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domingo, fevereiro 27, 2005

O regresso de Marcelo


Revogada a lei da rolha, o professor regressa ao convívio da nossa sala.
Agora nos écrans da RTP 1 vamos ter de novo, aos domingos, o maior "opinion maker" português.
Muitas decisões foram, ou não, tomadas tendo em conta os comentários de Marcelo.Tivemos um governo que era fortemente condicionado pelos média, principalmente pelos horários nobres das TVs.
Sem desconsiderar o professor, todos temos o direito a opinar e também não precisamos de pensar todos como ele. O governo deve ser sensível ao sentimento popular, mas não pode governar ao sabor dos fabricantes de opinião.

LUTO INTERNACIONAL


Morreu o homem que «trouxe luz para a escuridão das prisões, o horror das câmaras de tortura e campos de morte ou tragédia em todo o mundo», um homem «cuja consciência brilhou num mundo cruel e aterrador, que acreditava no poder das pessoas comuns para promover uma mudança extraordinária e, criando a Amnistia International, deu a cada um de nós a oportunidade de fazer a diferença».

Movimento cuja génese está ligada a Portugal. De facto, no auge das lutas estudantis contra o Estado Novo, a polícia prende dois jovens por gritarem na via pública: «Viva a liberdade». Uma prisão que teria passado despercebida não fora ter sido noticiada no jornal inglês «The Observer» e lida pelo advogado britânico que ficou tão indignado com a notícia que resolveu lançar um apelo para organizar ajuda a todos os presos por convicções políticas, religiosas ou raciais.

Morreu o homem mas a obra perdurará para sempre, como um raio de esperança contra a intolerância, o despotismo e a desumanidade!

sábado, fevereiro 26, 2005

O Papa sem direito a reforma

O Papa não tem o dom a ubiquidade mas tem enorme tendência para a omnipotência. Em plena debilidade das moléstias que o atormentam, num torpor indisfarçável, JP2 publicou uma carta apostólica sobre os meios de comunicação, abriu um congresso pontifício sobre a ética da saúde (neste caso, fazendo-se representar) e pôs à venda o seu 5.º livro «Memória e Identidade», sem contar com uma mensagem à irmã Lúcia em que lhe desejava as melhoras momentos antes de morrer.

Para além desta vasta actividade pastoral e epistolar, obriga-se a dizer a missa diária, recita as orações de que mais gosta e condena o sentido democrático para que se orienta o mundo, ressentido com a sociedade que respeita mais a decisão de um parlamento livremente eleito do que a vontade do Deus de que ele tem o segredo.

A máquina do Vaticano está bem oleada e embora o Papa tenha o aspecto de quem lhe é indiferente que as pessoas da Santíssima Trindade sejam três ou trezentas, a luta contra o preservativo não esmorece, a batalha contra a despenalização do aborto aumenta de intensidade e o ressentimento implacável contra a manipulação genética das células embrionárias atinge o paroxismo.

O sofrimento do Papa, cuja exploração demonstra a insensibilidade e morbidez da Cúria romana, é uma atitude que confrange e choca as pessoas sensíveis. Quem é capaz de exibir o martírio de um papa moribundo não pode sentir piedade pelo calvário do seu Deus.

Já reparou........

Grupos parlamentares?
Já reparou.....
....que o Nuno da Câmara Pereira será deputado na nova legislatura? E que, para além desta besta quadrada, o PSD garantiu mais um lugar aos monárquicos e dois ao Partido da Terra?
Alto preço a pagar por um chavão, para provar que o PPD/PSD fazia parte de uma "plataforma política que abrange a sociedade civil", ao estilo da coligação militar de Bush, que de alargada não tinha nada.
Já se fala, inclusivamente, de que o PPM poderá criar o seu grupo parlamentar, ao estilo d' Os Verdes, o que faria tanto sentido como o Trapatoni ir tirar o Cartão Jovem.
Ganda Santana. Obrigado por tudo e volta sempre.

Como será com Sócrates?

"Ordenados Milionários"

É o título do PD que informa que "O gabinete de imprensa de Pedro Santana Lopes é composto por dez assessores e catorze adjuntos. ...custa todos os meses ao cofres do Estado cerca de 100 mil euros (20 mil contos na moeda antiga).
Dois dos colaboradores de Santana Lopes auferem um ordenado-base superior a seis mil euros ao qual ainda acresce uma avultada verba destinada a despesas de representação."...
Está tudo aqui.


