades!

Um espectáculo que exibe o estado a que o PS de Sócrates chegou: não há debate democrático, as grandes decisões são tomadas por uma direcção que se comporta como uma espécie de "conselho de administração" sem qualquer intervenção dos militantes, directa ou indirecta!

No caso concreto da escolha do candidato presidencial do PS, não houve qualquer debate entre os militantes socialistas. Houve, tão-sómente, uma decisão da direcção de Sócrates que resolveu ficar-se pela audição das direcções distritais, como se isso equivalesse a ouvir a vontade dos militantes!

Manuel Alegre, o candidato "traído" pela direcção do PS, e, Mário Soares, o candidato da direcção Sócrates e do governo, dão agora um muito triste espectáculo que só serve de campanha contra eles mesmos e marca pontos a favor de Cavaco Silva!

No final de contas, parece que tudo se conjuga para que Sócrates possa governar tendo por Presidente o seu candidato preferido, Cavaco Silva, e, no PS, não tenha a oposição de socialistas que apresentará como "derrotados", Mário Soares e Manuel Alegre!

Como seria se as esquerdas tivessem tido capacidade e vontade políticas para a escolha de um candidato de unidade e de projecto de esquerda?

terça-feira, novembro 22, 2005

CUIDADO NOS SEMÁFOROS!

Isto é um aviso para os condutores desprevenidos.
Um par de raparigas anda a enganar os condutores parados nos semáforos.
A primeira, com um busto avantajado e um top reduzido (com as mamas
quase ao léu) oferece-se para lavar o pára-brisas do carro, enquanto
a outra aproveita a distracção para roubar tudo o que estiver no
porta luvas do carro enquanto se envolve em sexo oral com o condutor.

CUIDADO! Elas são perigosas e estão bem organizadas.
Eu já fui roubado 22 vezes na última semana. 5 vezes ontem, 6 vezes na
terça-feira e 7 vezes na segunda-feira.
Na quarta-feira não consegui descobrir onde é que elas estavam a
trabalhar e hoje também não.

Quem será o mentiroso?

segunda-feira, novembro 21, 2005

O papel da Sociedade Civil


Na última década do século XX, assistimos, em todo o mundo, a uma multiplicação dos estudos sobre o tema da cidadania, envidando-se um grande esforço analítico para enriquecer a abordagem conceptual da noção de cidadania e da sociedade civil.
As teorias marxistas enfatizam a reconstituição da sociedade civil - ideia primeiramente ventilada por Hegel e retomada por Marx. Na realidade, pode-se afirmar que para Marx e Hegel, a noção de sociedade civil abrangia todas as organizações e actividades fora do Estado, inclusive as actividades económicas das empresas.
A cidadania concerne, desse modo, à relação entre Estado e cidadão, especialmente no tocante a direitos e obrigações. Teorias acerca da sociedade civil, preocupadas com as instituições mediadoras entre o cidadão e o Estado, adicionam à compreensão dessa relação uma gama mais variada de possibilidades. É importante observar, contudo, que assim como a cidadania, a noção de sociedade civil nunca foi uma ideia central nas ciências sociais.
No entanto, da mesma maneira que o termo “cidadania”, também “sociedade civil” constitui alvo de discussão. Também aqui poderíamos isolar três perspectivas principais. Para a teoria marxista, sociedade civil constituiria uma esfera não-estatal de influência que emerge do capitalismo e da industrialização; Por sua vez, a definição normativa leva em conta o desenvolvimento de efectiva protecção dos cidadãos contra abusos de direitos. Já a visão das ciências sociais enfatiza a interacção entre grupos voluntários na esfera não-estatal, conforme a definição abaixo:

Sociedade civil representa uma esfera de discurso público dinâmico e participativo entre o Estado, a esfera pública composta de organizações voluntárias, e a esfera do mercado referente a empresas privadas e sindicatos.

Constata-se que cidadania e sociedade civil são noções diferentes: ao passo que a primeira é reforçada pelo Estado, a última abrange os grupos em harmonia ou conflito, mas ambas são empiricamente contingentes. A sociedade civil cria grupos e pressiona em direcção a determinadas opções políticas, produzindo, consequentemente, estruturas institucionais que favorecem a cidadania. Uma sociedade civil fraca, por outro lado, será normalmente dominada pelas esferas do Estado ou do mercado. Além disso, a sociedade civil consiste primordialmente na esfera pública, onde associações e organizações se engajam em debates, de forma que a maior parte das lutas pela cidadania são realizadas em seu âmbito por meio dos interesses dos grupos sociais.

Neste início do séc. XXI, em que as dinâmicas históricas extravasam o quadro dos protagonistas tradicionais; quando a múltipla pertença individual resultante do jogo das liberdades pessoais e colectivas sustenta novas instituições fundadas no direito originário da liberdade de associação e que realizam potencialidades do ser humano; quando, na ordem política interna, o estado se tornou grande demais para as pequenas tarefas e pequeno demais para as grandes e quando, nas relações internacionais, o fim da velha ordem do equilíbrio das duas superpotências cede o lugar, de modo lento e complexo, à nova ordem poliárquica, é patente que aumenta o espaço da sociedade civil.