E logo a seguir o PD informa que "os Portugueses são dos que menos ganham".
"Os portugueses estão entre os cidadãos da União Europeia (UE) que menos dinheiro levam para casa no final do mês, com um rendimento médio anual disponível de 11.771 euros. ...
Do «ranking», luxemburgueses, dinamarqueses e britânicos são os mais favorecidos, com rendimentos médios anuais disponíveis de 35.893, 29.815 e 27.966 euros, respectivamente.
...os custos de remuneração médios anuais dos portugueses rondam os 17.325 euros, ocupando a oitava posição numa lista onde os custos mais baixos pertencem à Eslováquia (6.490 euros) e os mais elevados à Alemanha (49.609 euros)." [Link]

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Academia do Bacalhau do Faial


Por sugestão dum compadre e depois duma vista de olhos pelo GAVIÃO AZUL, boletim da Academia do Bacalhau do Faial,deixo aqui uma breve referência às iniciativas desenvolvidas e a desenvolver bem como a letra do hino desta Academia, com música da autoria de Carlos Alberto Moniz e letra de Victor Rui Dores.
Apresenta-se com novo elenco directivo, eleito a 27 de Janeiro e que deve ter tomado posse ontem, participou no 33º Congresso Mundial das Academias do Bacalhau na Costa do Estoril em Outubro passado e já prepara a sua participação no próximo, que será em Caracas, também em Outubro.
A Academia do Faial subscreve totalmente os princípios altruítas, de fraternidade e de amealhamento a favor dos mais desprotegidos da sorte. Assim, já contribuiu para diversas instituições de utilidade pública e não governamentais, na Ilha e no País.
Tem sabido juntar o convívio com a gastronomia e a solidariedade.

O HINO

I
'Staremos sempre contigo
Bacalhau, fiel amigo
Como tu não há igual,
Há em ti a simpatia
Desta nossa Academia
Nesta ilha do Faial!
Em jantar de amizade
A solidariedade
Traz sempre novo calor!
E que venha a melhor posta
Qu´é disto que a gente gosta
Bacalhau, nosso sabor!

Refrão
Eh, compadres!
Gavião do penacho
De bico p'ra cima, de bico p'ra baixo!
Eh, compadres!
Mais acima, mais abaixo
Vai ao centro, bota p'ra dentro!

BIS

II
Bacalhau à Zé do Pico
Se,com todos, é mais rico
Ou à Brás, é perfeição!
Se for com batata à murro
Espera aí que já te empurro
com um tinto de eleição,
Ai bacalhau de mil sonhos
Nossos olhos estão risonhos
Na bandeira a festejar,
Se fores no forno assado
Serás mais apreciado
E o badalo a dar, a dar.

Refrão (Modulação, fim)

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Experiência da vida

Acabo de ver uma entrevista de Mário Soares na SIC Notícias, apesar da idade, mostrou uma lucidez invejável para muitos políticos da nossa praça.
Levantou questões que são pertinentes e que vão estar na ordem do dia nos próximos tempos: O problema da tentação de se cair numa ditadura da maioria; A questão dos sinais que o novo governo terá de dar como forma de se fazer distinguir deste que vai sair; De ser criterioso na implementação das reclamadas reformas, não cedendo aos grandes grupos e corporações, mas sim fazendo aquelas que vão beneficiar os mais desfavorecidos, colocando o social à frente do ecnómico; Preveligiando sempre a abertura e o diálogo com os partidos de esquerda; Olhando o PCP e Bloco, não como partidos leninistas e trotskistas, mas sim como partidos fortemente ligados ao mundo do trabalho, da juventude e da intelectualidade e que vão capitalizar para as suas fileiras todo o descontentamento que uma política de direita do governo possa provocar; O reconhecimento da inteligência de Francisco Louçã e da justeza das propostas do Bloco.
Não há dúvida que Soares sabe muito, espero que o Sócrates tenha visto a entrevista ou pedido uns concelhos à velha raposa.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

PS recupera no Faial

O PS, no Faial, recuperou das últimas eleições Regionais, que tinha perdido para o PSD. Elegeu Renato Leal, o seu candidato ganhador, para a Assembleia da Républica e abriu caminho para a possível manutenção dos socialistas na Câmara da Horta.
A terra que foi ingrata para o José Decq Mota, vai ter agora um deputado na República, espero que seja tão bom deputado como é candidato.
A CDU e BE que não tinham hipótese de eleger, ficaram-se pelos modestos 3,97% e 2,64% respectivamente, para este tipo de eleição foi o possível.

Maioria de esquerda vs maioria absoluta

Prefiro de longe uma maioria absoluta do PS a uma maioria absoluta de direita.

Esta maioria de esquerda não é a primeira, desde o 25 de Abril, como alguém anda a querer dizer, já no tempo do Guterres a direita estava em minoria. Apesar de ser conhecido pela sua abertura ao diálogo, não quis apoiar-se nos partidos à sua esquera para governar, mas preferiu a chantagem de Daniel Campelo. As políticas erradas conduziram-no ao pântano, que se tornaria, pelas mãos de Durão e Santana, num imenso pantanal.

É sim a primeira maioria absoluta do PS, mas pouco se conhece das medidas concretas que irá propôr, apenas alguns chavões. Já recuou no que respeita ao código do trabalho, aos benefícios fiscais à poupança, teima na co-incenaração, tem uma posição errada sobre a idade para a reforma, etc.
Espero que tenha aprendido alguma coisa com os seus próprios erros.

Estou convícto que muitos eleitores do PS são de esquerda. Se somarmos esse votos aos da CDU e aos do BE, vamos encontrar um número bastante significativo. Este é o caminho que o Povo quis indicar. Um caminho de políticas e de reformas, mas com um sentido verdadeiramente popular. Não as reformas que o capital ou os grupos corporativos reclamam, mas sim aquelas que o Povo sempre viu esquecidas: o direito ao trabalho e a uma justa retribuição, o direito a uma verdadeira educação, à saúde atempada, à dignidade das mulheres que se veêm incriminadas por não poderem fazer um aborto no estrangeiro, a um verdadeiro combate à faude e evazão fiscal como forma de angariar as receitas necessárias para cobrir a despesa, redução dos governo-dependentes e dos gastos supérfulos da administração pública, etc.

Maioria absoluta não é a mesma coisa que maioria de esquerda.
Vão ser muitas as vezes que a esquerda vai combater a maioria absoluta, mas o nosso campo está a engrossar as suas fileiras. A postura moderna do BE, afastando-se de velhos dogmas e levantando bandeiras como a ecologia, a globalização, a dignidade do ser humano, a guerra e outras soluções novas para velhos problemas está a motivar e entusiasmar novos e velhos para um papel mais interventivo na vida colectiva.

domingo, fevereiro 20, 2005

E agora?

Temos razões para sorrir, mandamos a direita abaixo, lá se foi Santana, Portas e Bagão.
Reforçámos a representação da esquerda no Parlamento, temos de ser capazes de influenciar as políticas que o PS vai querer impôr de forma absoluta. Não gostei muito dos primeiros discursos de Sócrates e António José Seguro. Cheirou-me a alguma arrogância e afastamento dos partidos mais à sua esquerda. Falam de várias esquerdas e da repulsa que esta lhes causa. Nâo querem perceber que o voto se deslocou todo para a esquerda e que as políticas erradas e o descrédito da actual classe política vai fazer crescer a esquerda que emerge e se reforça.
O PS quase não é esquerda, mas vamos dar o benefício da dúvida e ver qual a abertura à negociação e à implementação das medidas que o Povo anseia e que se impõem: na luta contra o desemprego, o atraso estrutural e tecnológico, na idade das reformas e nas reformas em geral, etc.
Só maioria absoluta não é sinal de estabilidade e a prova está à vista.
Os 8 deputados do BE e os 14 da CDU tem de ser capazes de marcar a agenda política e fazer valer esta maioria que agora se concretiza.
Nós, o Povo não nos podemos deixar adormecer à sombra do Sócrates. Vai ser preciso muita vigilância, muito trabalho e vontade de querer ganhar esta aposta no desenvolvimento e no progresso.

BYE-BYE


Santana - o homem que não leva nada até ao fim!
É um estígma que o persegue, a culpa não é dele, é uma vítima, a avó é que já não devia ter nascido.

a xafarica
Leva o Paulinho contigo, é o contra-almirante desse barco rombado.

Já vão tarde.

sábado, fevereiro 19, 2005

Pai!

Faz hoje um ano que partiste
Para a tua derradeira viagem,
A nossa vida agora é mais triste
Ficou-nos o exemplo de coragem!

Homem de muita qualidade
Bom, de força e honradez,
De trabalho e seriedade
Humilde, mas com altivez!

Acabaram-se os passeios
Pelas obras das redondezas,
Já ninguém espera o carteiro,
Mas ele volta com certeza!