A sociedade civil pode definir-se como rede de instituições de origem privada e de finalidade pública. A sua constituição apoia-se na pertença dos membros a instituições. A sua finalidade estende-se a todos os fins compatíveis com um bem comum. A sua dimensão é extraordinariamente variável, desde a esfera local à transnacional. A sociedade civil é, assim, uma rede de instituições culturais, cívicas, religiosas, sociais e económicas, sobrepostas por laços mútuos e entrosadas por múltiplos micro-poderes. As suas faces são as mais diversas, em virtude da múltipla pertença individual e da potencial presença transnacional e global. Dos poderes às redes de informação; de universidades, igrejas, clubes desportivos, meios de comunicação, até às associações empresariais, sindicais e profissionais; das famílias às organizações não-governamentais, a sociedade civil renova os equilíbrios político-sociais, criando um “caos criativo”.

Enquanto rede de instituições que enquadram as potencialidades da existência individual, a sociedade civil tem vindo a ser perspectivada segundo duas tendências divergentes. Em termos minimalistas, constitui o domínio das associações privadas voluntárias: grupos de interesses locais, regionais, associações sindicais, filantrópicas, recreativas, culturais, paróquias, organizações de defesa do ambiente, do património, dos direitos, do consumidor, entre outras. Num sentido maximalista, inclui todos os tipos de associações de origem privada e finalidade pública e que formam o mosaico complexo das sociedades contemporâneas: famílias, igrejas, órgãos de comunicação social, empresas, poder local, grupos geracionais, organizações não-governamentais, sindicatos, movimentos sociais, grupos de interesses, e grupos informais de pessoas empenhadas em actividades de alcance público.

Entre ambas as tendências, afirma-se uma outra tipologia que classifica as instituições da sociedade civil segundo o respectivo impacto na vida pública. Em primeiro lugar vêm as instituições que enquadram a existência privada, tal como famílias e grupos de parentesco, realizam funções primárias de integração social. Um segundo tipo, com funções mais elaboradas de socialização, inclui as associações de lazer, desporto e espectáculo e os organismos de cultura, incluindo universidades, museus, fundações, movimentos intelectuais e meios de comunicação social. Um terceiro tipo é das organizações profissionais, sindicais, patronais e empresariais que fazem pesar os direitos dos associados no mercado que, na perspectiva da sociedade civil, é também estrutura de relações sociais. Um quarto é de organizações cívicas, de defesa dos direitos humanos, ambiente, património, consumidor, até ao limiar dos grupos de pressão e de interesse que coexistem com os partidos políticos

Qualquer das classificações apontadas de sociedade civil revela a coexistência de instituições entrosadas e sobrepostas em rede. A origem privada distingue-a da actividade pública de governação que caracteriza o estado, dentro do novo entendimento da soberania partilhada. A finalidade pública distingue-a da actividade do sector privado e da iniciativa individual. Mas, precisamente, ao envolver a vertente institucional da acção humana e ao mediar entre estado, mercado e existência privada, a sociedade civil oferece um espaço simultaneamente voluntário e público a exigir virtudes próprias do sector privado - a liberdade – bem como do sector público - sentido de justiça.

Este carácter de rede constitui a primeira novidade da sociedade civil, que nem sempre é bem compreendida. A cultura cívica actual no Ocidente enaltece, simultaneamente, os direitos individuais e o aspecto comunitário da existência em detrimento do individualismo, sem compreender a sua comum origem na sociedade civil. É nesta que se gera a vida associativa, a evolução das mentalidades, a participação na vida pública e a feitura dos padrões de civismo: é a sociedade civil que introduz a devolução de poderes, a organização autónoma de interesses, e outras formas de cidadania participativa conforme o princípio “tanta sociedade quanto possível, tanto estado quanto necessário”. O conceito revela que estamos perante uma tendência histórica que obriga a repensar velhos modelos convencionais de análise política e social.
Caso a sociedade civil não se afirme, a vida pública será dominada pelas oligarquias que actualmente disputam o estado democrático.
A cura para os cancros sociais consiste em reforçar a cidadania, no sentido de esfera originária em que participam as virtudes de respeito pela lei natural. Por isso, a sociedade civil faz pensar nas vantagens políticas de uma cidadania participativa.

Síntese de vários

sábado, novembro 19, 2005

Peter - a simpatia em pessoa


José Azevedo, proprietário do "Peter Café Sport", mundialmente conhecido por ser paragem obrigatória dos velejadores que cruzam o Atlântico e pela fama do seu “gin tónico”, morreu hoje na cidade da Horta, ilha do Faial, aos 80 anos.
A minha homenagem e votos de sentido de pesar à família pela perca dum grande Homem que prestigiou os Açores e a maneira de bem receber do Povo faialense.