Não desesperes vendo a latada
Vamos pô-la um brinquinho
Brevemente vai ser podada
E ainda vai dar muito vinho!

O quintal foi entrevado
Ninguém o quis cultivar
Agora, vamos criar gado
Em mato não se vai tornar!

Descansa em paz na tua moradia
Estamos com muitas saudades,
Mas aqui são só mais uns dias
É a mais verdadeira das verdades!

Até um dia.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Votem BEm

Amanhã é dia de reflexão,tamBÉm vou fazer algum recolhimento.
Vou dedicar uns versos ao meu saudoso pai e será toda a minha participação na blogosfera.
BEm hajam e votem BEm

Oh Paulinho - rançoso?

Fui ver ao dicionário o significado de rançoso.
Estava lá: vem de ranço; ranço- deterioração de matéria gorda quando exposta ao ar, velharia.
Então é o Bloco é que é um partido rançoso?
O Paulinho está desvairado.
Não é o CDS/PP o partido que representa a ideologia do tempo da velha senhora?
Não é nesse partido que estão os gordinhos da vida e que só aparecem junto do Povo em altura de eleições, sem resistências ao virús popular e que rançam com facilidade?
O Paulinho tem andado aterefado não tem passado pelo espelho.
Vai ter tempo para isso a partir de 2ªfeira, se o Sócrates não se lembrar dele. Andam cá com uns olhares, anda ali namoro.

Acaba a campanha - a luta continua

Quando acabar o dia também acaba a campanha, mas os problemas e as dificuldades vão continuar por muito tempo, qualquer que seja o resultado.
A participação nas eleições é muito importante, principalmente se sobermos fazer escolhas certas. O sentimento clubistico ou a ideia de estar sempre do lado dos vencedores, leva-nos a opções que poderão não ser as mais certas. Ao longo da História, já vimos muitas vezes a razão estar do lado das minorias.
Acredito na democracia e também sei que o Povo não é tolo, mas com a demagogia e o populismo que por aí anda muita gente vai botar a cruzinha no quadrado errado.
Uma coisa é certa, Santana e Portas vão recolher às boxes e espero que por muitos e bons anos.
Esperemos que, da parte dos novos inquilinos de S.Bento, haja uma nova postura perante as políticas económicas e sociais e também uma maior abertura ao diálogo com a esquerda de valores e projectos.
Tudo o que está dito parece-me importante, mas não vamos apanhar nada de borla. Tudo vai depender da nossa participação, do nosso trabalho e da maneira como soubermos colocar e defender os nossos direitos.
Nas democracias, os governos são os representantes do Povo, a este compete fiscalizar aqueles. Assim, cada Povo tem o governo que merece. Se formos vigilantes,cumpridores e exigentes, os governos tem de trabalhar bem ou caem, como vão cair agora.
Só intervindo e participando na vida cívica podemos fazer valer tudo aquilo porque lutamos e achamos que temos direito: emprego, direito à saúde e a uma justa reforma em vida, à justiça (justa), a uma política fiscal que não caia sempre sobre os mesmos, etc.
A luta continua, Santana e Portas para a rua.

Boas notícias...

retirado de abnoxio

Os resultados da sondagem da Católica que a RTP hoje divulgou não surpreendem ninguém, senão os tolos.

Com o governo e o primeiro-ministro que temos tido, só um novo milagre de Fátima pouparia o PSD e o CDS/PP a uma estrondosa e humilhante derrota nas urnas.

Perante a hecatombe da direita, seria também inevitável a vitória do PS. Os eleitores que habitualmente oscilam entre o PSD e o PS, nesta altura, não têm razões para hesitar e isso fará toda a diferença.

Verdadeiramente estimulante é a extraordinária subida do Bloco de Esquerda nas intenções de voto. Chegar aos 7%, eleger entre 8 a 12 deputados e disputar o terceiro lugar - é um feito notável, que, a confirmar-se, terá de ser sobretudo creditado a Francisco Louçã. Ele é, sem dúvida, mau grado as divergências que com ele mantenho em alguns dossiers, o dirigente político mais capaz e brilhante da sua/minha geração. Tenho a esperança de que, daqui a 4 anos, Louçã poderá, finalmente, conduzir o Bloco ao governo. Seria muito bom para a esquerda e, acredito, muito bom para o país.

E concordo com ele: este não era ainda o momento de pedir ao eleitorado um voto nesse sentido. O Bloco será, nos próximos 4 anos, no parlamento, a consciência política e moral da esquerda. Precisa desse tempo para se tornar imprescindível...